A Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC) se reuniu dias 10 e 11 no Ministério da Educação (MEC) para concluir decretos que tratam da regulamentação das descrições dos Cargos, do Desenvolvimento na Carreira e do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).

Segundo a Fasubra, a reunião tratou da finalização das propostas de revisão normativa, de acordo com a Carreira dos técnicos-administrativos em educação, atendendo parcialmente à Cláusula 13 do Termo de Acordo nº 11/2024, que trata sobre os temas da pauta, firmado com o governo federal.

“Os representantes discutiram aspectos técnicos e jurídicos das mudanças, com o objetivo de consolidar um novo marco regulatório que valorize a qualificação, a experiência e o desempenho dos trabalhadores técnico-administrativos das instituições públicas de ensino superior”, informou a federação..

A delegação da Fasubra foi composta por Cristina del Papa, Marcelo Rosa, Vânia Gonçalves, Agnaldo Fernandes, Ronaldo Bastos, Rolando Malvasio e Fátima dos Reis. Participaram também os assessores Fernando Bandeira e Aida Maia.

A expectativa era que, ao final do encontro os textos dos decretos estivessem prontos para seguir os trâmites administrativos necessários à publicação, marcando, segundo a Fasubra, avanço significativo na valorização e no fortalecimento da carreira dos TAE.

Na mesa do MGI, Fasubra cobra posição sobre reforma administrativa

e decreto das aposentadorias

No dia nacional de paralisação, 12 de junho, a Fasubra participou da reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em Brasília. A federação foi representada pela coordenadora-geral Cristina del Papa.

O secretário de Relações de Trabalho, José Lopez Feijóo, informou que o principal tema da mesa seria a reforma administrativa. Segundo ele, será convocada uma reunião extraordinária com as entidades representativas dos trabalhadores na segunda quinzena de julho para debater as demandas da bancada sindical, apresentadas desde 2024, e o texto em construção com as centrais sindicais sobre a Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do direito à negociação coletiva no serviço público.

Segundo a Fasubra, Feijóo reiterou que o governo federal é contra a reforma administrativa e orientou os representantes das trabalhadoras e dos trabalhadores a não confiarem em informações veiculadas pela grande mídia. E propôs a construção conjunta de estratégias para barrar o avanço da reforma.

Centralização de aposentadoria e pensões

Cristina del Papa manifestou preocupação com o Decreto 10.620/21, que determina a centralização das aposentadorias e pensões do serviço público federal no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O decreto nº 10.620/21 trata da reestruturação da gestão de aposentadorias e pensões no âmbito do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores federais.  O decreto prevê um cronograma para transferência para novo órgão, suspenso temporariamente por outro Decreto, o de nº 11.756/2023, que tem prazo final em 31 de dezembro.

A coordenadora lembrou que o governo já prorrogou a vigência deste decreto duas vezes, mas restam apenas seis meses até o prazo final, o que pode acarretar problemas para a categoria caso a suspensão não ocorra novamente. Ela ainda cobrou transparência quanto a qualquer proposta de criação de unidade gestora (o decreto prevê estrutura para a futura implementação do órgão gestor único), solicitando que qualquer minuta de texto seja imediatamente compartilhada com a bancada sindical.

Ato no MGI

Dia 12, foi dia nacional de paralisação da Fasubra. Houve mobilizações de diversas representações da classe trabalhadora, que realizaram atos e discursos em frente ao prédio do MGI, reforçando a resistência à reforma administrativa e exigindo respeito às pautas históricas dos servidores públicos.

Fotos: Arquivo Fasubra

Decisão representa vitória para servidores e confirma a tese defendida pelas entidades sindicais assessoradas pelo Cassel Ruzzarin Advogados

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou, na quinta-feira (11/06/2025), o Tema Repetitivo 1233, fixando tese favorável aos servidores públicos federais e reconhecendo que o abono de permanência integra a base de cálculo do adicional de férias (terço constitucional) e da gratificação natalina (13º salário).

A tese firmada pela Primeira Seção do STJ, por unanimidade, foi a seguinte:

“O abono de permanência, dada sua natureza remuneratória e permanente, integra a base de incidência das verbas calculadas sobre a remuneração do servidor público, tais como o adicional de férias e a gratificação natalina (13º salário).”

A decisão confirma o entendimento há muito defendido pelas entidades sindicais assessoradas pelo escritório Cassel Ruzzarin Advogados, que atuaram como intervenientes interessados no processo.

 

Repercussões

Ponto relevante é que o entendimento do STJ abre discussão que não se limita apenas ao terço de férias e à gratificação natalina. Seguindo a linha do que foi decidido, diante do caráter remuneratório e permanente do abono,  todas as parcelas que tenham como base de cálculo a remuneração do servidor devem incluir o abono de permanência.

Isso abre espaço para revisão de outras rubricas salariais, inclusive em carreiras estaduais e municipais, onde a Administração Pública possa estar desconsiderando indevidamente o abono para efeitos de cálculo.

Essa definição jurisprudencial poderá fundamentar novas atuações para corrigir distorções que ainda persistem em todas as esferas do funcionalismo.

Atuação das entidades

Durante a tramitação do tema no STJ, as entidades sindicais demonstraram que o abono de permanência é uma verba de caráter remuneratório, paga aos servidores que, mesmo tendo preenchido os requisitos para aposentadoria, optam por permanecer em atividade.

Por possuir esse caráter permanente — embora cessado com a aposentadoria —, deve compor a base de cálculo de todas as vantagens calculadas sobre a remuneração, incluindo o terço constitucional de férias e o 13º salário, como já prevê a própria Lei nº 8.112/90.

O julgamento põe fim à controvérsia jurídica existente e garante aos servidores o direito de ver o abono de permanência considerado no cálculo dessas verbas, corrigindo injustiças praticadas pela Administração Pública que, em muitos casos, excluía indevidamente o valor dessas bases de cálculo.

 

Ação Coletiva do Sintufrj

Sobre a matéria tratada no Tema 1233, o Sintufrj possui ação coletiva na qual obteve sentença favorável. Conforme o sindicato já noticiou, recentemente o TRF da 2ª Região negou provimento ao recurso da UFRJ, confirmando a sentença. Contra essa decisão, porém, a UFRJ interpôs novo recurso, que aguarda juízo de admissibilidade no TRF2.

Agora, com o julgamento do Tema 1233, a assessoria jurídica irá se manifestar pedindo ao TRF2 que negue seguimento ao recurso, considerando que a decisão está em conformidade com o entendimento do STJ proferido em recurso repetitivo, visando acelerar o trânsito em julgado da decisão, para possibilitar a cobrança dos valores retroativos.

Coordenação de Aposentados do Sintufrj entregam ao superintendente da PR-4 documento acerca do tema

As coordenadoras de Aposentados e Pensionistas do Sintufrj Ana Célia e Marly Rodrigues entregaram ao superintendente da Pró-Reitoria de Pessoal, Rafael Pereira, um pedido urgente de reunião com a participação da coordenação e do setor jurídico da entidade para tratar do processo de aceleração por capacitação e reposicionamento dos aposentados.
Cercada de aposentados, coordenadores e colaboradores do Sintufrj, Ana Célia solicitou atenção do superintendente para o assunto e reiterou o pedido de urgência no agendamento da reunião. Mostrando o grupo de aposentados presentes, Marly lembrou que para eles, a solução da questão é muito importante.

O superintendente assinou o recebimento do documento do Sintufrj e se comprometeu a agendar a reunião o mais rápido possível.

ANA CÉLIA ENTREGA DOCUMENTO sobre capacitação ao superintendente Rafael Pereira

Além das pautas nacionais, Sintufrj se manifesta por demandas locais, como a segurança dos trabalhadores do IPPMG e por direitos dos aposentados.

Nesta quinta-feira, 12 de junho, técnicos-administrativos em educação de todo o país participam da paralisação nacional convocada pela Fasubra. Hoje acontece mesa nacional de negociação com o governo e entre as pautas da federação está o comprimento integral do acordo de greve. Porém, além das pautas gerais, o Sintufrj e conselheiros da bancada técnico-administrativa se manifestaram na sessão do Conselho Universitário (Consuni) da UFRJ para apresentar importantes demandas da base e cobrar respostas da Reitoria.

Em faixas e cartazes, exibiam pautas da negociação nacional, mas também reivindicações como “Agressões não serão mais toleradas. É urgente o cuidado com quem cuida” e “IPPMG pede socorro”. E ainda: “CPST livre do assédio moral”, e “Sintufrj na luta contra o assédio moral”. Um grupo de aposentados estava lá para reivindicar a implantação da sua aceleração por capacitação e do reposicionamento.

SOS IPPMG
A coordenadora de Comunicação do Sintufrj e conselheira Luciana Borges lembrou o dia de paralisação e a negociação nacional e destacou também a necessidade de enfrentamento da crise no IPPMG. Ela leu carta construída em conjunto pelos profissionais do IPPMG que denuncia episódios recorrentes de agressões verbais, até ameaças e xingamentos por parte de alguns acompanhantes de pacientes.

Os fatos têm gerado agravo na saúde de profissionais e até afastamentos. Luciana cobrou medidas efetivas para o combate de qualquer forma de violência nas unidades de saúde da UFRJ e para garantir a integridade dos seus profissionais. “É urgente proteger quem cuida “, concluiu a coordenadora.

Ela entregou a carta, “SOS para os profissionais de Saúde do IPPMG” para conselheiros e membros da Reitoria.

A seguir, a fala da coordenadora:

 

 

 

 

Luta em várias frentes

O Sintufrj levou também a pauta do reajuste igual para todos do PCCTAE, inclusive os médicos e veterinários. Eles também estiveram presentes no Consuni. Como Aldinelli Cristina Silva Pinheiro (ao centro), médica da Emergência do IPPMG. Ela está na unidade desde 1998 como RJU. Embora seja do PCCTAE, não recebeu o mesmo reajuste, fruto do acordo de greve, que recebeu toda a categoria, de 9%. Porque o governo achou de aplicar um percentual diferente para médicos e médicos veterinários. “Nos excluíram. Nos deram reajuste pela metade e a gente também não tem a garantia de que não irão romper as outras questões do acordo de greve. É como se tivessem me tirando da universidade, do PCCTAE. Eu sou concursada. Nunca se viveu uma violência dessa. Então a gente está sem saber o que vai ser nosso futuro”, contou.
Mas a médica relatou outro problema: a redução dos percentuais de insalubridade. Durante a pandemia, a Reitoria determinou que os profissionais de saúde atendendo nos hospitais recebessem 20% de adicional de insalubridade. Quando a pandemia acabou, as pessoas voltaram a receber os adicionais que tinham antes. “Sendo que nós, profissionais da Emergência, recebíamos 20% antes da pandemia. Mas lá no Instituto, os profissionais não receberam esses aumentos de 20%. Quando cortaram das unidades que receberam, cortaram do nosso”, lamentou, afirmando: “Estamos brigando em várias frentes!”.

Emerência da professora Lúcia Previato é aprovada

Durante a ordem do dia, no ponto de pauta sobre a concessão do título de Professora Emérita à professora Lúcia Mendonça Previato, já aprovado pelo Conselho Deliberativo do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e pelo Conselho de Coordenação do CCS, o representante técnico-administrativo Milton Madeira avaliou: “A emerência dessa professora é importante porque ela é uma das poucas pesquisadoras que levou as doenças do terceiro mundo para um nível de pesquisa mundial. Então, é uma mulher, uma pesquisadora e com uma preocupação real com as questões de saúde no terceiro mundo”, declarou.

Na manhã desta quarta-feira (11), o Ministério da Educação (MEC), atendendo reivindicação da Fasubra que foi demandado pelo Sintufrj, realizou reunião para discutir a situação crítica enfrentada pelo Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A reunião, foi realizada em Brasília, teve como foco a suspensão de atendimentos na unidade devido à falta de repasses de recursos federais.
O Coordenador Geral do SINTUFRJ, que também é Coordenador de Comunicação da FASUBRA Chiquinho esteve presente na reunião juntamente com as coordenadoras gerais da FASUBRA, Ivanilda Reis e Loiva Chansis. Pelo MEC, participaram a diretora da Divisão de Desenvolvimento em Educação e Saúde da Secretaria de Educação Superior (DDES/SESU), Gisele Pires, além de representantes das assessorias jurídica e administrativa do ministério. O Instituto de Ginecologia foi representado por seu diretor, professor Gutemberg.
A representação da Federação destacou a importância do encontro como resposta à mobilização da comunidade local contra a interrupção dos serviços de saúde prestados principalmente a mulheres em situação de vulnerabilidade. Segundo a entidade, a falta de recursos ameaça diretamente a continuidade dos atendimentos, impactando inclusive a formação de profissionais da área da saúde.
O diretor do Instituto de Ginecologia apresentou um panorama alarmante: diversos procedimentos foram suspensos desde a interrupção dos repasses decorrentes da conversão do antigo programa REUF para o novo modelo PHOSUS, instituído pelo Decreto 11.674/2023. Segundo ele, se os recursos estivessem sendo corretamente destinados, a unidade poderia estar em uma condição muito diferente. Ele lembrou ainda que, por não fazer parte da rede administrada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), o hospital universitário deveria receber diretamente esses fundos, o que não vem ocorrendo.
A professora Gisele Pires, que também é docente da Faculdade de Medicina da UFRJ, afirmou conhecer de perto a realidade do hospital e reconheceu os desafios enfrentados. Embora tenha destacado limitações enquanto gestora, ela se comprometeu a dialogar com o secretário de Ensino Superior, Marcos David, para levar a demanda ao Ministério da Saúde (MS) e buscar uma solução conjunta para a liberação dos recursos.
A direção da FASUBRA também forneceu subsídios para que o MEC investigue possíveis falhas de comunicação ou desencontros de informação que possam estar impedindo o repasse dos recursos PHOSUS às unidades hospitalares fora da gestão da EBSERH.
Encaminhamentos definidos na reunião:
• A DDES/SESU verificará a agenda do MEC com o Ministério da Saúde para incluir o tema da liberação dos recursos aos hospitais não vinculados à EBSERH e informará a FASUBRA assim que houver confirmação;
* Uma nova reunião será agendada com lideranças da residência médica para ouvir as demandas específicas do setor;
• A assessoria jurídica do MEC se comprometeu a analisar os termos do Decreto 11.674/23, a fim de esclarecer sua aplicação e as falhas na distribuição dos recursos PHOSUS.

Embora a reunião tenha sido agendada pelo MEC direcionada para o Instituto de Ginecologia também demandamos as necessidades dos demais hospitais que não estão sob a gestão da EBSERH, o IPUB, o INDC e o HESFA, pois essa asfixia financeira afeta todos esses hospitais.
E assim, iremos fortalecer a mobilização da categoria e da sociedade para defender nossos hospitais.

DIRIGENTES DA FASUBRA discutiram a situação do Instituto de Ginecologia por solicitação do Sintufrj no Ministério da Educação

Roberto Medronho destacou o papel do técnico-administrativo na construção de uma universidade de excelência

Na tarde desta quarta-feira, 11 de junho, a Comissão Interna de Supervisão (CIS) do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) da UFRJ foi oficialmente instalada pelo reitor Roberto Medronho em reunião em seu gabinete. São 14 titulares e sete suplentes que representam a diversidade da categoria técnico-administrativa em educação.

Os companheiros já chegaram reivindicando estrutura para o trabalho da comissão. Medronho se comprometeu a garantir local, equipamentos, espaço na página da UFRJ e acesso da comissão a todas as informações necessárias e solicitadas por seus integrantes. Inicialmente a CIS irá se reunir provisoriamente no gabinete da Reitoria até que tenha um local definitivo.

A primeira reunião de trabalho da comissão empossada já está marcada. Será no dia 24 de junho, terça-feira, das 13h às 15h. Neste dia começará a ser elaborado o regimento da CIS.

Importância

O reitor Roberto Medonho fez um longo preâmbulo para destacar a importância da categoria dos técnico-administrativos em educação na universidade e a relevância de seus representantes.

“Sem demérito da comissão CPPD (Comissão Permanente de Pessoal Docente) temos 9 mil servidores de diversas categorias e níveis e a instituição precisa muito da expertise de vocês para orientar a política de pessoal da nossa universidade”, disse o reitor no início de sua fala.

Ao falar sobre a posição da UFRJ no ranking mundial do Center for World University Rankings (CWUR),  que no critério “qualidade da educação” é a melhor do país, o reitor atribui esse resultado à excelência de seu corpo social destacando o papel dos técnico-administrativos.

Os integrantes da CIS por sua vez cobraram esse reconhecimento através de ações firmes da Reitoria no combate ao assédio moral na universidade. Nesse momento em especial há uma denúncia dos trabalhadores da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) e do Sintufrj de assédio por parte da atual direção.

Compromissos

O reitor aproveitou a oportunidade para reiterar compromissos assumidos com os técnico-administrativos como a criação do Centro de Saúde do Trabalhador na Bio-Rio com instalação até o fim do ano, assim como a mudança da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST) para o mesmo local; a realização de exames periódicos através de convênio com a CAURJ; isso sem renunciar ao atendimento psicossocial. Medronho disse também que está negociando com a Prefeitura do Rio a instalação de uma UPA ou de uma Clínica da Família dentro da Cidade Universitária. E acrescentou que unidades abandonadas por outras gestões terão melhor tratamento sob sua gestão, como a Escola de Educação Física a qual tem expectativa de finalização das obras até o fim do ano.

Roberto Medronho leu nominalmente cada integrante da CIS da Portaria a ser publicada sendo que haverá uma alteração porque um suplente desistiu de assumir a vaga. São eles:

Alcir da Silva

Maria Soares da Silva Lins

Jessé Mendes de Moura

Marli Rodrigues

Fabio Porto

Rosemere Roza

Flávia Pereira Vieira

Francisco de Assis

Nivaldo Holmes

Alzira Trindade

Edson Vargas

Ana Célia da Silva

Selene Vaz

Paulo Roberto dos Santos

Suplentes – Igor Dantas, Vânia Godinho, Marta dos Santos, Tatiana Rodrigues, Ruy de Azevedo e Marisa Araújo. Moizés Guanabara desistiu da vaga e em seu lugar assume Thiago de Sá Bacelar.

 

 

Estelionatários voltam a agir contra servidores da UFRJ. Por meio de mensagens de WhatsApp, trabalhadores estão sendo abordados por golpistas que usam o nome do sindicato solicitando pagamento para LIBERAÇÃO DE PROCESSOS JUDICIAIS. O Sintufrj orienta os sindicalizados para que não paguem a ninguém e que procurem a entidade para a obtenção de informações corretas que podem ser dadas pelos telefones do Departamento Jurídico do Sintufrj: (21) 96549-0243/96549-2530 e/ou (21) 3194-7122

Imagem de Técnicos-administrativos da Faculdade Nacional de Direito (FND) com dirigentes do Sintufrj após reunião da tarde desta terça-feira, dia 10, na qual foi discutida a defesa da democracia na instituição. Nos últimos dias, esses trabalhadores têm sido alvo de ataques violentos de intolerância e com ameaças que ferem a dignidade de uma categoria que, como os demais segmentos da comunidade universitária, é fundamental para o desempenho da UFRJ como uma das principais instituições federais de ensino superior do país. A Universidade é de Todos e o Sintufrj afirma sua solidariedade aos companheiros e companheiras da FND. (Fotos: Renan Silva)

 

Com o brado “Racistas não passarão!” e portando cartazes com palavras de ordem como “Nossos cabelos não são piada”, “Racismo recreativo não é brincadeira” e “Respeitem nossas trabalhadoras”,  professores e funcionários do Colégio de Aplicação, cercados de estudantes, organizaram uma mobilização no início da tarde desta terça-feira, dia 10, no intervalo entre um turno e outro no pátio interno, em protesto contra casos recentes de racismo e desacato na unidade. O Sintufrj manifestou apoio aos servidores docentes e técnicos-administrativos, representado pelos coordenadores Hilem Moisés e Edmilson Pereira..

Portando uma cartolina com dizeres como “Se eu não boto limites, eu adoeço”, o professor Jorge Marçal, que divide com Monique Riscado Coordenação do Comitê Permanente da Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer/ CAp UFRJ), relatou a situação registrada em nota pública divulgada no dia anterior. Explicou que o caso envolve estudantes do Ensino Fundamental e Médio e até de um responsável. E atingiu um professor e servidores da Direção Adjunta de Ensino, da Enfermaria, do Registro Acadêmico e do Gabinete da Direção.

“Tratam-se de situações de racismo, de conduta misógina intimidatória e de desacato a servidores públicos em exercício da profissão, incluindo diretoras da escola, que culminaram em denúncia feita pela diretora geral do Colégio de Aplicação, Cassandra Pontes, na polícia federal”, informa a nota do Comitê.

No dia 2, registra o documento, estudantes receberam suspensão por conduta desrespeitosa e por se referirem pejorativamente ao cabelo de um professor. Depois da suspensão, tentaram intimidar o professor e servidoras. Isso, somado a outras circunstâncias, levaram a convocação dos responsáveis. Um deles, no entanto, confrontou as diretoras gerais Cassandra Pontes e Marina Campos e a diretora adjunta, Céli Palácios, com questionamento sobre sua competência pedagógica e ofensas pessoais. Diante do desacato, as professoras chamaram a polícia, registraram denúncia na Polícia Federal.

“Tal conduta vai na contramão de nossos valores institucionais, do projeto de escola democrática e antirracista que construímos e da dignidade da pessoa humana. Além disso, destacamos: racismo e desacato contra servidores em exercício são crimes tipificados pela legislação”, diz o manifesto do Erer.

O grupo reivindica que a universidade dê apoio institucional e jurídico . “É indispensável que os casos relatados sejam devidamente investigados pelas autoridades competentes e que nossa comunidade acadêmica não fique sem respostas. (…) O combate ao racismo, à misoginia e a outras práticas discriminatórias é nosso compromisso e demanda que sigamos avançando com políticas de valorização das contribuições africanas, afro-brasileiras e indígenas na educação”, concluiu o texto.

Sintufrj  em defesa da educação antirracista

Hilem Moisés coordenador de Organização e Política Sindical e Edmilson Pereira, trabalhador do CAP e coordenador de Educação, Cultura e Formação Sindical manifestaram seus apoio..

O coordenador Edmilson, que trabalha no Colégio de Aplicação há 46 anos, conta que participa do Comitê Erer, “um movimento de técnicos, professores e alunos em defesa da educação antirracista”. Hilem, que além da coordenação, integra o GT Antirracista do Sintufrj, destacou que atos de racismo e assédio contra os servidores e servidoras não serão tolerados.

Postura não poder ser banalizada

“Fiquei feliz pela mobilização que o Erer organizou no sentido de que siga reverberando na comunidade escolar que este tipo de postura não pode ser banalizada. Nem o racismo, nem o desrespeito aos trabalhadores”, disse a diretora geral do CAP, Cassandra Pontes, explicando que há atenção para a proteção aos estudantes, mas também aos servidores e à instituição Educação.

Segundo conta, tanto na postura dos estudantes quanto do responsável se observou um comportamento agressivo, com aumento do tom de voz e do desrespeito às servidoras no exercício de sua função. Mais grave, segundo conta, foi a postura de um dos responsáveis, falando em tom alto e desrespeitoso: “Sinalizei várias vezes para sua atitude de desrespeito, mas ele não recuou. Falei que poderia denunciá-lo e ele permaneceu com a mesma postura”.
Solidários, servidores que acompanhavam a situação da sala ao lado, chamaram a polícia e agora o caso será investigado pela Polícia Federal.

Em recente reunião do Conselho do Centro de Filosofia e Ciências Humanas no dia 2, Cassandra levantou um ponto: quais são os mecanismos diante de situações graves relativa a postura de estudantes. Segundo ela, a situação preocupa também colegas que lecionam na graduação.

Apoios

Racistas não passarão

Priscila Basílio, coordenadora do Ensino Básico, manifestou-se em nome da direção do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da UFRJ, alertando: “Não toleramos nenhum tipo de racismo na nossa escola. Nós somos uma escola democrática, que se propõe a um currículo afro centrado, um currículo indígena. Os professores e técnicos têm o comprometimento com um currículo que contemple todos os saberes. Racistas não passarão!”.

Resposta em uníssono

No convite para a manifestação no CAP, Comitê Permanente da Educação para as Relações Étnico-Raciais, em parceria com o Quilombo do CAp (Coletivo de trabalhadores negras e negros do CAp UFRJ), reivindica: “Precisamos dar uma resposta uníssona a esses comportamentos que não representam o nosso projeto de escola democrática, antirracista e socialmente justa”.

Segundo Jorge, houve também nota de apoio da Superintendência Geral de Ações Afirmativas, diversidade e Acessibilidade SGAADA), e o lançamento de um formulário para que o público subscreva a nota do Erer que, na manhã do dia 10, já contava com 374 assinaturas. A nota foi encaminhada também para a Comissão de Ética com cópia para o gabinete da Reitoria. “Estamos aguardando os encaminhamentos tanto da UFRJ quanto da investigação que vai ser feita pela Polícia Federal”, concluiu Jorge.

SGAADA se manifesta contra racismo e misoginia no Colégio de Aplicação

A Superintendência Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade da UFRJ (SGAADA/UFRJ) emitiu uma Nota de Desagravo Público condenando veementemente os atos de racismo, misoginia e desacato sofridos por um professor e servidoras, incluindo as diretoras, no Colégio de Aplicação. “A superintendência reforça que racismo é crime! A SGAADA exige providências jurídicas e institucionais firmes para responsabilizar os envolvidos e reafirma seu compromisso com um ambiente acadêmico seguro, plural e respeitoso. A presença de mulheres negras na gestão é um símbolo de resistência e avanço, e a UFRJ não tolerará o silenciamento dessas trajetórias”.

Nota do Complexo de Formação de Professores da UFRJ

Nota de apoio aos profissionais do CAp-UFRJ O Complexo de Formação de Professores-UFRJ expressa solidariedade aos profissionais do Colégio de Aplicação da UFRJ (CAp-UFRJ) vítimas de racismo, misoginia e violência, apoiando integralmente a nota emitida pelo Comitê Permanente da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER). Destacamos a gravidade da prática de racismo recreativo e da intimidação contra profissionais negros, assim como o desacato e atitudes misóginas dirigidas a mulheres. Tais práticas só reforçam estruturas de opressão e, por isso, exigem posicionamento firme das instituições democráticas. Acreditamos na educação como ferramenta essencial para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária, inclusiva e promotora de valores que garantam um convívio respeitoso dentro e fora do ambiente escolar.