Doações podem ser entregues na assembleia do dia 4

O Sintufrj está recolhendo doações em apoio aos moradores afetados pelas fortes chuvas na Zona da Mata em Minas Gerais. As doações podem ser entregues na sede da entidade (na Praça Jorge Machado Moreira, S/N , no Fundão) e nas subsedes do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (no Hall dos Elevadores no subsolo) e na Praia Vermelha (Av. Pasteur, 250, Fundos, próximo ao IPUB).

“É preciso destacar a importância das doações para ajuda aos atingidos. Tanto que se mobilizaram companheiros de Macaé, Juiz de Fora, Baixada, em diversas campanhas para que toda categoria possa ajudar. Estaremos recebendo doações também na assembleia (dia 4), para aqueles que preferirem levar para lá”, informou o coordenador geral Francisco de Assis. Segundo ele, a proposta já levar uma boa quantidade já na próxima semana, embora a campanha prossiga ao longo do mês.

A sugestão é que as doações se concentrem preferencialmente em caixas leite e material de limpeza, mas também são necessários itens como água mineral, roupas íntimas, roupas de cama e toalhas de banho.

Prefeitura da UFRJ também na campanha

A Prefeitura Universitária, com apoio do Gabinete da Reitoria, se soma aos esforços da rede de ajuda aos moradores das áreas atingidas, convocando a todos para contribuir com a doação de: agua mineral; alimentos não perecíveis; roupas e calçados limpos e em bom estado; Itens de higiene pessoal e de limpeza.

A Prefeitura também chama atenção para a necessidade de ajuda aos animais, que também sofrem com a situação, sugerindo a doação de ração para cães e gatos.

As doações podem ser feitas em dias úteis, das 9h às 16h, na sede da Prefeitura (Praça Jorge Machado Moreira, 100, na Cidade Universitária,) e na Subprefeitura da Praia Vermelha (Avenida Venceslau Brás, 71, Fundos). Para maiores informações: (21) 3938-0346 e (21)99855-3767 ou pelo e-mail da Prefeitura: comunicacao@pu.ufrj.br

Entre as bandeiras de luta da CUT para esse 8 de Março está também o fim da escala 6×1, a reafirmação da soberania dos povos e de uma maior representação política feminina

Mais um ano e as mulheres em sua luta diária estarão novamente nas ruas neste 8 de Março de 2026 em defesa da vida e de direitos. É mais  um movimento para o combate à violência à mulher que alcança números alarmantes. O Brasil fechou 2025 com cerca de 1.470 feminicídios – média de quatro mulheres assassinadas por dia.

No Rio de Janeiro haverá ato unificado em Copacabana. O local tem sido palco para denúncia e reafirmação das lutas populares das mulheres reunindo asfalto, campo, floresta e periferia.

A concentração será a partir das 10h, na altura do Posto 3, e promete ser um brado forte pela vida das mulheres e crianças e rejaço total ao feminicídio. A defesa do aborto legal e abaixo ao governador Cláudio Castro seguem também como mote.

Segundo a CUT, com índices de feminicídios crescentes, não basta apenas o poder público ter iniciativas, elaborar políticas públicas e planos de ação. É crucial que a própria sociedade assuma a corresponsabilidade no combate a esse tipo de violência: o parente próximo, o amigo, o vizinho, todos quem presenciam ou desconfiam de abusos tem de agir para que os agressores sejam punidos.

São números muito preocupantes. Mais de 1 milhão de novos processos de violência doméstica ingressaram no Judiciário. A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher aponta que 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar no último ano. Em 71% dos casos havia crianças presentes. A casa segue como o principal local da violência.

 

Pelo Direito à Vida e Combate ao Feminicídio

O primeiro eixo de mobilização da CUT neste março é direto: defender a vida das mulheres. A central denuncia que 2025 foi o ano mais letal desde que o feminicídio foi tipificado, em 2015. Destaca também que a impunidade e a desigualdade econômica dificultam o enfrentamento da violência e que o assédio moral e sexual no trabalho empurra muitas mulheres para o adoecimento ou para o desemprego.

Fim da Escala 6×1 e Justiça no Mundo do Trabalho

A luta pelo fim da escala 6×1 ganha centralidade neste 8 de Março e no Mês Internacional da Mulher. Para elas, o impacto da jornada exaustiva é ampliado pela dupla ou tripla jornada. Enquanto homens dedicam em média 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico, mulheres dedicam 21,3 horas. Entre mulheres pretas e pardas, a carga é ainda maior.

Então, reduzir a jornada sem redução salarial significa garantir tempo para descanso, estudo, convivência e participação política, direitos historicamente negados às mulheres.

Soberania dos povos

Quando a soberania é atacada e a democracia enfraquece, os impactos não são iguais para todos. Eles atingem primeiro e com mais força quem já ocupa posições mais vulneráveis na estrutura social e, historicamente, as mulheres estão nesse lugar.

Em cenários de crise democrática, políticas públicas de proteção social são enfraquecidas, direitos são relativizados e agendas conservadoras ganham espaço. Como as mulheres dependem mais dos serviços públicos e também carregam maior responsabilidade pelo cuidado de crianças, idosos e familiares, qualquer corte ou desmonte do Estado amplia sua sobrecarga física, mental e econômica.

Além disso, mulheres estão mais presentes em empregos precarizados e informais. Em crises, são as primeiras a perder renda ou ter seus direitos reduzidos. E em contextos autoritários, há maior controle sobre seus corpos, maior perseguição a lideranças femininas e enfraquecimento das políticas de enfrentamento à violência.

 Mais Mulheres na Política

Outro dos eixos da CUT é a ampliação da representação feminina nos espaços de poder. Embora as mulheres sejam 52% do eleitorado brasileiro, ocupam cerca de 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados e menos de 20% no Senado. O país aparece na 133ª posição no ranking global de representação parlamentar feminina.

Para a CUT, não basta aumentar numericamente a presença de mulheres: é fundamental fortalecer a eleição de mulheres comprometidas com pautas progressistas, com a defesa da autonomia, da igualdade e da proteção social.

Março: mês de visibilidade

Ao longo do mês de Março, o Portal da CUT e as redes sociais da CUT  vão apresentar diversos conteúdos formativos e informativos sobre o universo da mulher. Direitos, personalidades que são referência, serviços e vários outros temas farão parte da mobilização.

Os conteúdos apontam para o caminho de que a violência contra a mulher não é um problema privado. É social, é estrutural e é coletivo e só será superado quando cada pessoa compreender que o silêncio também alimenta esse sistema.

 

Com Portal da CUT

Entre os pontos destacados na mais recente reunião da Fasubra com a Secretaria Executiva do Ministério da Educação, dia 25, para iniciar a discussão sobre a pauta da greve nacional iniciada esta semana, os diversos itens não cumpridos do acordo de greve de 2024, um dos pontos destacados foi a regulamentação da jornada de 30 horas.

O encaminhamento sobre as 30 horas foi o de uma regulamentação construída no âmbito do Ministério da Educação, com início dos trabalhos já nesta semana.

Na reunião, a Direção Nacional da Fasubra reafirmou toda a argumentação que já havia sido colocada para o Ministério de Gestão e inovação (MGI) e para o próprio MEC.

Explicou que, no Projeto de Lei encaminhado pelo governo ao Congresso, o MGI acrescentou que o público (para efeito de concessão da jornada) seria somente o externo e que isso prejudica a categoria dos TAE, principalmente nas instituições nas quais as 30 horas são para todos, como é o caso de UFJF e o IFSUL.

O Secretário contra-argumentou que para o MEC o entendimento é que o público externo, contido na última nota técnica do MGI, amplia os setores que poderão realizar as 30 horas, pois em torno de 80%, já realizam atendimento ao público externo. A Fasubra colocou que não tinha o mesmo entendimento.

Ao final das argumentações, foi acertado que o MEC irá agendar reunião específica, na próxima quarta-feira, às 14h, para apresentar uma possível proposta de normatização para as Instituições Federais de Ensino via MEC.

Luta histórica

A redução da jornada é uma das principais reivindicações da categoria. Segundo a Fasubra a medida implica não só na melhora as condições de trabalho, promovendo equilíbrio entre vida profissional e pessoal, como favorece um serviço público mais eficiente e humanizado.

A Federação apresenta uma série de justificativas para a implementação dessa jornada. De acordo com o documento, as Instituições Federais de Ensino possuem alta demanda de serviços, o que exige flexibilidade na jornada dos servidores para garantir um atendimento contínuo e de qualidade.

Isso acontece em diversas universidades e institutos federais por meio de resoluções e portarias internas. A UFRJ, por exemplo, adota a jornada de 30 horas para a enfermagem desde a publicação da Portaria UFRJ nº 9871/2011, pelo reitor, na época, Carlos Levi. A portaria estabelece jornada diária de seus horas e máxima de 30 horas semanais para enfermeiros, técnicos e auxiliares nas unidades de saúde que funcionam ininterruptamente.

Isso, segundo a Federação, demonstra a viabilidade da medida sem prejuízo ao serviço público.  Além disso, a Fasubra apresenta todo respaldo legal inerente a flexibilização da jornada: por exemplo, o decreto nº 1.590/1995 permite a adoção das 30 horas em setores que exigem atendimento contínuo e decisões judiciais recentes reconhecem a competência das instituições para regulamentar o horário de trabalho dos seus servidores.

Por isso a importância da mobilização da categoria, para pressionar pela regulamentação definitiva.

Em documento de 2025, a direção da FASUBRA-Sindical informa que realizou consultas à sua base e compilou portarias, resoluções e notas técnicas emitidas pelos conselhos superiores de 64 IFE que implementaram a flexibilização conforme estabelecido pelo decreto. A ampla adoção dessa jornada evidencia que sua aplicação é plenamente viável em diferentes cenários institucionais como sustenta a federação:

“A partir desse precedente, pode-se sustentar que a implementação da jornada de 30 horas conforme previsto no Termo de Acordo é factível.  A legislação que trata sobre a regulamentação da jornada de trabalho é bastante precisa ao direcionar o papel que o Gestor Público deve desempenhar ao atender aos princípios da legalidade, eficiência e autonomia insculpidos nos artigos 37 e 207 da Constituição Federal”, diz o texto.

Redução de jornada no Congresso

Em meio a fortes mobilizações e apelo popular, bem em ano eleitoral, a proposta do fim da escala 6×1 (trabalho em seis dias na semana e apenas um de descanso) já está em tramitação na Câmara dos Deputados como prioridade em 2026.

Segundo lideranças parlamentares pode ser votado em maio, depois de passar por comissões como a de Constituição e Justiça. Mas, claro, não sem resistência da direita e da extrema direita, que vão tentar emperrar a proposta, porque segundo representantes dos empresários vai aumentar custos.

A Constituição Federal estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Entre as propostas está a redução para 36 horas semanais e dois dias consecutivos de folga.

Segundo a Agência Brasil, pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário. A ampla maioria – 62% dos consultados – sabe que há em debate, no âmbito do governo federal e do Congresso Nacional, a proposta de acabar com a escala 6×1.

O convidado do Grupo Antirracista do Sintufrj deste mês foi o professor e pesquisador da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Eduardo Miranda. Ele centra suas pesquisas nas relações étnico-raciais. O GT tem cada vez mais aprofundado os temas e reflexões acerca do universo do povo preto, suas idiossincrasias, contradições, dificuldades, desafios e lutas, além de descortinar o racismo e o preconceito racial no Brasil.

Miranda, pesquisador em raça, gênero e sexualidade e doutor em Educação e pós doutor em Filosofia, é  autor dos livros “Corpo-Território e Educação Deocolonial “e “Decolonialidade Afro-Brasileira – A Educação para a Diferença”. Ele levou para a reunião híbrida  do GT de 25 de fevereiro suas ideias e pensamentos apresentando o conteúdo de seus livros e travou também um diálogo produtivo sobre o trabalho corajoso para formação que o GT está desenvolvendo.

A decolonialidade é um termo que emerge da necessidade de ir além da ideia de que a colonização foi evento acabado, pois seus estudiosos entendem que este foi um processo que teve continuidade, mesmo tendo adquirido outras formas. Assim, veem a necessidade de ampliar categorias e conceitos adequado à América Latina e entendem que a decolonialidade é uma luta contínua contra as colonialidades impostas aos grupos subalternos.

“Decolonialidade Afro-Brasileira – A Educação para a Diferença”, de Eduardo Miranda, por exemplo, é um livro-ritual lançado recentemente, resultado de pesquisas realizadas no Grupo de Pesquisa Corpo-Território, Educação e Decolonialidade (CNPq/Uefs).

Seu livro está respaldado na Lei 10.639/03, que obriga todas as escolas públicas e privadas e inserir em seu currículo discussões de historia e cultura africana e afrobrasileira. Depois, essa lei foi ampliada para Lei 11.645/08, incluindo a discussão da história e cultura indígenas.

Abordagem original

Para Miranda, o livro marca um momento histórico na produção acadêmica brasileira ao reivindicar um novo eixo de pensamento decolonial forjado no corpo, no axé e nos saberes oriundos dos territórios afrodiaspóricos do Brasil.

Entre as inovações teóricas do livro, estão conceitos como Epistemologias dos Odus, Giro de Iansã, Corpo-Território Decolonial, Abebê das Insurgências e Solidariedade Epistêmica. Essa rica teoria foi apresentada ao GT.

O pesquisador procurou simplificar seu pensamento informando que a decolonialidade está nas ruas, nas casas de terreiro, nos movimentos negros, indígenas, nas reuniões de grupos LGBTQIA+, em reuniões como a do GT Antirracista e ao final explicou:

“Eu busco a religião do colonizador, eu busco o embranquecimento do colonizado. E tendo consciência disso tudo eu raciocino que essa é a verdade de quem me colonizou. É a minha verdade ancestral? É a minha verdade de corpo? Pergunto. É aí que a gente tem que buscar a decolonialidade.

Vou dar um exemplo. Eu já fui uma pessoa intolerante religiosa. Por que fui ensinado dentro do meu núcleo familiar e dos meus pares que eu tinha que ter raiva, perseguir tudo o que fosse de religião de matriz africana, porque era um colonizado.

Quando tive acesso a determinados espaços de militância do povo, de militância de base é que eu fui entender que eu não podia perseguir aquilo que faz parte do que eu sou, mas não queriam que eu descobrisse. Então eu estou me decolonizando.”

Após a apresentação de Miranda, os integrantes do GT tiraram dúvidas e trocaram ideias. Como de praxe foi sorteado dois livros de autores negros, “O avesso da pele” e “De onde eles vêm”, de Jefferson Tenório, escritor, professor e pesquisador cujas obras abordam temas como pobreza, discriminação racial e desigualdade de classes no Brasil. Os sortudos foram o próprio Eduardo Miranda e Selene Vaz, coordenadora de Aposentados e Pensionistas do Sintufrj. FOTO: RENAN SILVA

ESCRITOR CONVIDADO DO GT ANTIRRACISTA expõe sua tese sobre a “continuidade” do evento colonização num rico debate que envolve raça e outros aspectos da formação ancestral do povo brasileiro (FOTOS: RENAN SILVA)

 

 

 

 

Assembleia Geral simultânea dia 4
4 de março, quarta-feira, às 10h

FUNDÃO

Hall da Reitoria (Parte externa do prédio antigo)

PRAIA VERMELHA

Auditório do INDC Austregésilo de Athayde (no térreo do INDC, próximo aos elevadores)

POLO MACAÉ

Auditório do Bloco B do Centro Multidisciplinar Macaé

Pauta:
⁃ Negociação com o governo
– Indicativo de greve

 

CHAMADA PARA ASSEMBLEIA DE 4 DE MARÇO

Dirigentes do Sintufrj (Sharon Stèfani, Francisco de Assis e Esteban Crescente) fazem convocação especial para a superassembleia de 4 DE MARÇO. Em debate, decisão sobre os rumos do movimento.

Assembleia necessária e imperdível.
Sua participação é fundamental.

 

 

Na segunda sessão ordinária do Conselho Universitário deste ano, no dia 26 de fevereiro, os conselheiros comemoraram a retomada do espaço original de realização das reuniões do colegiado máximo da UFRJ, no salão do segundo andar da antiga Reitoria, no edifício Jorge Machado Moreira (JMM).

 

À esquerda, primeira votação. Ao lado: secretário do Consuni há 29 anos, Ivan comemora volta à tradicional sala de sessões

Palco de lutas históricas e momentos decisivos da vida universitária, a retomada como local das sessões não poderia prescindir de mobilização: os técnicos-administrativos anunciaram o indicativo de greve da Fasubra em busca do cumprimento integral do acordo de greve de 2024; os estudantes realizaram um protesto contra cortes nas bolsas de monitoria que vão prejudicar severamente muitos deles (veja box a seguir).

Não prescindiu de mobilização mas também de emoção, como apontou o reitor Roberto Medronho ao abrir a sessão, retornando “à casa onde há muitos anos o conselho se reunia e feliz por voltar a se reunir daqui para frente”  e apontando a emoção do secretário do colegiado Ivan Hidalgo.

“Senti emoção porque trabalhei 50 anos lá”, contou Ivan, que completa, em 2 de junho, 55 anos de UFRJ. Quando chegou à universidade, em 1971, o Conselho já funcionava naquela sala desde 1969 (antes a Reitoria era na Praia Vermelha). Entrou como substituto de outro secretário, Ivan Rodrigues, que se aposentou em 1977, quando ele passou a ser o secretário (há 29 anos, portanto).

História

O espaço revitalizado já havia sido utilizado em dezembro, na última Plenária de Decanos e Diretores de 2025, como uma espécie de teste. Mas ficou sem sediar o Consuni por quase seis anos.

Em 2020 as reuniões presenciais que se realizavam na tradicional sala desde o fim da década de 1960, tornaram-se remotas em função da pandemia. Só foram retomadas de forma presencial em maio de 2022, porém em outros auditórios, como o do Parque Tecnológico e, depois, o da Escola de Química.

Assim como o Consuni, setores da Administração Central também deixaram o JMM, alvo de incêndios (em 2016 e 2021) e deterioração da infraestrutura por dificuldades orçamentárias. A transferência da Reitoria para o Parque Tecnológico, foi marcada por uma solenidade em abril de 2023.

O estudante Henderson Ramon, representante do DCE, também comemorou a volta do Consuni ao JMM. Mas lembrou que o prédio tem luta histórica para se manter de pé e funcionando. “Ter essa sessão acontecendo aqui também chama a atenção para as dificuldades orçamentárias que a Universidade vive e que aparecem (quando estamos) andando pelos corredores”, lamentou, informando que o prédio está sem água no trecho onde ficam as salas de aula.

Reivindicações no Consuni

 

André Saldanha, em nome dos técnicos administrativos, informou sobre a greve pelo não cumprimento do acordo de greve estabelecido em 2024, e que no dia 2 de março o Comando Nacional de Greve será instituído pela Fasubra em Brasília. Explicou que, entre os pontos que não foram respeitados pelo governo é sobre o Reconhecimento de Saberes e Competências, RSC, cuja regulamentação deveria ser tal qual foi definido na Comissão Nacional de Supervisão de Carreira, abrangendo toda categoria, representando uma evolução na Carreira, mas cujo texto acabou desfigurado no projeto de lei apresentado pelo governo, aprovado às pressas na Câmara e enviado ao Senado.

“Não é o único ponto que foi desrespeitado pelo governo. A gente tem a (questão da) regulamentação das 30 horas de trabalho, a racionalização dos cargos, que também não vem sendo discutido como deveria, e a aceleração para aposentados e pensionistas. Nós esperamos que, principalmente num ano tão estratégico, a gente tenha uma greve curta e que ela renda o cumprimento do acordo que foi assinado em 2024”, disse o conselheiro TAE.

Homenagem

Salviano lembrou ainda “uma grande figura” da história cultural carioca: Nelson Rodrigues Filho, que faleceu dia 25 os 79 anos. Produtor cultural e escritor, fundou o bloco Barbas. “Nelson lutou contra a ditadura. Foi preso e torturado. Como seu pai, Nelson Rodrigues, tinha muito conhecimento, conseguiu, na época, que o filho fosse solto, mas ele disse que só sairia dali com os outros. E com isso ele ficou sete anos preso. Nelsinho também teve o bar do Barbas, que era um grande ponto de encontro cultural, frequentado por Chico Buarque, Paulinho da Viola, Martinho da Vila, enfim, grandes figuras da nossa cultura, e assim que o bar terminou, fundou o bloco do Barbas, que acabou de fazer 40 anos. Então, ele deixa um legado para a cultura carioca e eu queria fazer essa a menção aqui dessa grande figura”, contou o servidor que toca na bateria do bloco.

Madeira e a questão ambiental

 

O Conselheiro Milton Maceira parabenizou o ingresso de alunos do interior, estudantes negros, de periferia, “pela luta de resistência e que procuram a Universidade Pública para interagir no processo de transformação de si próprio e da sociedade”.

Madeira chamou atenção também para a questão ambiental: “Estamos com várias ilhas de lixo plástico no Oceano Índico, no Atlântico, e estamos convivendo isso numa normalidade muito estranha. A gente está à beira de uma mudança climática severa, os glaciares se desfazendo e nós continuamos vivendo a nossa vida cotidiana sem dar atenção devida a essas questões. Eu acho que a gente precisa retomar essa discussão na sociedade para que a gente entenda que, apesar do afastamento humano da natureza, a gente não tem nenhum outro planeta. As Big Techs que vendem a ilusão de que a inteligência artificial vai salvar o planeta, amparadas da ótica do capitalismo. O campo magnético do planeta tem mudado também e se tem falado um pouco sobre isso. A tecnologia será destruída muito rapidamente se o planeta passar por esse processo. Então não terá inteligência artificial, não terá nada disso. Nós estamos vivos nesse planeta, a gente tem que lutar por ele”.

Corte de bolsas não é a resposta

A conselheira Arthura Annastásiya (na foto, à direita) criticou os cortes nas bolsas de monitoria que susta a possibilidade de muitos estudantes seguirem seu curso. Apesar de entender a origem da redução do orçamento. Ele apontou também o baixo valor das bolsas (R$700): “Precisamos de mais para sobreviver”. E concluiu: “Cortar assistência como forma de repassar o corte para a frente não é a melhor maneira”.

Isadora Pereira (ao lado de Henderson Ranon, na foto seguinte) cobrou o fato de que decisões como o corte de bolsas não passem por amplo debate com a comunidade acadêmica e entidades estudantis. “Nós sabemos que é pouco (o recurso), inclusive, somos sempre os primeiros a lutar contra isso, porque é claro que é difícil administrar o recurso escasso. Mas a partir disso, como que vai ser destinado, como que vai ser distribuído, é o que a gente precisa ter mais transparente, mais participação.

Mais de 200 bolsas cortadas

Renan Gabriel lembrou que as bolsas não são só um instrumento de permanência: “É um projeto muito importante e o primeiro passo para estudantes que querem ser docentes, por exemplo. A gente teve uma redução de 16% do programa de monitoria dessa universidade, o que é muito sério. Foram mais de 200 bolsas, cortadas de um ano para o outro”.

Segundo ele, há unidades como o Instituto de Matemática que perderam quase 30 bolsas. “A minha unidade perdeu 10, é um dos maiores programas de monitoria de unidade da Faculdade Nacional de Direito e eu sei como é importante esse instrumento para que a gente consiga ter excelência acadêmica nessa universidade. A gente entende o cenário, estrangulamento orçamentário, mas cortar de um programa tão importante e essencial dentro da UFRJ definitivamente não é a resposta”, concluiu o rapaz.

A Reitoria explicou que a origem do redimensionamento das bolas foi de fato a questão dos cortes orçamentários e que a luta coletiva, não só dos estudantes, para aumentar o orçamento da Universidade. O reitor informou que depois da sessão se reuniria com os estudantes para discutir a respeito.

Palco de luta e resistência

  

Acima, em 2019: na sessão lotada de estudantes e trabalhadores, o conselho rejeitou, por unanimidade o Future-se, a proposta do governo bolsonaro que acabava com o caráter público das universidades federais.

Abaixo, em 1998: lideranças sindicais, estudantis e da sociedade civil se manifestam contra a intervenção na UFRJ.