ATO DOMINGO – POSTO 5, COPACABANA

O povo vai ocupar as ruas contra o retrocesso e a impunidade!

❌ Sem anistia para golpistas!
🚫 Não à PEC da Bandidagem
💸 Isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil
🛑 Fim da escala 6×1

📍 Posto 5 – Copacabana
📅 21/09, Domingo
⏰ 14h

Feminismo negro? Mulherismo? Esses foram os temas em pauta do GT Antirracista desta quarta-feira, 17 de setembro, realizado de forma híbrida no Espaço Cultural do Sintufrj.
O GT Antirracista, assim como o GT Mulher, tem procurado realizar um trabalho de formação trazendo especialistas para ampliar o conhecimento dos temas ligados ao racismo e ao universo da mulher, provocando reflexões.
As convidadas foram a pedagoga da Uerj e historiadora, Jéssica Raul, que falou sobre o feminismo negro e a teóloga Aline Frutuoso, autora do livro “Teologia Feminista Negra”, que explicou sobre o mulherismo.
A coordenadora de Políticas Sociais, Norma Santiago, apresentou o evento falando do protagonismo das mulheres negras brasileiras ao se referir ao I Encontro Nacional de Mulheres Negras em São Paulo.
“O feminismo não atendia a demanda das mulheres negras que precisavam ser autoras de suas vivências e de suas histórias e assim promoveram o I Encontro Nacional de Mulheres Negras. Foi o primeiro encontro nacional de feminismo negro que iniciou o processo de construção do movimento das mulheres negras e do movimento negro para atender as necessidades, as demandas, as questões de gênero e as questões raciais do povo negro. Porque o feminismo tradicional, das sufragistas, não atendia a essa categoria”, disse Norma.

Feminismo negro
A pedagoga Jéssica Raul destacou a importância de conhecer a história das mulheres, especialmente as negras, e suas contribuições intelectuais para combater o racismo e o sexismo.
Ela fez uma apresentação pontuando o pensamento de mulheres negras como Thereza Santos, Lélia González, Sueli Carneiro, Bruna Jaquetto e ativistas da educação como Azoilda Loretto, Nilma Gomes e Petronilha Gonçalves.
“O pensamento social brasileiro não seria o mesmo se não fossem as intelectuais negras”, ressaltou.
Jéssica argumentou que o conhecimento da história e das teorias produzidas por mulheres negras é essencial para a luta por direitos e para quebrar estereótipos, mostrando a relevância de suas perspectivas e a importância de se ver representada.
“Não tem como a gente fazer uma luta política, principalmente dentro de um sindicato, ou em qualquer espaço que seja, sem a gente conhecer a nossa história. Eu acho que trazer essas teóricas, as teóricas brasileiras para refletir a partir do lugar da mulher negra é superimportante. Porque se saber como a gente se situa como pessoa e como a gente produz teoria historicamente, quebra o estereótipo, por exemplo, de que as mulheres não são intelectuais. Trazer intelectuais negras confronta esse pensamento. Então, isso empodera, traz conhecimento. Acaba dialogando, pois mulheres negras falando sobre a realidade, traz a nossa realidade para a gente, para o nosso cotidiano, a gente se coloca no lugar, porque a gente está vendo elas teorizarem sobre a nossa vida”, declarou.

Mulherismo
A teóloga Aline Frutuoso elogiou a proposta do GT Antirracista de trazer para o centro do debate algo tão importante para o centro do debate como o feminismo e como o mulherismo africana.
“O feminismo não dá conta de falar da interseccionalidade de raça, gênero, classe. Então o mulherismo vem com essa construção. Ele conhece a interseccionalidade, que é algo que é muito peculiar”, observou.
Aline fez sua apresentação explicando o que é o mulherismo africana – organização social das mulheres da África antes da colonização baseado na cultura africana e no afrocentrismo, concentrando-se nas experiências, lutas, necessidades e desejos das mulheres da diáspora africana – e discorreu sobre suas implicações. O termo mulherismo africana foi cunhado por Clenora Hudson-Weems, uma acadêmica afro-americana, no final da década de 1980.
Segundo a teóloga, o mulherismo africana segue uma filosofia que busca resgatar a vivência matriarcal e a identidade das mulheres africanas, especialmente aquelas impactadas pela colonização e seus efeitos. Baseado em epistemologias africanas pré-coloniais, o mulherismo propõe uma visão de interconexão e igualdade, onde todos os membros da comunidade têm um papel importante e a espiritualidade e a ética são valorizadas.
O mulherismo africana presta mais atenção e dá mais enfoque às realidades e injustiças da sociedade em relação à raça. E ele difere do feminismo ocidental ao valorizar a ancestralidade, as sociedades matrilineares e a realidade da tripla opressão (racial, sexista e de classe) das mulheres negras, propondo um retorno aos princípios e práticas africanas para a sua emancipação.

A coordenadora Norma Santiago fala sobre o feminismo negro

Aline Frutuoso explica o mulherismo africana
Jéssica Raul apresenta o pensamento de mulheres negras

Ao final do evento participantes presentes e on line celebram o debate

A direção  do Sintufrj deu continuidade às reuniões com servidores em unidades para ouvir problemas, reivindicações e intensificar o debate sobre a pauta recorrente. Desta vez a conversa foi com trabalhadores da CPST na manhã desta quarta-feira, 17. Lá, a pauta recorrente foi discutida:  informes gerais sobre ações judiciais; a luta pelo cumprimento do acordo de greve (RSC, 30h, regra de transição etc) e a denúncia acerca da ameaça de implantação de uma Reforma Administrativa em tramitação no Congresso.  Os dirigentes sindicais presentes reafirmaram a proposta de realização de um seminário pelos trabalhadores do órgão que resulte em visibilidade para as ações da CPST. Os servidores têm reunião agendada com o comando da PR-4 na próxima terça-feira, 23 de setembro. FOTOS RENAN SILVA

 

Veja, aqui, os parlamentares da bancada do Rio de Janeiro que votaram SIM na Câmara Federal para aprovar a PEC da Blindagem.

Essa lei estabelece que deputados e senadores só poderão ser processados criminalmente (mesmo presos em flagrante) com autorização do Congresso.

Parlamentares corruptos, propagadores do discurso de ódio, divulgadores de fake news, que desviam emendas do orçamento … ficarão todos protegidos se caso essa lei pornográfica for aprovada.

Em meio a uma conjuntura em que se comemora a condenação de golpistas pelo STF, e a consolidação da democracia no país, a Câmara dos Deputados, de maioria claramente avessa aos interesses do povo, aprova, em plena madurada do dia 17, uma PEC para blindar os seus, ampliando a proteção de parlamentares em investigações e processos penais.

O texto principal da Proposta de Emenda Constitucional 3/201, conhecida como a PEC da Blingadem, foi aprovado por 353 a 134 votos no primeiro turno e por 344 a 133 no segundo.

Depois da votação de destaques (hoje, 17), a PEC segue para o Senado, e também precisa ser aprovada em dois turnos. Segundo o jornal Brasil de Fato (BdF), sem necessidade de sanção ou veto presidencial.

Já está sendo chamada da PEC da Bandidagem

Na prática, a proposta de emenda à Constituição, defendida pela bancada bolsonarista e pelo Centrão, possibilita uma proteção inédita para parlamentares, altera remas como medidas cautelares, abertura de processo e foro privilegiado.

“É PEC da bandidagem, não tem outro nome! No caso de qualquer crime cometido por um parlamentar, isso vai ser submetido à análise da Câmara dos Deputados: em primeiro lugar, se a Mesa autoriza a investigação; depois se autoriza a prisão”, disse a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS) durante a votação, como registrou ou BdF

Ela mostra que o foco é qualquer crime: assassinato, pedofilia, estupro, corrupção. “E vários querem se blindar com esta PEC, vários têm inquérito lá no Supremo Tribunal Federal acerca do orçamento secreto, instituído no governo Bolsonaro”, concluiu.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), disse que a proposta não passará no Senado porque não há maioria absoluta para a aprovação (49 votos). O projeto precisa ser analisado pela CCJ antes ir ao plenário, e a rejeição do presidente da comissão pode definir o destino da proposta.

PEC da Blindagem já enfrenta reações

“VERGONHA! VERGONHA! VARGONHA!”, os comentários, à notícia da aprovação da PEC no site da Câmara dos Deputados, se sucedem neste tom. O mais suave é “Lamentável”. Um deles completa: “Além de defenderem só interesses próprios ainda querem blindagem”.

“A certeza da impunidade é a única conclusão possível frente à aprovação da PEC 3/2021 pela Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (16). Na opinião da Transparência Internacional – Brasil, essa PEC também mostra a priorização das pautas corporativistas em prejuízo dos anseios da população”, diz manifesto da organização.

Para a Transparência Internacional, a exigência de aprovação, pelo Congresso Nacional,  para o avanço de investigações e processos contra parlamentares, (como previsto pela PEC), representa uma anistia prévia por todos os tipos de crime, incluindo desvios envolvendo emendas parlamentares, crime organizado e atos golpistas.

Uma regra semelhante vigorou no país entre 1988 e 2001. Neste período, segundo a Transparência Brasil, foram enterradas 253 investigações contra parlamentares e apenas uma foi autorizada. Do total, 210 investigações não foram adiante porque o Congresso simplesmente se omitiu – em outras 43 oportunidades, o Congresso rejeitou o avanço das investigações.

A ONG lembra que os parlamentares federais já controlam, hoje, mais de R$ 50 bilhões por ano em emendas. ´”Apesar disso, se mostram avessos a qualquer tipo de medida de transparência ou controle e se preocupam mais com a possibilidade de responsabilização pelos desvios do que com a necessidade de interrompê-los”.

A urgência da blindagem se justificaria, então, justamente diante do avanço das investigações sobre estes desvios, que, diz a Trânsparência,  já alcançam quase uma centena.

 

Nesta quarta-feira, 17 de setembro, 14h, no Espaço Cultural

Tema: Conhecendo o Feminismo Negro e o Mulherismo

Palestrantes: Jessica Raul, pedagoga, doutora em Educação

Aline Frutuoso, doutoranda em Ciência da Religião (PUC-SP)

 

Sindicato liderou a resistência à política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso e organizou a luta contra um reitor/interventor

Há exatos 32 anos, 17 de setembro de 1993, na primeira metade dos anos 1990 que antecedeu a dura política neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso, os técnico-administrativos da UFRJ galgaram mais um degrau de organização classista ao decidir em Congresso a transformação da nossa então Asufrj no Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ – Sintufrj.

O sindicato liderou a categoria no embate com o governo FHC que congelou por oito anos os salários, acelerou a privatização das empresas estatais e promoveu uma intervenção na UFRJ com a imposição de Henrique Vilhena de Paiva, o terceiro votado na eleição para reitor. A Reitoria foi ocupada por 44 dias e o Sintufrj esteve à frente na luta contra a intervenção que atravessou os anos de 1998, 2000, 2001 e 2002.

Foi nos anos 2000 que a organização dos trabalhadores da UFRJ mostrou sua força construída nos anos de resistência ao neoliberalismo de FHC. A categoria realizou a mais importante manifestação da greve do funcionalismo com mais de três mil fechando a Linha Vermelha, na altura da Ilha do Fundão.

Nos anos seguintes e com a chegada do PT ao governo, o Sintufrj seguiu junto aos trabalhadores, defendendo a instituição de uma carreira própria, lutando por salários dignos, defendendo a universidade pública, a autonomia universitária, nossos hospitais universitários, brigando pelos espaços de poder na universidade e defendendo a identidade do trabalhador em educação.

Resistimos ao golpe contra Dilma Rousseff, ao golpista Temer, ao governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Levantamos com orgulho a bandeira da democracia e da defesa da ciência, do conhecimento e da educação pública. Lutamos contra a privatização da saúde, fomos resistência na adesão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na UFRJ e contra as reformas da Previdência, Trabalhista e Administrativa. Lutamos por mais orçamento para a Educação e viemos combatendo a exploração dos trabalhadores terceirizados.

Pauta ampliada

Em nossa casa criamos Grupos de Trabalho com a participação da categoria para tratar de nossas demandas específicas, abraçar os grupos minoritários e combater preconceitos. Ocupamos Brasília em várias Caravanas organizadas pelo sindicato e pintamos o planalto Central com nossas bandeiras.

Nesses 32 anos não saímos jamais das ruas porque acreditamos que os trabalhadores unidos, e foram muitas campanhas unificadas do funcionalismo e da classe trabalhadora, podem levar adiante o sonho de uma sociedade mais justa, igualitária e contra a barbárie capitalista que explora e mata.

A participação dos companheiros aposentados na construção e fortalecimento do Sintufrj teve e tem importância fundamental.

FOTOS: ACERVO SINTUFRJ

TRABALHADORES LOTAM O ROXINHO. O Sintufrj sempre extraiu da mobilização a sua força
ASSEMBLEIA NO HALL DO CENTRO DE TECNOLOGIA (CT): um dos cenários da mobilização dos anos 1990
A TRADIÇÃO DE OCUPAR AS RUAS nas jornadas de resistência se manteve desde épocas anteriores

 

A série de reuniões de dirigentes do Sintufrj com trabalhadores na base teve continuidade nesta terça-feira (16) no Instituto de Computação. A pauta teve como itens informes gerais sobre ações judiciais; a luta pelo cumprimento do acordo de greve (RSC, 30h, regra de transição etc) e a reforma administrativa. Hoje, a dose se repete na CPST às 10h 30.

 

É o tema do encontro promovido pela Comissão Interna de Eventos da Decania do Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ no dia 17 de setembro, às 14h. A iniciativa é em apoio à Campanha Setembro Amarelo que, em 2025, tem como mote “Agir salva vidas!”. O evento será online e transmitida ao vivo pelo Yutube da unidade: https://bit.ly/youtubedoct.

Participarão como convidados: Rhawy Chagas Ramos, psicanalista clínico, teólogo, filósofo e professor no Centro de Estudos de Terapias e Psicanálise (Cetep) do Rio de Janeiro, e Beatriz Miyata, psicóloga e preceptora da equipe Sentidos da Vida, vinculada ao Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico (Casa) – projeto coordenado pela Escola Politécnica e pela Escola de Química da UFRJ, em colaboração com o CT.

Antônio Carlos da Rocha Alves, 67 anos, é técnico em enfermagem desde 1983 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), atualmente no setor de Tomografia. Mas sua história vai além de servidor da UFRJ há 42 anos. No mundo do samba, ele é o Tonho de Rocha Miranda, intérprete, percussionista, compositor e mais recentemente, produtor.  Na sua unidade de trabalho é o Tonho Boca de Cantor. Músico com mais de 600 composições.

Tonho se orgulha de servir ao público na UFRJ, aonde chegou muito jovem e aprendeu muito na sua posição de técnico-administrativo em educação. Só lamenta os problemas que a sua unidade hoje enfrenta. Ele define como socialista por querer um mundo mais igual para todos e isso se reflete nas ações de solidariedade para com os colegas de trabalho. O Sintufrj para Tonho é uma ferramenta de defesa do trabalhador. Se sindicalizou em 1983 e foi coordenador da entidade em 2010.

Carinho e respeito

Foi da turma do HUCFF que ganhou o apelido de Boca de Cantor, por inspiração da amiga Marlene Aparecida, a Marlene Furacão, da Ortopedia. Ela o acompanhou num show e ao vê-lo no palco  gritou: “O meu amigo Boca de Cantor”. Era 1985 e no plantão seguinte, todo o hospital já sabia da história do “Toninho Boca de Cantor”, conta.

Natural de Colégio, filho de mãe baiana e pai pernambucano, Tonho tem a música no sangue, como seu irmão e tios. Com quatro anos, subiu no palco na festa da igreja em Areia Branca, Belfort Rocha, e cantou um samba com a banda que se apresentava. Seu avô, Aurelino Rocha Moita, foi regente e na década de 50 era o maior trompetista da Bahia e um dos maiores do Brasil, registra orgulhoso. “Eu acho que veio daí (minha vocação). Meu avô era compositor de clássicos e valsa. Eu sou compositor de todas as vertentes de samba. Mas também componho outros ritmos. Até hip-hop e axé”, diz.

Conta com orgulho que é afilhado de crisma de Beto Sem Braço, o grande compositor da Império Serrano, autor de inúmeros sambas-enredos, entre os quais “Bum Bum Paticumbum Prugurundum”, que garantiu o título de campeã para a escola em  1982.

Talento e obstinação

Ainda muito jovem passou a frequentar as escolas de samba e a compor para os blocos locais até estrear como compositor de samba-enredo, com seu irmão e outros parceiros, na Unidos de Uraiti, em Colégio, e Unidos da Vila de Santa Tereza, em Rocha Miranda. Com sete amigos fundou o grupo Só Samba, do qual era intérprete. Fez muitos shows em casas noturnas das zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro e no interior do Rio e Minas Gerais. Chegou a substituir o Fundo de Quintal em algumas oportunidades. E acompanhou nomes como Elza Soares e  Neguinho da Beija Flor.

“De Rocha Miranda”

Em 1985, completou os versos que faltavam num botequim em Rocha Miranda de uma primeira versão de um samba de Bebeto Di São João com Raimundo Barros Filho. No dia seguinte, foi chamado à gravadora para assinar o contrato. O disco saiu e na autoria de “Cara de Anjo”, nome da composição, constava seu nome, Tonho, ao lado de Bebeto e Raimundo.

No lançamento do disco na Rádio Tropical, Bebeto contou sobre a parceria com um Tonho, em Rocha Miranda. “Acabou a entrevista e eu fui para Colégio. Quando eu cheguei no bar lotado, o pessoal perguntou: ‘Quer dizer que você é de Rocha Miranda?” Aí eu falei com o Bebeto que o pessoal estava chateado. Ele respondeu:  ‘Então acabei de batizar você. Sou teu padrinho do nome artístico: Tonho de Rocha Miranda’, e o assunto foi encerrado”.

Parceiros de fé

Bebeto é autor de versos conhecidos, como “Se gritar pega ladrão” (do samba “Reunião de Bacanas”), com Ary do Cavaco. Tonho, aliás, já gravou essa música com ele. Entre o final da década de 80 e o início de 90, escolas como Mocidade Independente de Inhaúma e o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo desfilaram na Rio Branco com sambas de autoria de Tonho de Rocha Miranda com outros parceiros. Disputou em escolas como Império Serrano e Salgueiro, Portela e Vila Isabel, chegando, em algumas, à semi-final e até à final.

Resistir

Com Nilson Athayde, Tonho gravou um samba político: “Fio da mesma meada”, que tem versos incisivos como Vamos resistir a quem candonga / a quem rasga livros e quebra lápis. Quem faz das seringueiras, cacetete pra nos açoitar. Vamos resistir. Somos fio da mesma meada, patrimônio comum a toda a humanidade. (…) Chegou a hora de acendermos os candeeiros. Pra clarear, iluminar o mundo inteiro e livrar nossas crianças desse imenso cativeiro”, dizem os versos. “Se fosse na década de. 70, os caras mandavam sumir comigo”, acredita.

Na década de 90, seguiram-se mais parcerias até a gravação de um samba só seu, que lhe rendou um carro zerinho: “Ouro da minha mina”. Mas a meta não era o dinheiro: “O sambista de fato, o compositor de fato, nunca põe o dinheiro em primeiro plano. A expectativa dele é saber até onde vai alcançar a obra dele. E é desse caminhar que vai vir dinheiro. Tá entendendo? E esse CD eu consegui vender”, afirma.

Mais produção

Tonho começou, ele mesmo, a produzir sua obra, como a coletânea “Samba da Velha Escola”, com 16 músicas (das quais cantou duas, de sua autoria), que também rendeu shows. Fez várias parcerias e partiu para o CD “Caminhando com a Batucada”, para a qual gravou sambas de sua autoria e dividiu interpretações. Viajou pelo interior dos estados do Sudeste com este trabalho.

Ouça em https://www.suamusica.com.br/antoniocarlosrochaalves

No final doa anos 1990, gravou um samba em homenagem a uma entidade da umbanda chamada “Dona Rosa”, que rendeu várias apresentações em universidades, casas noturnas e no Samba Buraco do Galo, projeto cultural que chegava a reunir de 2.500 pessoas em Oswaldo Cruz. Então foi convidado para uma coletânea que vendeu milhares de cópias. Com isso, chegou a se apresentar numa das comemorações do Dia Nacional do Samba, no palco principal do tradicional reduto de sambistas, com Beth Carvalho.

Alta produção

“Eu sou um compositor que canta. E eu não sou um cantor”, esclarece Tonho. Tanto que ganhou, com outros cinco autores, o enredo de uma escola de samba de Belo Horizonte para o carnaval de 2026 e gravou com a cantora da cidade, Aninha Felipe, um samba de sua autoria: Guerreira Mulher.

No momento, está lançando os cantores Guto Cesário, com a música “Sal Marinho”, que deve sair em dois meses nas plataformas digitais, e Marcelo Toledo, de Gurupi, Tocantis, com músicas de sua autoria e parceiros, coletânea “Trajetória do Sambista Apaixonado”, prevista para breve.

 

Ele também participou de uma outra coletânea: “No quintal do BHZ” (um estúdio em Guadalupe e futura casa shows), esperado para daqui a dois meses, com duas faixas como compositor, sendo uma delas também como intérprete: “Amarra a saia, Maria” e Mulher, o doce mais doce”.

 

Coleção está em todas as plataformas

E a sua coletânea “Nas graças dos Orixás”, composta de 12 músicas feitas com parcerias, já ganhou, em um ano nas plataformas digitais (como Spotify e YouTube), mais de 70 mil visualizações. A festa de lançamento foi no Espaço Cultural do Sintufrj, em maio de 2024 para convidados e parceiros do samba. Agora Tonho planeja um show de apresentação num grande teatro.

Foto: Renan Silva

Tonho da Rocha Miranda conta sua trajetória no mundo do samba

Mais sobre o compositor, intérprete e produtor em

YouTube – https://www.youtube.com/@tonhoderochamirandaoficial6602

Face – https://www.facebook.com/TONHODEROCHAMIRANDASHOW/?locale=pt_BR