Em coletiva nesta quarta-feira (28), Ministério do Trabalho anunciou prioridade nacional na apuração de denúncias de discriminação política contra trabalhadores
O governo federal vai priorizar a fiscalização de denúncias de assédio eleitoral em todo o país e estuda criar uma “lista suja” de empregadores responsabilizados por esse tipo de prática. As medidas foram apresentadas nesta quarta-feira (28), durante uma coletiva de imprensa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília, para enfrentar ameaças, constrangimentos e demissões motivadas pela preferência política dos trabalhadores.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.140 denúncias de assédio eleitoral nos três dias seguintes ao segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25). Ao longo de 2026, o órgão recebeu mais de 3 mil denúncias relacionadas ao processo eleitoral. Os registros incluem relatos de pressões exercidas por empregadores sobre funcionários e ameaças de demissão associadas à escolha política.
A coletiva reuniu o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e representantes do MPT, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), da Advocacia-Geral da União (AGU), do Ministério Público Eleitoral e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O encontro teve como objetivo coordenar a atuação dos órgãos diante do aumento das denúncias após a eleição presidencial.
A mobilização ocorre após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), em meio à circulação de mensagens incentivando represálias contra eleitores do petista.
Fiscalização terá prioridade em todo o país
Durante a coletiva, Luiz Marinho anunciou que auditores fiscais do trabalho deverão dar prioridade às denúncias de discriminação política. A determinação abrange as unidades de fiscalização dos 26 estados e do Distrito Federal, com atuação articulada entre o ministério e os demais órgãos participantes.
O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, também defendeu a mobilização conjunta das instituições para apurar os casos. Em entrevista ao ICL Notícias 2, concedida após a coletiva, ele afirmou que a Justiça do Trabalho prepara medidas para enfrentar o aumento das denúncias e mencionou a criação de forças-tarefa para investigar as ocorrências.
“O Estado agirá coordenadamente, cooperativamente, no sentido de coibir severamente esse tipo de violência contra pessoas mais vulneráveis”, afirmou o ministro ao ICL Notícias 2.
A orientação é identificar os empregadores denunciados e avaliar as circunstâncias de cada caso. O governo também pretende convocar empresas para mesas de conciliação, buscando soluções para trabalhadores que tenham sofrido represálias.
Nos episódios em que forem identificadas demissões por motivação política, poderão ser buscadas a reintegração ao emprego ou indenizações. Casos não resolvidos administrativamente poderão ser encaminhados aos órgãos competentes para adoção de medidas judiciais.
Vieira de Mello Filho ressaltou que o assédio eleitoral pode ter consequências tanto na esfera trabalhista quanto na eleitoral. Segundo ele, práticas ocorridas antes e durante a eleição podem caracterizar crime eleitoral, além de gerar pedidos de reparação por danos na Justiça do Trabalho. Em caso de demissão motivada por perseguição política, o trabalhador pode pedir reintegração ao emprego ou indenização.
Governo estuda ‘lista suja’ de empregadores
Outro ponto abordado na coletiva foi a disseminação de publicações que incentivam empregadores a demitir ou deixar de contratar pessoas por suas posições políticas.
O governo anunciou que pretende atuar junto às plataformas digitais para combater conteúdos que estimulem práticas ilegais. O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, participou das discussões sobre as responsabilidades das empresas de tecnologia diante dessas publicações.
Luiz Marinho também falou sobre a criação de uma “lista suja” de empregadores responsabilizados por assédio eleitoral. A proposta ainda não foi implementada e depende de avaliação do governo.
Na entrevista ao ICL Notícias 2, o presidente do TST afirmou que, além da lista, estão em discussão outras formas de responsabilização das empresas, como restrições à participação em licitações públicas e ao acesso a financiamentos e crédito. Ele comparou a proposta de cadastro à lista já existente no combate ao trabalho análogo à escravidão, que inclui empregadores segundo critérios objetivos.
“Não basta ele simplesmente falar que sofreu um assédio. Ele tem que identificar e criar uma rastreabilidade”, afirmou.
Segundo Vieira de Mello Filho, a partir dessas informações, o MPT pode investigar e verificar se houve assédio eleitoral.
A orientação do Ministério do Trabalho é que trabalhadores submetidos a ameaças, constrangimentos ou represálias por suas escolhas políticas formalizem denúncias nos canais oficiais do MTE e do MPT, reunindo, sempre que possível, mensagens e outros registros que ajudem a comprovar os fatos.
“Os trabalhadores emprestam a sua força de trabalho, não sua alma”, afirmou o presidente do TST ao encerrar a entrevista ao ICL Notícias 2.
O PRESIDENTE DO MST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho
Parabéns, companheiras e companheiros pelo seu dia e por sua trajetória de lutas.
O papel dos servidores públicos federais em educação é fundamental para a construção de uma universidade pública de excelência, inclusiva e socialmente referenciada.
Este ano, nós, servidores federais em educação da UFRJ temos muito a comemorar por força da nossa luta e garra. Fizemos uma greve vitoriosa, apesar de um Congresso Nacional dominado por inimigos dos trabalhadores.
Com a juventude e os 70 + fomos às ruas defender a nossa soberania e estamos comemorando a mais importante conquista dos últimos tempos, que foi impedir pelo voto nas urnas, que um fascista miliciano e sua família tomassem novamente o poder no Brasil.
Todos os dias, como servidor público, exercemos, em todas as áreas, o compromisso de atuar pelo bem da coletividade. Com dedicação e firmeza de caráter, junto com outros milhares de trabalhadoras e trabalhadores colocamos em prática a nossa missão de transformar esta sociedade tão desigual em mais justa com oportunidades iguais para todos.
Nova composição da Câmara e do Senado, cenário fiscal e prioridades do próximo mandato colocam carreiras, remuneração, concursos públicos e direitos funcionais no centro do debate.
Eleições de 2026 definem novo cenário político para os próximos quatro anos. Com a reeleição presidencial e o fortalecimento da oposição no Congresso, propostas que afetam o funcionalismo público dependerão de articulação política, espaço orçamentário e participação das entidades representativas.
01
O resultado das eleições
O resultado das eleições de 2026 abre uma nova etapa para o serviço público brasileiro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República no segundo turno, realizado em 25 de outubro, derrotando Flávio Bolsonaro (PL).
Lula (PT)
51,79%
64.256.232 votos
Flávio Bolsonaro (PL)
48,21%
59.826.041 votos
Percentual de votos válidos no segundo turno. Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A vitória assegura a continuidade do governo federal, mas não significa, necessariamente, a continuidade das condições políticas de seu mandato anterior.
Isso porque o Congresso Nacional que assumirá em fevereiro de 2027 terá uma configuração distinta, marcada pelo fortalecimento do Partido Liberal (PL), que conquistou as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Para os servidores públicos, o resultado exige atenção a duas dimensões: as prioridades do Poder Executivo e a capacidade de articulação com o Legislativo, responsável pela aprovação de leis, mudanças constitucionais e decisões orçamentárias que podem afetar diretamente as carreiras públicas.
02
Como ficou o Congresso Nacional?
Câmara dos Deputados: oposição fortalecida e necessidade de negociação
Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
O PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, consolidando-se como a maior bancada da Casa.
A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 88 deputados, enquanto a federação União Progressista (União Brasil e PP) conquistou 87 cadeiras.
Outros partidos também terão participação relevante nas negociações, como PSD, Republicanos, MDB e Podemos.
A distribuição das cadeiras evidencia um cenário no qual o governo precisará construir maiorias para aprovar propostas legislativas, especialmente aquelas que exigem alterações constitucionais.
Para o funcionalismo, essa composição poderá influenciar a tramitação de projetos sobre remuneração, organização administrativa, previdência e direitos funcionais.
Senado Federal: uma nova correlação de forças
Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
O Senado também terá mudanças expressivas. A partir de fevereiro de 2027, o PL deverá contar com 29 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa. O PT terá 10 representantes, seguido pelo MDB, com oito, e pelo PP, com seis.
O resultado é particularmente relevante porque o Senado participa da aprovação de mudanças constitucionais, aprecia projetos legislativos e exerce competências de fiscalização e controle.
A composição também pode influenciar o debate sobre reformas do Estado e a aprovação de propostas com repercussões para servidores federais, estaduais e municipais.
A força numérica das bancadas, entretanto, não determina automaticamente o resultado das votações. A formação de alianças, as posições dos parlamentares e a atuação das lideranças partidárias continuarão sendo decisivas.
03
O que a reeleição representa para os servidores?
A permanência do atual governo pode favorecer a continuidade de iniciativas relacionadas à reestruturação de carreiras, concursos públicos e políticas de gestão de pessoal.
Em março de 2026, por exemplo, foi sancionada a Lei nº 15.367, que promoveu reestruturações em carreiras federais e criou cargos efetivos.
Continuidade política não representa garantia automática de reajustes salariais, ampliação de direitos ou aprovação de novas reestruturações.
Essas medidas dependem de propostas específicas, negociação institucional, previsão orçamentária e, conforme a matéria, aprovação legislativa.
A nova composição do Congresso acrescenta outro elemento a essa equação: a necessidade de maior articulação entre o governo, os parlamentares e as entidades representativas do funcionalismo.
04
O que esperar para 2027? Cinco temas que merecem atenção
1
Reforma administrativa e organização do serviço público
A discussão sobre modernização da administração pública deverá continuar relevante. O ponto central será acompanhar quais propostas efetivamente avançarão no Congresso e seus possíveis efeitos sobre estabilidade, vínculos funcionais, carreiras, avaliação de desempenho e organização dos órgãos públicos.
Não é possível antecipar a aprovação de uma reforma ou atribuir efeitos jurídicos a propostas que ainda dependem de tramitação legislativa.
2
Reajustes salariais e reestruturação das carreiras
A recomposição remuneratória deverá permanecer entre as principais reivindicações de diferentes categorias.
A proposta orçamentária para 2027 contempla previsão de R$ 14,3 bilhões para reajustes e outros custos em negociação, mas a efetiva implementação dependerá das condições legais, fiscais e orçamentárias aplicáveis.
A atuação das entidades representativas será relevante na formulação das reivindicações e no acompanhamento das negociações.
3
Concursos públicos e recomposição dos quadros
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê o preenchimento de 48.826 vagas e a criação de outras 4.704 no setor público, distribuídas entre os Poderes e instituições.
Esses números representam previsões orçamentárias, e não autorização automática para a realização de todos os concursos ou garantia de nomeações.
A abertura de seleções e o provimento de cargos dependerão dos procedimentos e requisitos legais correspondentes.
4
Previdência e direitos funcionais
Regras de aposentadoria, regimes previdenciários, transições, pensões e demais direitos relacionados à vida funcional poderão continuar no centro das discussões legislativas e judiciais.
A análise dessas matérias exige atenção às diferenças entre os regimes jurídicos e previdenciários, especialmente entre servidores federais, estaduais e municipais.
5
Negociação coletiva e representação sindical
Em um Congresso com forças políticas diversas, a articulação das entidades sindicais e associativas poderá assumir importância ainda maior.
O acompanhamento de projetos legislativos, a apresentação de propostas, a interlocução com parlamentares e a defesa técnica das reivindicações das categorias são instrumentos relevantes para a participação institucional dos servidores nas decisões que afetam suas carreiras.
05
Qual será o principal desafio do novo governo?
O desafio para o próximo mandato será conciliar prioridades de gestão, demandas do funcionalismo e limitações fiscais, em um ambiente legislativo que exigirá negociações.
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 já evidencia essa tensão: ao mesmo tempo em que prevê despesas com pessoal e recomposição de quadros, o planejamento fiscal estabelece restrições ao crescimento das despesas.
Nesse contexto, medidas de valorização dos servidores deverão ser examinadas à luz de sua viabilidade jurídica, financeira e política.
Também será necessário observar o papel do Congresso na definição das prioridades orçamentárias e na tramitação das propostas que envolvem o serviço público.
O papel das entidades representativas a partir de 2027
O resultado eleitoral reforça a importância de uma atuação institucional organizada e permanente.
A defesa dos direitos dos servidores não se limita às decisões do Poder Executivo. Ela envolve o acompanhamento das atividades legislativas, a participação em processos de negociação, a atuação perante órgãos de controle e, quando necessário, a defesa judicial de direitos.
Para sindicatos e associações, o novo cenário exigirá capacidade de identificar riscos, acompanhar oportunidades legislativas e sustentar reivindicações com fundamentos jurídicos e técnicos.
Mais do que acompanhar quem ocupa a Presidência da República, será necessário observar quais propostas avançam no Congresso Nacional e como suas disposições podem atingir cada carreira.
06
O que está em jogo nos próximos quatro anos?
As eleições de 2026 definiram os representantes políticos, mas não anteciparam o conteúdo das decisões que serão tomadas a partir de 2027.
A reeleição de Lula aponta para a continuidade de determinadas políticas do Executivo. Por outro lado, o fortalecimento da oposição na Câmara e no Senado amplia a importância da negociação legislativa.
Fonte: Eleições 2026 | Olhar Eleitoral – Edição 8: Resultados do 2º Turno – Consillium
Para os servidores públicos, os próximos anos deverão ser acompanhados com atenção, especialmente em relação à remuneração, às carreiras, à previdência, aos concursos públicos e às possíveis alterações nas regras da administração pública.
A defesa dos direitos do funcionalismo exige acompanhamento contínuo, participação institucional e análise jurídica de cada proposta.
O Cassel Ruzzarin Advogados seguirá acompanhando os debates legislativos, administrativos e judiciais com repercussão sobre os servidores públicos e suas entidades representativas.
Com um exército digital de milhões de seguidores, deputado ajudou a mobilizar apoiadores durante o segundo turno e ganhou protagonismo em uma campanha marcada por grandes manifestações de rua.
Congresso Por: em Foco / Atualizado 26/10/2026 às 8:26
Na guerra de narrativas que marcou o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, André Janones ganhou uma patente. O deputado federal virou general de um exército digital com milhões de seguidores. Luiz Inácio Lula da Silva era o marechal. Entre missões distribuídas pelo WhatsApp, transmissões ao vivo e convocações que começavam quase sempre com um sonoro “URGENTE!”, Janones transformou um canal de mensagens em uma das mais impressionantes estruturas de mobilização da campanha.
Não havia quartel, farda ou continência. Havia celulares, grupos, vídeos e uma multidão disposta a atender ao chamado. Em três semanas, Janones conseguiu dar organização, identidade e propósito a uma militância que precisava reagir à vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
O exército que formou tinha uma característica fundamental: não exigia carteirinha partidária. Cabiam petistas históricos, eleitores de outros partidos, militantes de esquerda e pessoas que, mesmo sem identificação com o PT, queriam participar da campanha de Lula. Janones ofereceu a todos uma bandeira comum, uma missão e um lugar na batalha.
Enquanto multidões ocupavam as ruas em manifestações de apoio ao presidente, milhões de pessoas se reuniam nas plataformas digitais. As imagens dos atos circulavam, os vídeos eram compartilhados e as mensagens atravessavam grupos e redes. A campanha ganhava uma segunda vida depois que os palanques eram desmontados.
Janones encontrou nesse movimento seu campo de atuação. E fez dele uma trincheira permanente.
O general e o marechal
A hierarquia militar começou como uma brincadeira, mas logo se tornou parte da identidade da mobilização.
No “Exército do Lula”, os seguidores eram soldados. As orientações para compartilhar vídeos, divulgar publicações e convidar novos integrantes eram missões. Janones era o general, responsável por organizar as ações. Acima dele, na linguagem adotada pelos apoiadores, estava o marechal Lula.
A brincadeira tinha uma função política. Dava a cada participante a sensação de fazer parte de algo maior. Quem não podia viajar para um comício, subir em um palanque ou participar de uma caminhada encontrava uma maneira de atuar. Bastava ter um celular e disposição para compartilhar.
O canal, que reunia cerca de 50 mil inscritos antes do segundo turno, cresceu rapidamente. Em poucos dias, ultrapassou 2 milhões de seguidores e continuou avançando até superar 10 milhões.
Os números davam a dimensão da audiência. Mas a força da iniciativa estava também na capacidade de transformar seguidores em participantes de uma campanha.
Janones não pedia apenas apoio. Distribuía tarefas. Não se limitava a publicar mensagens. Convocava pessoas a fazê-las circular. Criou uma rotina em que cada integrante podia participar da disputa política, mesmo a quilômetros de distância de qualquer ato de campanha.
A mobilização ganhou o reconhecimento do próprio presidente. Em 7 de outubro, Lula gravou um vídeo ao lado de Janones convidando apoiadores a ingressar no canal.
“Vamos chegar a 5, 10 milhões de pessoas. Nosso exército tem que ser o maior exército democrático do mundo”, afirmou.
O marechal havia reconhecido seu general.
André Janones, o herói improvável da vitória de Lula.Arte Congresso em Foco
“Pessoal, urgente”
Se o exército tinha uma hierarquia, também tinha uma palavra de ordem.
“Pessoal, urgente” tornou-se uma das expressões mais associadas a Janones durante o segundo turno. O deputado recorria ao chamado no início de vídeos em que convocava seguidores para novas ações.
A urgência era quase sempre a mesma. Havia uma mensagem para espalhar, um vídeo para compartilhar, uma publicação para impulsionar ou uma nova missão a cumprir.
O bordão ganhou repercussão, virou meme e passou a ser reconhecido mesmo por quem não acompanhava diretamente o canal.
Janones compreendeu uma característica das redes sociais: a comunicação política não depende apenas do conteúdo, mas também da capacidade de chamar a atenção em meio a uma quantidade interminável de informações.
A informalidade fazia parte da estratégia. Falava como quem conversa em um grupo de amigos, não como quem lê um pronunciamento oficial.
E havia outra diferença importante. A mobilização não dependia de concordância com todas as posições do PT. O exército reunia pessoas de diferentes trajetórias políticas em torno de um objetivo eleitoral comum.
Janones conseguiu transformar essa diversidade em uma identidade compartilhada. Durante aquelas três semanas, o pertencimento ao exército digital importava mais do que a filiação partidária de cada soldado.
O deputado já havia desempenhado papel relevante na campanha de 2022, quando desistiu da candidatura presidencial para apoiar Lula. Quatro anos depois, voltou a atuar na comunicação eleitoral, desta vez com uma estrutura de mobilização muito maior.
Quando o outro lado percebeu
O crescimento do “Exército do Lula” não passou despercebido pela campanha adversária.
A candidatura de Flávio Bolsonaro levou o funcionamento do canal ao TSE, questionando os limites da mobilização digital organizada por Janones.
O espaço foi alvo de decisões que restringiram seu funcionamento e de determinações posteriores relacionadas à retomada das atividades.
A disputa judicial deu à iniciativa uma dimensão ainda maior. O canal que havia começado como instrumento de mobilização se transformara também em objeto de confronto entre as duas candidaturas.
A reação adversária mostrava que Janones havia se tornado um personagem impossível de ignorar na disputa digital.
E, quando a campanha adversária recorreu à Justiça Eleitoral para questionar o funcionamento do canal, ficou evidente que aquela operação já ocupava um espaço relevante na disputa.
Uma campanha que não dormia
A atuação de Janones ultrapassou o WhatsApp.
O deputado promoveu transmissões ao vivo, participou de atividades com Lula, divulgou vídeos e convocou seguidores para ações coordenadas nas redes sociais.
Na reta final, anunciou uma transmissão de 24 horas após o debate da TV Globo, com a proposta de distribuir tarefas e manter a militância mobilizada até o dia da votação.
Também participou de uma transmissão com Lula que alcançou milhões de visualizações no YouTube.
A frequência das publicações ajudou a criar uma campanha digital que parecia não conhecer intervalo. A cada novo episódio da disputa, Janones procurava oferecer uma resposta, uma orientação ou uma convocação.
A lógica era manter o exército em movimento.
Enquanto a campanha tradicional se organizava em torno de agendas, viagens, discursos e eventos, a mobilização digital permanecia ativa entre uma atividade e outra. O fim de um comício não significava o fim de sua repercussão. Um vídeo podia continuar circulando durante horas, alcançar novos públicos e alimentar outras conversas.
Por um triz
Na manhã da votação, Lula agradeceu as manifestações de carinho recebidas durante a campanha.
“Vou votar agradecido ao povo brasileiro. O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tem como pagar. É muita generosidade, é muito carinho, é muito amor e eu serei eternamente grato ao comportamento do povo”, declarou.
Horas depois, enquanto o país acompanhava a apuração, Janones voltou às redes sociais. Desta vez, sem distribuir missões, convocar soldados ou anunciar uma nova ofensiva.
Recorreu à música.
“Estamos meu bem por um triz, pro dia nascer feliz …pro dia nascer feliz”, escreveu no X, em referência à canção “Pro Dia Nascer Feliz”, do Barão Vermelho.
A mensagem parecia distante dos chamados urgentes que haviam marcado aquelas três semanas. Depois de mobilizar milhões de pessoas, Janones encontrava-se diante da única tarefa que não podia distribuir aos seguidores: esperar a decisão das urnas.
O deputado começou o segundo turno com um canal de WhatsApp e terminou com um exército de milhões, uma linguagem própria e um lugar de destaque na história da campanha.
Conseguiu reunir petistas e não petistas, transformou seguidores em participantes ativos e fez de cada celular uma possibilidade de ampliar a mobilização.
Depois de três semanas de convocações, transmissões e batalhas digitais, o general havia encerrado sua campanha.
O marechal aguardava a decisão do país.
E Janones, que passou o segundo turno convocando milhões de pessoas para agir, encontrou na música a expressão para o momento em que já não havia mais nada a fazer.
O SINTUFRJ saúda a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva numa virada histórica na vida da república brasileira. Por decisão de assembleia, o sindicato havia definido seu apoio à reeleição do presidente.
A deliberação foi tomada por entender que a vitória de Lula representa a manutenção da democracia e a derrota do fascismo, do autoritarismo e de anos de retrocesso social, econômico e trabalhista que atingiriam em cheio a classe trabalhadora.
Diante do risco bolsonarista, mobilizações inéditas ocuparam os espaços livres Brasil afora. O que se viu nas ruas e nas redes sociais foi a denúncia da ameaça de chegada à presidência de um candidato que carrega um prontuário de crimes e, principalmente, o povo brasileiro em defesa de uma pauta identificada com as lutas do nosso sindicato.
• Fortalecimento da soberania nacional e da democracia
• Distribuição de renda e combate às desigualdades
• Preservação e defesa do meio ambiente
• Educação pública, gratuita e de qualidade
• Fortalecimento e financiamento do SUS
• Preservação e ampliação dos direitos dos trabalhadores
• Enfrentamento ao machismo, racismo, lgbtfobia e todas as formas de opressão
E, aqui, cabe o reconhecimento aos servidores da UFRJ que se engajaram com esperança e convicção na jornada que parecia impossível.
O resultado das urnas no segundo turno das eleições traduz a força de um povo unido, e fazem brilhar os olhos cheios de esperança de uma juventude e de milhares de outros brasileiros que foram às ruas defender o seu futuro.
A vitória eleitoral foi um passo para evitar o desmonte do país. Agora, precisamos seguir mobilizados, atentos e organizados nas bases para garantir que os direitos da classe trabalhadora sejam restaurados e ampliados.
Nunca antes na história deste país houve um presidente como Lula. O primeiro eleito quatro vezes pelo voto popular, neste domingo, 25 de outubro, numa virada memorável, em segundo turno, com mais de quatro milhões de votos à frente do adversário.
Lula, junto com as multidões que tomaram as ruas, as redes sociais e as urnas, venceu a extrema-direita, o neofascismo, enfrentou interferência de potência estrangeira, as big techs, a militância de autoridades em favor do bolsonarismo em vários pontos do país, defendeu a democracia, a soberania, a Amazônia, os direitos do povo e o futuro do país.
Tudo isso, sob os olhos atentos do mundo, da mídia internacional e dos povos de outros países que também lutam contra o avanço do fascismo. E que viram ressurgir, junto à inconteste liderança, uma grande reação nas redes sociais, com o bravo “Exército de Lula”, e, nas ruas, com o vigor de milhões jovens e dos que lutaram toda sua vida por uma sociedade mais justa e igualitária.
Do primeiro para o segundo turno foram mais 10 milhões de votos.
Os imprescindíveis
Lula já conquista o status de lenda. Como no trecho do poema Elogio dos Combatentes, o dramaturgo Bertold Brecht ensina: “Há aqueles que lutam um dia e são bons. Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há aqueles que lutam a vida inteira: esses são os imprescindíveis.”.
Na apuração, o grito de emoção de milhões no país inteiro eclodiu mais de uma vez: Lula começou ganhando, oscilou. Depois veio a virada em meio à apuração, às 20h26, quando Lula passou o candidato do PL Flávio Bolsonaro. Por fim, veio a confirmação da vitória pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pouco depois das 21h, com 97% das urnas apuradas: Lula tinha 51,74% e o outro, 48,26%. Na totalização, Lula ficou com 51,79% e o adversário, 48,21%.
A diferença dá a dimensão desta virada. Lula derrotou o senador do PL por 64.256.232 de vos contra 59.826.041 do outro. Lula ganhou 4 milhões, 430 mil e 191 votos A MAIS. Uma diferença duas vezes maior do que quando concorreu com o pai do candidato em 2022.
Entre o primeiro e o segundo turno, Lula adquiriu mais 10.376.694 de votos. Flávio, 3.721.538.
Lula levaria a vitória de qualquer jeito
“Vocês me deram a primazia de ser o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro”, afirmou Lula ao discursar na Avenida Paulista.
A festa ocorreu depois de um segundo turno marcado por denúncias de redução da frota de ônibus em diferentes cidades brasileiras, incluindo São Paulo. As reclamações sobre dificuldades no transporte público levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a determinar a prorrogação do horário de votação, com aplicação posteriormente esclarecida para os locais onde as urnas permaneciam abertas.
Mas, depois das 17h, 37 mil pessoas votaram. Portanto, a vitória de Lula já estava dada antes mesmo da prorrogação, com mais de quatro milhões de pessoas,
Multidões nas ruas do Rio e São Paulo
Com: ICL e Agência Brasil, com fotos de Ricardo Stuckert e Paulo Pinto
A reeleição do presidente Lula levou milhares de apoiadores às ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo na noite de domingo (25). Após a virada histórica, eleitores ocuparam a Cinelândia e a Avenida Paulista.
Em seu discurso, Lula destacou a mobilização popular e prometeu ampliar políticas educacionais, incluindo a universalização do Pé-de-Meia no ensino médio, a criação do Pé-de-Meia Universitário e a expansão do ensino em tempo integral. O presidente também elogiou a participação do deputado federal André Janones (Rede-MG) na campanha.
Na Cinelândia, tradicional palco de manifestações políticas, concentrou a maior mobilização, mas festa se espalhou pela Praça São Salvador, na Zona Sul, pela Tijuca, na Zona Norte, e pelas ruas de Copacabana, onde moradores celebraram das janelas, com gritos e buzinas. Houve comemoração também na Praia de Icaraí e no Largo São Francisco da Prainha, em Niterói
Comemorações se espalham pelo Brasil
Além do Rio e de São Paulo, a vitória de Lula provocou celebrações em diversas capitais brasileiras. Em Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Manaus, Florianópolis, São Luís e Campo Grande. João Pessoa, Campina Grande, No interior paulista, São José dos Campos e Taubaté também registraram manifestações de celebração.
Lula salvou a democracia duas vezes
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também discursou na Avenida Paulista. Ele destacou que essa eleição presidencial teve vários recordes e que o presidente Lula já salvou a democracia duas vezes: “O primeiro recorde é que o presidente Lula teve mais de 64 milhões de votos. O presidente Lula é eleito pela quarta vez. [Foi] a menor abstenção em 20 anos. E agradecer a São Paulo. Aqui, entre o primeiro e o segundo turno, aumentou 27,5% a votação do presidente Lula. E, finalmente, trazer uma palavra: o presidente Lula salvou a democracia no Brasil duas vezes.”
Interferência de plataformas digitais
No primeiro discurso após a vitória Lula agradeceu ao povo brasileiro pela generosidade e afirmou: “É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real”, disse.
“Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país”, acrescentou.
Lula, que completa 81 anos nesta terça-feira (27), já presidiu o país de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026, agradeceu o povo:
“Eu queria agradecer ao povo brasileiro a generosidade que eles têm comigo há muito tempo. E, neste segundo turno, agradecer a generosidade da juventude brasileira que foi para rua para defender a democracia, quero agradecer às pessoas idosas.”
“Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país”, acrescentou Lula que garantiu:.
Mais espaço para a comunicação digital
“Nós vamos mudar o jeito de governar esse País. Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões. E quero dizer pra vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo. Daqui para frente, eu vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente”, disse
Foi na grande Avenida Paulista, à tarde, depois do ato em Copacabana, no Rio pela manhã, o ato de encerramento da Campanha de Lula. E mais uma vez, uma multidão se reuniu para demarcar a urgência de lutar por um país democrático, livre e soberano com mais justiça social. O presidente chegou ao local pouco antes de 16h, acompanhado de Janja, do vice, Gerado Alckmin (PSB), de Guilherme Boulos (PSOL), de Márcio França (PSB) e de Simone Tebet (PSB).
Para Lula, a população sabe que esta eleição não é disputa de partido político, mas de quem se preocupa com o futuro do país e fez uma mobilização que há muitos anos não se via neste segundo turno.
Na véspera do segundo turno, Lula arrastou mais uma vez uma verdadeira multidão à praia de Copacabana.
O ato começou cedo, na manhã deste sábado, 24 de outubro. A concentração começou a partir das 9h, no Posto 5, na Avenida Atlântica, na Zona Sul, com milhares de reunidas em torno da mobilização Bora Lula!
O SINTUFRJ acompanha esse momento histórico nas ruas do Rio de Janeiro, onde a democracia também se expressa no direito de manifestação e na participação cidadã.
Lula chegou ao local por volta de 11h15. Acompanhado da primeira-dama, Janja da Silva, a deputada Benedita da Silva, o ex-prefeito Eduardo Paes, o prefeito Eduardo Cavaliere e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, segundo o site UOL que registrou: Do carro de som, o presidente voltou a falar da soberania do país. “O povo escolhe alguém que beija a bandeira do Brasil ou alguém que beija a bandeira americana. É questão de soberania, nós não vamos permitir que o Brasil seja quintal de ninguém. O Brasil tem dono, e esse dono chama povo brasileiro”, disse.Também afirmou que “está claro” que Flávio “quer privatizar o SUS”. Ainda acusou seu opositor de ter planos de acabar com o fim da escala 6×1 e o chamou de “miliciano”.
Fotos: Renan Silva
SINTUFRJ presente
O SINTUFRJ conclamou a categoria presente no ato a contribuir com seus posts. Veja alguns dos flagrantes feitos por coordenadores e militantes do sindicato.
Quem recebe aposentadoria, pensão ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e for votar no segundo turno das eleições de 2026, neste domingo (25), pode ter a Prova de Vida atualizada automaticamente.
A medida é possível porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compartilha com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) os dados de comparecimento às urnas. Com isso, o instituto consegue confirmar que o beneficiário está vivo sem que ele precise ir até uma agência ou banco para fazer o procedimento.
A Prova de Vida é uma checagem feita anualmente para garantir a manutenção do benefício. Atualmente, o INSS realiza essa confirmação principalmente por meio do cruzamento de informações em diferentes bases de dados do governo.
Caso o beneficiário não vote, a Prova de Vida não será prejudicada. O INSS seguirá utilizando o cruzamento de informações com outros registros públicos disponíveis. Vale destacar que, mesmo quem não participou do primeiro turno das eleições, terá a presença computada como Prova de Vida se votar no segundo turno.
O instituto alerta, ainda, que a Prova de Vida não tem nenhuma relação com a liberação de empréstimos consignados, que seguem regras específicas para aprovação.
Se o cruzamento de dados não for suficiente para confirmar a situação do beneficiário, o INSS fará uma notificação. Nesse caso, a regularização pode ser feita pelo aplicativo Meu INSS, pelo site ou ainda no banco onde a pessoa recebe o benefício.
Para conferir a situação da Prova de Vida, basta acessar o Meu INSS ou ligar para a Central 135.