O país assiste a um fenômeno surpreendente após o primeiro turno das eleições e o risco de a democracia ser posta em xeque.
ATOS ATRAEM MULTIDÕES EM TODO O PAÍS EM DEFESA DA DEMOCRACIA
Manifestações aconteceram em 19 capitais no domingo, 18 de outubro. No Rio, no início da tarde, concentração na Candelária puxada pelos estudantes, teve a presença de Chico Buarque. No final da tarde e início da noite, Caetano Veloso comandou o show e Copacabana se transformou em cenário único de política, cultura e poesia. O Brasil agradece!.
Um tsunami puxado pelo movimento estudantil (veja matéria ao lado), nos últimos dias, imediatamente após 4 de outubro, recolocou a disputa pela Presidência da República num novo patamar: a reação da base por meio dos estudantes, dos movimentos sociais, dos sindicatos mais combativos e de outras instâncias da sociedade civil explodiu nas ruas das cidades brasileiras.
O SINTUFRJ, como sindicato com tradição de organizar os trabalhadores em torno de bandeiras específicas da categoria, mas também das grandes questões que envolvem o país, tem marcado presença no momento de mobilização inédita na história recente do campo político que defende um país menos desigual, com oportunidade para todos.
A sociedade parece ter acordado de sua letargia. Neste domingo, 18, apoiadores da candidatura do presidente Lula, em uma mobilização nacional pela democracia, participaram, no país inteiro, de concentrações e atos a uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. As manifestações reuniram estudantes, artistas, movimentos sociais e lideranças políticas em demonstração de apoio ao presidente. A indumentária colorida animou praças, ruas e avenidas com bandeiras do Brasil, camisetas vermelhas, cartazes e apresentações musicais.
Esse cenário se repetiu nas capitais, como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis e Maceió. Os atos também buscam ampliar o diálogo com eleitores indecisos e incentivar a participação daqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Rio de Janeiro
Artistas se reúnem em Copacabana em grande ato pela democracia e reeleição de Lula A Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi palco de uma grande mobilização artística e política em apoio à reeleição do presidente Lula neste domingo (18). Convocado pelo cantor Caetano Veloso e pelo movimento 342 Artes, o Ato Musical pela Democracia reuniu artistas de diferentes gerações e estilos musicais, além de apoiadores do petista. A concentração começou por volta das 14h, na altura do Posto 5, e as apresentações musicais tiveram início às 16h15, com a abertura do cantor e compositor Edu Krieger. Entre os artistas presentes no evento estão Caetano Veloso, Djavan, Simone, Marina Sena, Chico César, João Bosco, Frejat, Fernanda Abreu, Ivan Lins, Rubel, Duda Beat e Xamã.
Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro questionou modelo de assistência social e ironizou exigências sanitárias para pequenos empreendedores
Por Cleber Lourenço
A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, chamou o modelo de assistência social brasileiro de “prisão assistencialista” e criticou exigências da Vigilância Sanitária para pequenos empreendedores, incluindo a esterilização de instrumentos utilizados por manicures. As declarações foram feitas nesta segunda-feira (19), durante entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, na qual a economista apresentou propostas para um eventual governo de Flávio.
Ao defender a criação de um Ministério da Prosperidade, que reuniria políticas de assistência social, trabalho e empreendedorismo, Daniella afirmou que o objetivo seria mudar a relação dos beneficiários de programas sociais com o Estado.
“É justamente essa. É a gente libertar o Brasil dessa prisão assistencialista”, declarou.
A economista defendeu que o Bolsa Família deixe de ser tratado como um destino permanente para famílias de baixa renda e passe a funcionar como uma etapa de transição para o mercado de trabalho. Segundo ela, a proposta envolve integrar o Cadastro Único, o Sistema Nacional de Emprego (Sine), o Sistema S e instituições financeiras públicas para estimular a formalização e o empreendedorismo.
Daniella também acusou o governo Lula de utilizar programas sociais para manter a população dependente do Estado.
“Se o governo usa o medo e os programas para aprisionar as pessoas no medo, tá errado. É uma relação tóxica e abusiva”, afirmou.
Apesar das críticas, a coordenadora econômica classificou o Bolsa Família como um programa “meritório” e disse que não pretende acabar com a assistência social. Mais cedo, em entrevista à CBN Bahia, Daniella revelou que o Bolsa Família passará a ter um período de transição de dois anos para os beneficiários, caso o senador seja eleito presidente. Após esse prazo, as famílias seriam desligadas do programa, segundo a proposta apresentada pela equipe do candidato.
As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, declarou. A fala reforça o discurso adotado pela coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro, que trata a dependência prolongada da assistência social como um problema, embora não tenha apresentado dados que sustentem a ideia de que o programa, por si só, impeça a conquista de autonomia financeira.
Dados contrariam ideia de dependência permanente
A descrição da assistência social como uma prisão contrasta com os números sobre a entrada de beneficiários do Bolsa Família no mercado de trabalho e a saída de famílias do programa.
Conforme reportagem publicada pelo ICL Notícias em maio, 5,1 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família desde 2023 após aumento de renda, segundo informações apresentadas pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. O número corresponde a aproximadamente 15 milhões de pessoas.
Outro levantamento divulgado pelo ICL em 1º de outubro mostrou que beneficiários do Bolsa Família responderam por 85,18% do saldo líquido de empregos formais gerados no Brasil entre janeiro de 2023 e julho de 2026, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Foram aproximadamente 4,58 milhões de postos líquidos, de um total nacional de 5,38 milhões.
O indicador corresponde à diferença entre admissões e desligamentos, não à proporção de beneficiários empregados. Ainda assim, os dados mostram que a participação no Bolsa Família não impede, por si só, a entrada no mercado formal e que milhões de famílias conseguem deixar o programa após melhorar sua renda.
Os números não significam que todas essas famílias tenham superado definitivamente a pobreza. Mas colocam em questão a caracterização da assistência social como um mecanismo de dependência permanente.
Parte das propostas já existe no governo federal
Mais cedo, em entrevista à CBN Bahia, Daniella havia defendido um período de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio. A proposta foi apresentada como uma forma de evitar que as famílias percam imediatamente a assistência ao começar a trabalhar.
O Bolsa Família, entretanto, já possui uma regra de proteção que permite a continuidade temporária de parte do benefício após o aumento da renda familiar. O programa também prevê mecanismos de retorno para famílias que voltem a enfrentar dificuldades financeiras.
Desde julho de 2025, os prazos da regra de proteção variam conforme a situação da família. Quem já estava incluído no mecanismo antes da mudança pode permanecer por até 24 meses, enquanto as novas regras estabelecem períodos diferentes conforme a origem da renda.
A proposta de Daniella, portanto, precisa ser detalhada para que seja possível identificar o que efetivamente mudaria: quanto as famílias receberiam durante os dois anos, quais seriam os critérios de permanência e em que condições poderiam retornar ao programa.
Outra medida apresentada pela coordenadora econômica, a integração entre assistência social, qualificação profissional e acesso ao crédito, também encontra iniciativas semelhantes no governo federal.
Instituído pela Lei 14.995/2024, o programa Acredita no Primeiro Passo oferece instrumentos de qualificação, empreendedorismo, inclusão produtiva e microcrédito para pessoas inscritas no Cadastro Único. Em fevereiro de 2026, a Caixa também anunciou uma iniciativa de microcrédito voltada a esse público.
Daniella não detalhou quais seriam as diferenças de abrangência, financiamento ou funcionamento entre essas políticas e o Ministério da Prosperidade que pretende criar.
Flávio Bolsonaro chamou Bolsa Família de ‘esmola eterna’ em publicação nas redes sociais
Flávio Bolsonaro já chamou Bolsa Família de “esmola eterna”
A crítica de Daniella ao modelo de assistência social encontra um antecedente no discurso do próprio Flávio Bolsonaro. Em 11 de outubro de 2014, o então deputado estadual utilizou suas redes sociais para classificar o Bolsa Família como “esmola eterna”.
“Ao invés de emprego, esmola eterna”, escreveu Flávio em uma publicação acompanhada de uma tabela com o número de beneficiários do programa em diferentes estados brasileiros.
A postagem foi feita durante a campanha presidencial de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) disputava a reeleição. Flávio utilizou dados sobre a abrangência do Bolsa Família para criticar a política de transferência de renda do governo federal.
Doze anos depois, a coordenadora econômica de sua candidatura presidencial voltou a associar o modelo de assistência social à dependência do Estado. Embora Daniella tenha defendido a manutenção do programa, suas declarações recuperam a ideia de que a transferência de renda pode manter os beneficiários presos à assistência governamental.
Durante a entrevista, ela também acusou o governo Lula de reduzir o período de transição de beneficiários que conseguem emprego ou abrem um negócio para mantê-los vinculados ao programa.
“Porque querem que o cara fique lá”, afirmou. Em seguida, completou: “Aprisionado, né?”.
O Bolsa Família, entretanto, possui uma regra de proteção que permite às famílias continuar recebendo parte do benefício mesmo depois de um aumento de renda, desde que respeitados os critérios estabelecidos pelo programa. O mecanismo busca evitar que a conquista de um emprego provoque a perda imediata da assistência, especialmente quando a renda ainda não garante estabilidade financeira.
Exigências sanitárias também foram criticadas
Na mesma entrevista, Daniella criticou a burocracia enfrentada por pequenos empreendedores e utilizou como exemplo as exigências da Vigilância Sanitária para a abertura de salões de beleza.
Ao falar das dificuldades de formalização, a economista mencionou uma manicure que tenta abrir o próprio estabelecimento e precisa cumprir regras sanitárias.
“É a manicure que eu falei aqui que, para abrir um salão, fica lá na Vigilância Sanitária […] tem que esterilizar dez vezes o alicate, comprovar”, afirmou durante a entrevista.
A declaração foi feita em tom de crítica ao que Daniella considera excesso de exigências impostas pelo poder público. Ela também mencionou dificuldades para contratar funcionários, obter crédito e expandir pequenos negócios.
A esterilização de alicates e outros instrumentos utilizados em procedimentos de manicure, entretanto, é uma medida de prevenção sanitária. Instrumentos que podem entrar em contato com sangue precisam passar por procedimentos adequados de limpeza e esterilização para reduzir o risco de transmissão de infecções, como as hepatites B e C.
As exigências variam conforme a regulamentação sanitária aplicável. A fala de Daniella não esclarece quais normas pretende modificar nem apresenta uma proposta específica para flexibilizar os procedimentos de esterilização.
Ao relacionar exigências sanitárias e políticas de assistência social a obstáculos à autonomia econômica, a coordenadora de Flávio apresentou uma visão de governo baseada na redução da burocracia e no estímulo à iniciativa individual, mas não detalhou quais mecanismos de proteção seriam preservados ou alterados.
A proposta, de autoria de Mendonça, atingiria em cheio o Exército do Lula, canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones que já tem mais de 7 milhões de inscritos e tem conseguido mobilizar a esquerda nas redes.
A campanha de Flávio Bolsonaro já entrou com várias representações pedindo ao TSE a derrubada do canal de Janones, que já foi censurado por Kassio, mas voltou ao ar. O canal de apoio a Flávio no WhatsApp, o Tropa do Flávio, também seria atingido, mas ele tem 2 milhões de inscritos, bem menos que o de Lula, e engajamento menor.
Após a publicação da reportagem, o ministro Kássio afirmou à Folha não ser a favor de alterações de resoluções eleitorais de última hora, nas vésperas da eleição. Ele também se distanciou da minuta, afirmando que o autor do texto era Mendonça, mas que ele teria discutido o teor com os outros ministros da corte.
A interlocutores, Kassio negou que houvesse a proposta, mas a Folha obteve a minuta do texto.
“No período compreendido entre as 48 (quarenta e oito) horas antes e as 24 (vinte e quatro) horas depois da eleição, aplica-se o disposto no § 11 deste artigo aos canais de transmissão de conteúdo de natureza político-eleitoral com mais de 200.000 (duzentos mil) seguidores”, diz o texto. Isso equipararia os canais de WhatsApp ao uso de inteligência artificial em qualquer publicação, proibido dentro do mesmo período.
A ideia inicial era proibir apenas a criação de novos canais para impedir surgimento de focos de desinformação. Mas, no texto de Mendonça, ficaram proibidos todos os canais.
A resolução entraria em vigor no momento da publicação.
Outro tema defendido por Mendonça é bloquear totalmente o impulsionamento de publicações políticas. A proposta tem apoio de alguns ministros da corte, que apontam para a sucessão de falhas técnicas da Meta que atingiram as campanhas eleitorais. Mas parte dos ministros se opõe, porque a medida iria beneficiar de forma desproporcional um dos lados da disputa.
Perfis que fazem campanha para Flávio Bolsonaro, como o do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e de Pablo Maçal, têm 24,8 milhões e 14,3 milhões de seguidores, com alto engajamento orgânico. Sem perfis da mesma magnitude e sem poder impulsionar publicações, a campanha do presidente Lula sairia prejudicada, argumentam alguns ministros do TSE.
Disputa no TSE
O “Exército do Lula” entrou no centro de uma disputa no TSE depois do primeiro turno.
No dia 11, o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e mandou censurar o canal, que já tinha mais de 3 milhões de seguidores. A decisão passou por cima do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, relator da ação. Na véspera, Cueva havia cobrado da campanha do PL documentos que comprovassem a circulação de fake news no grupo, o que não constava do processo.
Horas depois, Cueva derrubou a censura e restabeleceu o canal até que o plenário analisasse o caso. Segundo ele, a campanha de Flávio não havia apresentado provas suficientes. No dia seguinte, a área técnica do TSE informou não ter localizado no canal os conteúdos citados na ação, mas apontou mensagens apagadas ou editadas, o que deixava lacunas na análise.
Lula acusou Kassio de ter lado na eleição, e ministros de uma ala do tribunal viram indícios de engajamento do presidente da corte na campanha do PL. Kassio negou a interlocutores agir em favor de qualquer candidatura.
Em 13 de outubro, com base no relatório técnico e em um dossiê da campanha de Flávio que contabilizava 499 mensagens apagadas, Kassio voltou a suspender o canal. Ele afirmou que Janones atuava em coordenação com a campanha petista e que, por isso, o canal deveria ser registrado na Justiça Eleitoral. A campanha de Lula fez o registro no mesmo dia, e Kassio disse a interlocutores que o canal estava liberado.
Com pesar a direção do SINTUFRJ e funcionários registram o falecimento do militante e colaborador da entidade, Renato Augusto de Oliveira Costa, aos 59 anos, ocorrido nesta quarta-feira, 21 de outubro. Renatinho, como era carinhosamente chamado pelos familiares, amigos e colegas de trabalho, era servidor do Museu Nacional. Técnico administrativos da UFRJ desde 2 de janeiro de 1989.
O presidente Lula afirmou nesta segunda-feira (19) que entregará nesta terça-feira (20) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, informações sobre seus sigilos bancário e telefônico e os de seus cinco filhos. O presidente desafiou o senador Flávio Bolsonaro, seu adversário na disputa presidencial, a fazer o mesmo com os dados dele, de sua família e de suas empresas.
“Estou mandando para o presidente do TSE, abrindo meu sigilo telefônico, meu sigilo bancário e da família e dos meus cinco filhos”, declarou Lula ao chegar a Porto Alegre (RS), onde participou de um ato de campanha.
“É preciso, de uma vez por todas, acabar com a história de chamar gente honesta de ladrão”, afirmou. Lula também cobrou que Flávio tenha “coragem para provar que é honesto”.
Desafio lançado durante debate
O presidente retomou o desafio feito durante o debate da Band, realizado no domingo (18), quando propôs que os dois candidatos apresentassem seus dados bancários e telefônicos à Justiça Eleitoral. Flávio ironizou a proposta, dizendo que Lula não usa celular, e afirmou que suas contas estão declaradas à Receita Federal.
Nesta segunda, Lula voltou a criticar o senador e comparou seus patrimônios. O presidente citou o apartamento que comprou em 1998 e questionou como Flávio adquiriu uma mansão em Brasília por cerca de R$ 10 milhões, à vista.
Daniella Marques defendeu substituir aposentados por sistemas de IA, em vez de realizar novos concursos; nesta segunda-feira, reagiu às críticas à proposta
Por Cleber Lourenço – ICL
A coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, defendeu a substituição gradual de servidores públicos por inteligência artificial, em vez da realização de novos concursos para repor profissionais aposentados. A proposta foi apresentada em entrevista ao podcast G4, em 30 de setembro, e voltou a repercutir nesta segunda-feira (19), quando a economista tentou justificar suas declarações durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan.
Na entrevista ao G4, Daniella sugeriu que vagas abertas com a aposentadoria de servidores deixassem de ser preenchidas por novos funcionários e fossem gradualmente substituídas por sistemas de inteligência artificial.
“E aí substitui e faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, questionou.
A proposta abre caminho para uma redução progressiva do funcionalismo público. Em vez de realizar concursos para repor parte dos trabalhadores que se aposentam, o governo poderia transferir suas atribuições para sistemas automatizados, diminuindo o número de servidores ao longo dos anos.
A economista não apresentou, na declaração, uma estimativa de quantos cargos poderiam ser substituídos, quais carreiras seriam afetadas ou como seria garantida a continuidade dos serviços prestados à população.
Daniella já havia defendido redução do funcionalismo em agosto
A entrevista de 30 de setembro não foi a primeira ocasião em que Daniella apresentou a possibilidade de substituir servidores públicos por inteligência artificial.
Em 6 de agosto, durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, a economista já havia questionado quantas carreiras administrativas poderiam ser substituídas por tecnologia nos próximos cinco ou dez anos. A ideia foi apresentada como uma forma de reduzir os custos da máquina pública.
Ainda em agosto, durante o 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, Daniella voltou ao assunto diante de empresários. Na ocasião, defendeu a revisão de carreiras administrativas e operacionais em razão dos avanços da inteligência artificial, relacionando a medida ao enxugamento da estrutura estatal.
No podcast G4, a economista avançou na explicação de como essa redução poderia ocorrer: por meio da substituição gradual dos servidores que se aposentassem, sem a realização de novos concursos para determinados postos.
A proposta provocou críticas de entidades representativas do funcionalismo. Em 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) publicou um texto sobre os riscos da substituição de servidores por inteligência artificial.
Após repercussão, coordenadora tenta justificar proposta
Nesta segunda-feira (19), durante nova participação no Pânico, Daniella reclamou das críticas que vem recebendo e afirmou que suas declarações estariam sendo distorcidas.
“Eles fazem vídeo me ridicularizando de que todas as carreiras, os servidores serão substituídos por inteligência artificial”, afirmou.
A explicação, entretanto, não esclareceu quais categorias poderiam deixar de ter vagas preenchidas por novos concursos públicos. Daniella também não apresentou critérios para determinar quais atividades seriam transferidas para sistemas de inteligência artificial.
A economista voltou a relacionar o tamanho da máquina pública aos custos do Estado e à remuneração dos funcionários.
“Quando é um inchaço, uma ineficiência, uma coisa perdulária, fica todo mundo ganhando mal”, afirmou.
Segundo ela, uma administração mais eficiente permitiria melhorar os salários de determinadas carreiras. Daniella também argumentou que o excesso de gastos públicos pressiona os impostos pagos pela população.
“O imposto cada vez mais alto, vai subindo imposto para pagar a conta”, declarou.
Proposta pode reduzir concursos e afetar serviços públicos
A ideia apresentada pela coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro não se limita ao uso da inteligência artificial para agilizar procedimentos administrativos. Ao defender a substituição de servidores aposentados por tecnologia, Daniella coloca em discussão a manutenção de determinados cargos públicos.
A diferença é significativa. A inteligência artificial pode auxiliar profissionais, automatizar tarefas repetitivas e acelerar atendimentos. Já deixar de repor servidores aposentados significa reduzir o quadro de funcionários, caso as vagas sejam extintas ou permaneçam desocupadas.
A medida poderia afetar diretamente as oportunidades de ingresso no serviço público e a capacidade de atendimento dos órgãos, dependendo das funções atingidas.
Também permanecem dúvidas sobre quem seria responsável por supervisionar decisões automatizadas, corrigir eventuais erros e atender cidadãos em situações que exigem análise individualizada.
A Constituição estabelece o concurso público como regra para o ingresso em cargos efetivos, mas não determina a reposição automática de todas as vagas abertas por aposentadoria.
Apesar de defender a preservação de algumas carreiras na entrevista desta segunda-feira, Daniella não abandonou expressamente a proposta de substituir parte do funcionalismo por inteligência artificial.
A campanha de Flávio Bolsonaro ainda não detalhou se pretende incorporar a medida a um eventual programa de governo, quais concursos seriam afetados ou quantos cargos públicos poderiam deixar de existir.
Apoiadores do presidente Lula voltaram às ruas neste domingo (18) em uma mobilização nacional pela democracia e pela reeleição do petista. A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, manifestações em diferentes regiões do país reúnem estudantes, artistas, movimentos sociais e lideranças políticas em uma demonstração de apoio ao presidente.
Com bandeiras do Brasil, camisetas vermelhas, cartazes e apresentações musicais, os participantes ocupam ruas, praças e avenidas de capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis e Maceió. Os atos também buscam ampliar o diálogo com eleitores indecisos e incentivar a participação daqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Exército de lula, símbolos nacionais, ruas
Rio de Janeiro: artistas se reúnem em Copacabana em grande ato pela democracia e reeleição de Lula
A Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi palco de uma grande mobilização artística e política em apoio à reeleição do presidenten Lula neste domingo (18). Convocado pelo cantor Caetano Veloso e pelo movimento 342 Artes, o Ato Musical pela Democracia reuniu artistas de diferentes gerações e estilos musicais, além de apoiadores do petista.
A concentração começou por volta das 14h, na altura do Posto 5, e as apresentações musicais tiveram início às 16h15, com a abertura do cantor e compositor Edu Krieger. Entre os artistas presentes no evento estão Caetano Veloso, Djavan, Simone, Marina Sena, Chico César, João Bosco, Frejat, Fernanda Abreu, Ivan Lins, Rubel, Duda Beat e Xamã.
A mobilização transformou a orla carioca em um espaço de manifestação política e cultural, unindo música e defesa da democracia na reta final da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).
A realização do evento musical em Copacabana também foi alvo de uma tentativa de impedimento judicial. O Partido Novo pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que barrasse a manifestação, sob a alegação de que apresentações de artistas poderiam configurar comícios disfarçados. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, no entanto, negou o pedido e permitiu a realização do ato. Os organizadores esclareceram que a iniciativa não integra a agenda oficial da campanha de Lula e que parte das despesas seria custeada com recursos próprios.
O ator Paulo Vieira, apresentador do evento, criticou uma tentativa feita na Justiça de barrar o ato. “Tentaram impedir que esse evento acontecesse, mas não conseguiram. A democracia é justamente isso, poder fazer arte, cantar, se manifestar”, disse Vieira. “Não é comício, não é showmício e não é ato de campanha.”
O público presente carrega camisetas e adesivos de Lula e bandeiras do presidente. Políticos, como o deputado eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) e o deputado Henrique Vieira (PSOL-RJ) estão no evento.
Rio de Janeiro: estudantes ocupam a Candelária e Chico Buarque defende a democracia
Também no Rio de Janeiro, estudantes, movimentos sociais e apoiadores do presidente se reuniram na região da Candelária, no Centro, durante a manhã deste domingo. Convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE), com apoio de partidos como PT e PDT, a manifestação destacou a defesa da educação pública, da juventude e da democracia. O público ocupou um trecho da Avenida Presidente Vargas, levando bandeiras, cartazes e palavras de ordem em apoio à reeleição de Lula.
Um dos momentos de maior destaque foi a participação do cantor e compositor Chico Buarque, recebido com entusiasmo pelos manifestantes. Diante do público, o artista fez uma defesa da democracia e ressaltou o protagonismo dos estudantes na mobilização política.
“stamos aqui contra a truculência e contra a subserviência. Viva os estudantes, viva a democracia e viva o presidente Lula”, declarou Chico Buarque, sendo saudado pelos participantes.
A capital fluminense também registrou mobilização na região do Viaduto de Madureira, na Zona Norte. Para a tarde, está previsto um grande ato musical no Posto 5 de Copacabana, convocado por Caetano Veloso e com a participação anunciada de artistas como Djavan, Simone, Frejat, Marina Sena e Chico César.
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Tentaram censurar Exército de Lula
O “Exército do Lula”, canal no WhatsApp criado por André Janones para postagens em apoio à Lula, foi alvo de uma disputa de liminares (decisões provisórias). O ministro do STF Kássio Nunes Marques havia determinado no dia 11, a suspensão total. A decisão foi derrubada pelo corregedor do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que recolocou a página no ar. No dia 13, caiu novamente. Voltou dia 14 e segue no ar angariando quase cinco milhões de pessoas..
Janones dá “missão mais importante” no canal de Lula: “Retomar símbolos”.
Janones convocou apoiadores para publicar fotos vestidos de verde e amarelo, e fazendo o L, com o intuito de “resgatar” símbolo nacional
O deputado federal André Janones (Rede-MG) convocou integrantes do canal “Exército do Lula” para uma mobilização nas redes sociais com o objetivo de “retomar” as cores verde e amarela, associadas aos apoiadores da direita. A proposta é que os participantes publiquem fotos usando as cores da bandeira brasileira e fazendo o “L”, em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (16/10), Janones classificou a iniciativa como a “missão mais difícil” do grupo até agora. Ele convocou os apoiadores para publicar as imagens neste sábado (17/10), às 9h em ponto, e pediu que ninguém faça as postagens antes ou depois do horário estabelecido.
“Não faça 9h01, não faça 8h59. É 9h da manhã. Vai ser um ato histórico, vai ser um ato lindo e, se a gente fizer sincronizado, vai ser notícia no país inteiro”, afirmou.
Segundo o parlamentar, os participantes deverão publicar fotos no feed ou nos stories do Instagram, usando camisas da Seleção Brasileira, roupas verdes e amarelas ou a própria bandeira nacional. Quem não tiver peças nessas cores também poderá pintar o rosto.
O Brasil deve voltar ao posto de oitava maior economia do mundo em 2027, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional.
O PIB brasileiro deve chegar a cerca de US$ 2,8 trilhões, superando Itália e Rússia no ranking das maiores economias em valores nominais. Em 2026, o país ainda aparece na décima posição.
A projeção ocorre após uma sequência de anos em que o FMI destacou a resiliência da economia brasileira, além dos efeitos de reformas estruturais, do consumo das famílias e de mudanças no cenário internacional.
Se confirmada, será a volta do Brasil ao grupo das oito maiores economias do planeta.
PEC foi aprovada no Senado na quarta por 75 votos contra 1
Após a promulgação, o presidente Lula comemorou a medida e criticou os grupos que atacaram a PEC alegando que ela iria quebrar o Brasil. “Eu lembro da campanha do 13º salário, no começo dos anos 1960, foi a mesma coisa: vai quebrar as empresas! Vai afundar as empresas! No mundo inteiro não tem isso. Não quebrou as empresas. O dado concreto é que toda vez que os trabalhadores conseguem um benefício, ele vive um pouco mais, ele tem um pouco mais de prazer na vida”, destacou.
Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 16/10/2026 – 10:39
Foto original de Lula Marques / Agência Brasil
O Congresso Nacional promulgou, nesta sexta-feira (16), a Emenda Constitucional nº 141 de 2026, que põe fim à escala de seis dias de trabalho e apenas um de descanso (6×1) e prevê a escala 5×2, com duas folgas por semana, para todos os trabalhadores do Brasil dentro de dois meses.
A nova Emenda foi promulgada em sessão solene com participação dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Ministros de estado, senadores e deputados da base aliada lotaram o plenário do Senado. Lideranças da oposição não compareceram à sessão.
O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, destacou que os impactos da medida “são incalculáveis”.
Alcolumbre acrescentou que foi preciso “muita coragem” para enfrentar um assunto que “tanta gente preferia deixar para depois”.
“Um assunto que divide opiniões, que afeta as relações de trabalho e mexe com a vida de milhões de famílias. Quando o tema é complexo, o mais cômodo é deixar para lá e não enfrentar. Mas o Legislativo brasileiro escolheu o caminho certo, não o caminho fácil”, completou o presidente do Senado.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o fim da 6×1 alcança milhões de brasileiros que “acordam antes do amanhecer, atravessam cidades inteiras e dedicam grande parte de seus dias ao trabalho”.
Motta acrescentou que os impactos da mudança para os micro e pequenos negócios serão mitigados pela aprovação do aumento do limite anual de faturamento dos MEIs dos atuais R$ 80 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028.
“O texto também permite a contratação de até dois funcionários por microempreendedor, garantindo assim que o MEI possa ter um funcionário a mais do que aquele que é permitido atualmente. Afinal, fortalecer o MEI é fortalecer milhões de famílias brasileiras”, completou Motta.
Após a promulgação, o presidente Lula comemorou a medida e criticou os grupos que atacaram a PEC alegando que ela iria quebrar o Brasil.
“Eu lembro da campanha do 13º salário, no começo dos anos 1960, foi a mesma coisa: vai quebrar as empresas! Vai afundar as empresas! No mundo inteiro não tem isso. Não quebrou as empresas. O dado concreto é que toda vez que os trabalhadores conseguem um benefício, ele vive um pouco mais, ele tem um pouco mais de prazer na vida”, destacou.
Entenda a nova emenda
A emenda aprovada na quarta-feira prevê também uma redução gradual da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais, sem redução salarial, dentro de um período de transição de 14 meses.
Nascida a partir de pressão das ruas e atendendo a uma demanda história dos trabalhadores e sindicatos, a proposta teve a tramitação concluída na última quarta-feira (14) no Senado, com 75 votos favoráveis contra 1, do ex-vice-presidente e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Apoiada pelo governo, a votação contou com apoio também da oposição, que era contra a PEC e tentava impedir a votação nesta semana. Após a sessão ter sido marcada, no entanto, a oposição liberou a bancada, que votou majoritariamente pelo fim da 6×1.
A nova regra institui a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Tudo isso sem redução salarial.
O texto permite, por outro lado, compensar o sábado ou domingo trabalhados no caso de categorias com jornadas especiais. O número de folgas remuneradas, no entanto, deve ser mantido em duas por semana, em média, gozadas obrigatoriamente no mesmo mês.
A PEC ainda permite jornadas diferenciadas para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebem, atualmente, igual ou acima de R$ 21.188,87, desde que mantida a escala 5×2. Nesses casos, a negociação direta entre patrão e trabalhador deve definir a duração do trabalho.
A proposta prevê que lei complementar posterior poderá estabelecer medidas transitórias de mitigação dos impactos da redução da jornada para os microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
Transição
A implementação da redução da jornada de 44 para 40 horas terá uma transição de até 14 meses. A exceção são os trabalhadores terceirizados da administração pública, que terão uma regra de transição diferenciada.
Para todos os demais trabalhadores, as empresas terão que garantir a escala 5×2 em até 60 dias, contados a partir de hoje, assim como a redução da jornada para 42 horas semanais.
Doze meses após essa primeira redução, a jornada cai para 40 horas.
No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço.
Se repartidas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana.
Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em cinco dias na semana. Para trabalhar mais horas, é necessário pagamento de hora-extra.
Veja as regras de transição da PEC que acaba com a escala 6×1:
escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);
redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias)
jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2 (em 14 meses).
Acordos coletivos
A Emenda Constitucional permite ainda, excepcionalmente, e mediante convenção ou acordo coletivo de trabalho, que seja estabelecido regime compensatório que permita escala diferente da 5×2.
Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”, garantindo “o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.
Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6×1, desde que prevista em acordo coletivo. Nesse caso, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês. Ao final desse mês, ele terá que ter gozado, na média, o equivalente a duas folgas remuneradas por semana.
Em outro parágrafo, a Emenda permite que uma lei posterior pode prever regimes diferentes para duração do trabalho e dias de repouso, desde que respeitados os limites de 40 horas semanais e dois dias de repouso remunerado por semana.
Terceirizados do Estado
As empresas que prestam serviços para o Estado terão prazo de 12 meses após promulgação da emenda, e não 60 dias como as demais, para acabar com a escala 6×1 dos empregados.
A nova jornada passará a valer no momento da formalização do aditamento do contrato das empresas com o Poder Público. Porém, os contratos aditados após 60 dias da promulgação da emenda já terão que observar a nova jornada de trabalho instituída pela PEC.
Matéria ampliada às 10h48 e às 11h15
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