Com pesar o SINTUFRJ registra o falecimento do ex-presidente nacional da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, aos 65 anos, ocorrido na segunda-feira, 14, em consequência de um longo período enfrentando problemas de saúde. Técnico em Eletrotécnica e formado em Sociologia pela PUC-Campinas, iniciou ainda jovem sua atuação no movimento sindical e, ao longo dos anos, exerceu diferentes funções até chegar à presidência da CUT.
Artur foi eleito presidente nacional da CUT em 2006, durante o 9º Congresso Nacional da Central, realizado em São Paulo. A chapa encabeçada por ele recebeu 69% dos votos dos cerca de 2,5 mil delegados e delegadas presentes. O mandato, de 2006 a 2009, foi renovado no 10º Congresso Nacional da CUT, em agosto de 2009, quando a nova Direção Nacional foi aprovada por unanimidade.
Sua trajetória foi marcada pela organização dos trabalhadores, pela defesa de direitos e pela participação em debates sobre trabalho, democracia e políticas públicas. A redução da jornada, uma das bandeiras históricas da CUT, esteve entre os temas centrais de sua atuação sindical.
Mesmo não sendo obrigatório, o voto das pessoas com mais de 70 anos fortalece a democracia, amplia a representatividade e ajuda a construir o futuro do país
Cerca de 17 milhões de brasileiras e brasileiros com 70 anos ou mais poderão votar nas Eleições 2026. É um contingente maior do que a população de muitos países e capaz de decidir disputas apertadas para presidente, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
Para essa parcela da população, o voto é facultativo. Isso significa que comparecer às urnas não é uma obrigação legal. É uma escolha e um direito que não perde importância com o passar dos anos.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Um eventual segundo turno para presidente e governos estaduais ocorrerá em 25 de outubro, segundo o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O tamanho do eleitorado 70+ mostra a força que essa participação pode ter. Na eleição presidencial de 2022, a diferença entre os dois candidatos no segundo turno foi de cerca de 2,1 milhões de votos. O número de pessoas com 70 anos ou mais aptas a votar em 2026 é aproximadamente oito vezes maior.
Cada voto tem o mesmo peso. Quando milhões de pessoas deixam de comparecer, porém, suas necessidades e experiências correm o risco de aparecer menos nas escolhas feitas pelo país. Votar é uma forma de participar das decisões sobre aposentadorias, saúde pública, assistência social, moradia, transporte, segurança, educação e condições de trabalho. São temas que afetam o presente das pessoas idosas e também o futuro de filhos, netos e das próximas gerações.
“Quem tem mais de 70 anos acumulou experiências de trabalho, de luta e de participação na sociedade. Essa voz não pode ser tratada como menos importante. O voto não é obrigatório, mas continua sendo um instrumento decisivo para defender direitos e fortalecer a democracia”, afirma o secretário de Pessoas Idosas, Aposentadas e Pensionistas da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento
Família pode apoiar sem decidir o voto
A participação começa antes de chegar à seção eleitoral. Filhas, filhos, netas, netos e demais familiares podem ajudar a consultar o local de votação, organizar o transporte e acompanhar a pessoa idosa, quando necessário.
Esse apoio deve respeitar a autonomia de quem vai votar. Incentivar não é pressionar, constranger nem escolher candidatos em seu lugar. O voto é secreto e a decisão pertence exclusivamente à eleitora ou ao eleitor.
Vale conversar com antecedência. Pergunte se a pessoa quer votar e de que ajuda precisa. Confirme o local e a seção. Planeje o horário e o deslocamento. Separe um documento oficial com foto e, se possível, leve os números dos candidatos anotados na ordem de votação.
Para Ari Aloraldo, as famílias têm papel importante na remoção de obstáculos que poderiam afastar esse eleitorado das urnas.
“O melhor incentivo é garantir condições para que a pessoa idosa exerça a própria vontade. A família pode oferecer companhia, transporte e informação, sempre com respeito à autonomia e ao sigilo do voto. Ninguém deve falar ou decidir por ela”, diz o dirigente.
O chamado também vale para sindicatos, associações de aposentados e pensionistas, comunidades e organizações sociais. Essas entidades podem divulgar informações confiáveis, orientar sobre direitos e organizar redes solidárias de apoio ao deslocamento, sem interferir na livre escolha de cada pessoa.
Prioridade e apoio no local de votação
Algumas dificuldades podem desestimular o comparecimento, como limitações de mobilidade, distância, falta de transporte, receio de filas e ausência de companhia. A legislação e a Justiça Eleitoral estabelecem medidas para reduzir essas barreiras.
Pessoas com 60 anos ou mais têm atendimento prioritário. Quem tem mais de 80 anos possui prioridade sobre as demais pessoas, inclusive dentro do grupo prioritário. A Lei nº 14.364/2022 estende a prioridade aos acompanhantes e atendentes pessoais.
Na prática, isso significa que a pessoa idosa não precisa enfrentar a fila comum. Ainda assim, é recomendável reservar tempo para o deslocamento e considerar as condições de saúde e o movimento no local.
A eleitora ou o eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida pode contar com a ajuda de uma pessoa de confiança, inclusive na cabine de votação, quando esse auxílio for indispensável. A necessidade será avaliada pela presidência da mesa receptora. A pessoa que auxilia não pode estar a serviço da Justiça Eleitoral, de partido, federação ou coligação.
É importante consultar o local de votação com antecedência nos canais oficiais da Justiça Eleitoral. Desde 1º de setembro, a consulta está disponível no aplicativo e-Título e no portal do TSE. Quem não tem familiaridade com celular ou internet pode pedir ajuda a alguém de confiança, sem compartilhar senhas ou permitir que outra pessoa interfira em seu voto.
Facultativo não significa dispensável
Quem tem mais de 70 anos não precisa justificar a ausência e não recebe penalidade por deixar de votar. Também não terá o título cancelado por três ausências consecutivas. Essas garantias protegem o direito de escolha, mas não tornam essa participação irrelevante.
O próprio TSE promove campanhas para estimular o voto dessa faixa etária. A mensagem é direta: todo voto importa. A experiência de quem atravessou diferentes períodos da história brasileira faz parte do debate público e não deve ser afastada pelo preconceito contra a idade.
Nas eleições municipais de 2024, o comparecimento foi de 66,43% entre pessoas de 70 a 74 anos. Entre aquelas de 75 a 79 anos, caiu para 49,55%, conforme dados apresentados pelo TSE. A então presidente do Tribunal, ministra Cármen Lúcia, também relatou casos de pessoas idosas desencorajadas nas filas com a afirmação de que não precisariam ter ido votar.
Esse comportamento precisa ser combatido. Dizer a alguém que sua presença é desnecessária por causa da idade é uma forma de idadismo. A democracia não estabelece prazo de validade para a opinião, a cidadania ou a participação política.
As pessoas idosas não são apenas destinatárias de políticas públicas. Elas são cidadãs com direito de escolher os rumos do Brasil. Comparecer às urnas é ajudar a decidir o presente e o país que ficará para filhos, netos e todas as gerações que virão
O dirigente reforça que em 4 de outubro, uma atitude simples pode fazer diferença. “Converse com a pessoa idosa da família. Pergunte se ela deseja votar. Ajude a conferir o local, organize o transporte e ofereça companhia. Apoie sua participação e respeite sua decisão”.
Serviço
Primeiro turno: 4 de outubro de 2026, das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.
Segundo turno, se houver: 25 de outubro de 2026.
Quem tem mais de 70 anos: o voto é facultativo; não há obrigação de justificar ausência.
Atendimento prioritário: pessoas com 60 anos ou mais; quem tem mais de 80 anos tem prioridade especial sobre as demais.
Onde consultar: aplicativo e-Título e portal do TSE.
Cenas de famílias em busca de ossos e partes descartadas de pescado marcaram 2021 e expuseram o avanço da fome durante o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro
As imagens de famílias brasileiras em filas para receber ossos com pequenos pedaços de carne e de pessoas recorrendo a restos de peixe para colocar comida na mesa correram o Brasil e ganharam repercussão internacional em 2021. A chamada “fila do osso”, registrada em diferentes cidades, tornou-se uma das imagens mais marcantes do avanço da fome e da pobreza durante o governo de Jair Bolsonaro, marcado por uma desastrosa condução da economia que gerou desemprego, inflação dos alimentos e perda do poder de compra.
Naquele período, sem outra alternativa, famílias passaram a buscar alimentos que, em outras circunstâncias, seriam descartados ou destinados a animais. A situação se repetiu em diferentes regiões do país e expôs as dificuldades enfrentadas por milhões de brasileiros para garantir a alimentação diária.
Um açougue em Cuiabá (MT) distribuía gratuitamente ossos com retalhos de carne. Segundo o estabelecimento, a procura aumentou durante a crise: a distribuição, que antes ocorria uma vez por semana, passou a ser feita três vezes por semana. As filas ganharam repercussão nacional após serem mostradas em reportagens de televisão.
No Rio de Janeiro, estabelecimentos também distribuíam ossos que anteriormente eram destinados a animais. Em Florianópolis (SC), um açougue chegou a vender o produto. Após a repercussão nas redes sociais e a pressão do Procon, o estabelecimento recuou.
Em Belém (PA), outro episódio chamou atenção naquele mesmo período. Um supermercado comercializava por R$ 3,90 o quilo restos de peixe, como vísceras, espinhas e cabeças. O produto passou a ser procurado por famílias que enfrentavam dificuldades para comprar alimentos básicos.
Fome voltou a atingir milhões de brasileiros durante o governo Bolsonaro
A situação ocorria em meio à alta dos preços dos alimentos e ao agravamento da crise econômica provocada pela pandemia e pela falta de uma ação assertiva do Paulo Guedes, então ministro da Economia. O desemprego e a redução da renda das famílias ampliavam as dificuldades para garantir as refeições diárias.
Dados divulgados em 2021 apontavam mais de 19 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar grave, contra aproximadamente 10 milhões dois anos antes.
As imagens registradas naquele período ultrapassaram as fronteiras do país e se tornaram conhecidas internacionalmente. Filas de trabalhadores e famílias em busca de ossos com restos de carne e de partes descartadas de peixes revelaram a dimensão da insegurança alimentar vivida no Brasil.
As imagens registradas naquele momento em que famílias brasileiras precisaram recorrer a alimentos que antes eram destinados ao descarte para garantir uma refeição foi uma marca da fome que o Brasil não deve esquecer.
A dimensão daquela crise pode ser medida também pelos números. Entre dezembro de 2020 e abril de 2022, o total de pessoas passando fome no Brasil saltou de 19 milhões para 33,1 milhões, um aumento de 74%. Em apenas um ano, 14 milhões de brasileiros passaram a conviver com a fome dentro de casa.
O percentual da população nessa situação também cresceu rapidamente: era de 5,8% em 2018, passou para 9% em 2020 e chegou a 15,5% em 2022. Por trás desses números estavam a crise econômica, o desemprego, a informalidade e a disparada da inflação.
Foi nesse cenário que as imagens da “fila do osso” e de famílias recorrendo a restos de peixe ganharam o mundo. Mais do que registros de uma crise, elas ficaram na memória como retratos de um período em que milhões de brasileiros tiveram de enfrentar a fome para conseguir sobreviver. São imagens que a classe trabalhadora não esquecerá.