O velório do professor Amilcar Tanuri, falecido nesta sexta-feira (26), será neste sábado, das 10h às 14h, no Átrio do Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha. O professor Tanuri era chefe do laboratório de Virologia Molecular do Instituto de Biologia. Durante a pandemia, liderado pelo professor, o laboratório atendeu todo o Rio de Janeiro.

O Sintufrj manifesta o seu pesar por esta inestimável perda para a Ciência e para a UFRJ

 

O SINTUFRJ tomou conhecimento de que a UFRJ pretende efetuar descontos na próxima folha de pagamento, a título de contribuição previdenciária, dos servidores que receberam, judicialmente, valores referentes a passivos tais como o percentual de 3,17%, descontos esses que teriam deixado de ser efetuados quando do pagamento das Requisições de Pequeno Valor (RPV). A medida atinge aproximadamente 80 trabalhadores.

O mais preocupante é que essa medida está sendo implementada sem qualquer comunicação ou aviso prévio aos servidores afetados, que só souberam dos descontos através da prévia dos contracheques, o que viola o direito ao contraditório e à ampla defesa. Essa conduta unilateral da UFRJ, baseada em um ofício do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), pode gerar um impacto financeiro abrupto e severo na subsistência das famílias desses trabalhadores.
Diante da iminência desses descontos e da ausência de um processo transparente e justo, o SINTUFRJ ajuizou Ação Coletiva com pedido de Tutela de Urgência (liminar), com o objetivo de impedir a realização dos descontos.
“Como a administração incluiu o desconto na prévia do contracheque sem oportunizar aos servidores o contraditório e ampla defesa, apenas atendendo à orientação dada pelo TRF2 em ofício enviado à UFRJ, não é possível sequer saber se esses valores são efetivamente devidos. É possível, inclusive, que alguns já estejam prescritos, dependendo de quando a RPV foi paga”, esclarece a advogada Aracéli Rodrigues, do escritório Cassel Ruzzarin Santos Rodrigues, que assessora o Sintufrj.

A assessoria jurídica busca, agora, que a magistrada responsável analise o pedido de liminar com a celeridade necessária. O Sintufrj manterá informações atualizadas sobre os desdobramentos da ação coletiva.

Feminismo negro? Mulherismo? Esses foram os temas em pauta do GT Antirracista desta quarta-feira, 17 de setembro, realizado de forma híbrida no Espaço Cultural do Sintufrj.
O GT Antirracista, assim como o GT Mulher, tem procurado realizar um trabalho de formação trazendo especialistas para ampliar o conhecimento dos temas ligados ao racismo e ao universo da mulher, provocando reflexões.
As convidadas foram a pedagoga da Uerj e historiadora, Jéssica Raul, que falou sobre o feminismo negro e a teóloga Aline Frutuoso, autora do livro “Teologia Feminista Negra”, que explicou sobre o mulherismo.
A coordenadora de Políticas Sociais, Norma Santiago, apresentou o evento falando do protagonismo das mulheres negras brasileiras ao se referir ao I Encontro Nacional de Mulheres Negras em São Paulo.
“O feminismo não atendia a demanda das mulheres negras que precisavam ser autoras de suas vivências e de suas histórias e assim promoveram o I Encontro Nacional de Mulheres Negras. Foi o primeiro encontro nacional de feminismo negro que iniciou o processo de construção do movimento das mulheres negras e do movimento negro para atender as necessidades, as demandas, as questões de gênero e as questões raciais do povo negro. Porque o feminismo tradicional, das sufragistas, não atendia a essa categoria”, disse Norma.

Feminismo negro
A pedagoga Jéssica Raul destacou a importância de conhecer a história das mulheres, especialmente as negras, e suas contribuições intelectuais para combater o racismo e o sexismo.
Ela fez uma apresentação pontuando o pensamento de mulheres negras como Thereza Santos, Lélia González, Sueli Carneiro, Bruna Jaquetto e ativistas da educação como Azoilda Loretto, Nilma Gomes e Petronilha Gonçalves.
“O pensamento social brasileiro não seria o mesmo se não fossem as intelectuais negras”, ressaltou.
Jéssica argumentou que o conhecimento da história e das teorias produzidas por mulheres negras é essencial para a luta por direitos e para quebrar estereótipos, mostrando a relevância de suas perspectivas e a importância de se ver representada.
“Não tem como a gente fazer uma luta política, principalmente dentro de um sindicato, ou em qualquer espaço que seja, sem a gente conhecer a nossa história. Eu acho que trazer essas teóricas, as teóricas brasileiras para refletir a partir do lugar da mulher negra é superimportante. Porque se saber como a gente se situa como pessoa e como a gente produz teoria historicamente, quebra o estereótipo, por exemplo, de que as mulheres não são intelectuais. Trazer intelectuais negras confronta esse pensamento. Então, isso empodera, traz conhecimento. Acaba dialogando, pois mulheres negras falando sobre a realidade, traz a nossa realidade para a gente, para o nosso cotidiano, a gente se coloca no lugar, porque a gente está vendo elas teorizarem sobre a nossa vida”, declarou.

Mulherismo
A teóloga Aline Frutuoso elogiou a proposta do GT Antirracista de trazer para o centro do debate algo tão importante para o centro do debate como o feminismo e como o mulherismo africana.
“O feminismo não dá conta de falar da interseccionalidade de raça, gênero, classe. Então o mulherismo vem com essa construção. Ele conhece a interseccionalidade, que é algo que é muito peculiar”, observou.
Aline fez sua apresentação explicando o que é o mulherismo africana – organização social das mulheres da África antes da colonização baseado na cultura africana e no afrocentrismo, concentrando-se nas experiências, lutas, necessidades e desejos das mulheres da diáspora africana – e discorreu sobre suas implicações. O termo mulherismo africana foi cunhado por Clenora Hudson-Weems, uma acadêmica afro-americana, no final da década de 1980.
Segundo a teóloga, o mulherismo africana segue uma filosofia que busca resgatar a vivência matriarcal e a identidade das mulheres africanas, especialmente aquelas impactadas pela colonização e seus efeitos. Baseado em epistemologias africanas pré-coloniais, o mulherismo propõe uma visão de interconexão e igualdade, onde todos os membros da comunidade têm um papel importante e a espiritualidade e a ética são valorizadas.
O mulherismo africana presta mais atenção e dá mais enfoque às realidades e injustiças da sociedade em relação à raça. E ele difere do feminismo ocidental ao valorizar a ancestralidade, as sociedades matrilineares e a realidade da tripla opressão (racial, sexista e de classe) das mulheres negras, propondo um retorno aos princípios e práticas africanas para a sua emancipação.

A coordenadora Norma Santiago fala sobre o feminismo negro

Aline Frutuoso explica o mulherismo africana
Jéssica Raul apresenta o pensamento de mulheres negras

Ao final do evento participantes presentes e on line celebram o debate

Num ambiente de decisão do STF condenando o ex-presidente Bolsonaro e a cúpula golpista, trabalhadores públicos marcharam em defesa de direitos: a denúncia do projeto de Reforma Administrativa articulada no Congresso esteve no centro do protesto.

 

Quem conhece o Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida (CRM-SSA) da UFRJ? E sabe sobre o seu importante trabalho voltado para enfrentar e prevenir a violência de gênero? E que promove o fortalecimento da cidadania das mulheres através de ações individuais (atendimento e acompanhamento social e psicológico) e globais (oficinas, cursos, rodas de conversa, entre outras atividades)? O Grupo de Trabalho (GT) da Mulher do Sintufrj foi nesta quinta-feira, 11, visitar e conhecer o CRM.

O GT foi recebido por duas integrantes da equipe técnica do CRM, a assistente social, Bárbara Zilli Haanwinckel, e a psicóloga, Natália Romano. A equipe total é reduzida, como outras unidades da UFRJ sofre com falta de pessoal, mas realiza um trabalho rico e qualitativo. Após apresentação inicial de todas as participantes do GT, as profissionais do CRM fizeram minuciosa exposição dos trabalhos e das atividades do Centro de Referência e logo após levaram as integrantes do GT para conhecer as amplas e modernas instalações do prédio construído em 2016 e localizado próximo à Praça da Prefeitura da UFRJ, na Cidade Universitária, Ilha do Fundão.

Bárbara e Natália enfatizaram o interesse do GT Mulher do Sintufrj e informaram que o CRM está aberto a parcerias e atividades ligadas ao universo das mulheres. “É muita alegria ouvir a trajetória de vocês, porque a gente se mira assim, e nossa, a gente tem ainda uma longa trajetória pela frente. Eu tenho muito orgulho de estar na UFRJ e ouvir a história de vocês que é incrível. A gente passa percalços aqui para conquistar mais coisas e para esse local ainda permanecer na sua finalidade. Então, vocês estarem hoje aqui com a gente é muito simbólico”, afirmou Bárbara.
O centro oferece serviços de apoio e acolhimento a mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo também estudantes, técnicas e professoras. O CRM-SSA se destaca por sua abordagem holística, que inclui ensino, pesquisa e extensão, além de promover atividades comunitárias e de acesso à cultura. O atendimento é agendado por telefone ou WhatsApp, e o espaço busca criar um ambiente de paz e sigilo para as mulheres, com várias salas de atendimento que proporcionam conforto e segurança.

A equipe técnica explicou que a violência contra a mulher pode ocorrer de diversas formas (física, patrimonial, psicológica). Pode atingir qualquer mulher, inclusive as que trabalham com a questão de gênero. Por isso, ressaltaram a importância de um olhar diferenciado e a necessidade de acolher as vítimas, tanto dentro quanto fora da universidade. Apresentaram o trabalho da oficina que oferece apoio através da dança e promoção do bem-estar, com relatos positivos das participantes. Além disso, realiza parcerias como a com o Espaço Saúde do Sintufrj e a realização de atividades como rodas de conversa e cursos, enfatizando a importância de manter essas iniciativas e buscar novas parcerias para oferecer suporte às mulheres.

Dentre as atividades existe o Grupo Reflexivo que são encontros mensais com mulheres que tenham interesse em discutir temas relacionados às questões de gênero, tendo como finalidade buscar elevar a autoestima e fortalecer as participantes assim como desconstruir alguns estereótipos relacionados aos papéis sociais historicamente destinados aos homens e mulheres. O grupo tem como objetivo aumentar a consciência crítica sobre direitos individuais e coletivos.
“O foco do grupo é que a gente possa refletir a nossa realidade enquanto mulher e a partir disso pensar em caminhos, pensar como a realidade afeta a gente, como a gente afeta a realidade, e o que podemos fazer sobre isso. O foco no CRM de acordo com a norma técnica é a violência, mas não é a única coisa que ele faz. O atendimento é fundamental, mas se não pensarmos na estrutura que leva as violências acontecerem estaremos sempre enxugando gelo. Precisamos de uma transformação estrutural, social. Essa estrutura que leva as mulheres a serem agredidas diariamente. Por isso trabalhamos atividades coletivas”, explicou a psicóloga Natália Romano.

O CRM promove o curso “Enfrentando a Violência de Gênero Contra as Mulheres”, um curso de extensão com 5 edições. A proposta é fomentar o debate para fortalecer o conhecimento dos profissionais em relação à identificação da violência contra a mulher e informar procedimentos de orientação e encaminhamento aos serviços que integram a rede especializada de atendimento às mulheres em situação de violência de gênero.
Há o Cine debate, o projeto realiza cine debates presenciais e online, com filmes e debates sobre temas como violência, crimes cibernéticos, padrões de beleza, e ligado à vida das mulheres. Os eventos contam com a participação de convidados. O acesso é on line, a sala de exibição e filmes está com o ar condicionado central inoperante, e assim os debates são gravados e disponibilizados no YouTube.
Segundo a assistente social, Bárbara Zilli Haanwinckel, o foco é a prevenção: o projeto busca ampliar o acesso a informações e direitos, complementando o atendimento às mulheres e promovendo a prevenção. Para o próximo evento a equipe pretende exibir filme com a temática sobre estelionato sentimental.
Para mais informações o Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida (CRM-SSA) da UFRJ está nas redes sociais Facebook, Instagram e Youtube @crmssa. Seus telefones são (21) 3938-0600 / (21) 3938-0603 (Whatsapp). Email: crmssa.ufrj@gmail.com

 

Os CRMs
O Centro de Referência para Mulheres – Suely Souza de Almeida e o Centro de Referência de Mulheres da Maré – Carminha Rosa (CRMM-CR), da UFRJ, são integrantes da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres e estão vinculados ao Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos – Suely Souza de Almeida (Nepp-DH), que integra a estrutura organizacional do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os dois Centros de Referência (CRM-SSA e CRMM-CR) são de grande relevância para a população em geral, principalmente se considerarmos que na região metropolitana do Rio de Janeiro existem somente quatro centros de referência especializados de atendimento às mulheres atualmente.
Os Centros buscam fortalecer a noção de cidadania das mulheres com vistas aos Direitos Humanos, oferecendo atendimento integral, acompanhamento e orientações para as mulheres que sofrem, sofreram ou que estão ameaçadas de violência, além de buscarem a superação do quadro de violência por via de uma perspectiva emancipatória.

 

Tour pelos andares
Sala de Recepção
Sala de Dança
Sala do Grupo Reflexivo

No primeiro dia de paralisação dos técnico-administrativos em educação da UFRJ nesta quarta-feira, 10, os trabalhadores realizaram dois atos. Um pela manhã em frente ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) e outro à tarde, em Laranjeiras, em apoio à Casa de Referência da Mulher Almerinda Gama.
A Casa Almerinda Gama, responsável por acolher mulheres e crianças vítimas de violência desde 2022, é uma ocupação localizada na rua Carioca, 37, e desde 2023 é alvo de uma ação judicial do governo estadual que pede a desocupação do imóvel, ainda que esteja sem uso pelo estado.
A manifestação teve concentração no Largo do Machado com caminhada até o Palácio Guanabara, onde uma comissão do Movimento de Mulheres Olga Benário, responsável pela ocupação, entrou no Palácio tentando dialogar, mas sem sucesso. Elas protocolaram um ofício ao governador Cláudio Castro. Segundo o Movimento de Mulheres o objetivo da desocupação é comercial com vistas a viabilizar o projeto “Rua da Cerveja”.

O pedido de desocupação se baseia unicamente em questões estruturais e na reivindicação de propriedade do imóvel, sem apresentar qualquer encaminhamento ou medida para a urgente situação das mulheres em contexto de violência e de vulnerabilidade no Estado do Rio de Janeiro. Ao longo de três anos, a ocupação acolheu mais de 200 mulheres e abrigou mais de 30 mulheres e 6 crianças.
O processo se acelerou a partir de junho de 2024 e tem como marca fundamental o empenho do Estado em obter a desocupação do imóvel sem que as mulheres ocupantes sejam sequer ouvidas nos autos.

A coordenadora de Educação, Cultura e Formação Sindical do Sintufrj, Maria Lenilva, presente ao ato, destacou a relevância do trabalho da Casa Almerinda Gama, informando sobre a paralisação dos trabalhadores da UFRJ.
“Estamos em dois dias de paralisação e não podíamos estar fora dessa luta da Casa Almerinda Gama junto com essas mulheres batalhadoras. Todo nosso apoio! Esse é o nosso primeiro dia de paralisação e esse é nosso segundo ato. Pela manhã, estivemos em frente ao HUCFF divulgando nossa pauta especifica”, disse Lenilva durante a caminhada ao Palácio Guanabara.

Moradoras de ocupações e mulheres acolhidas pela Casa Almerinda Gama, muito indignadas, participaram da manifestação. A truculência da polícia no despejo de famílias da ocupação Luiza Mahin, no Cais do Valongo, foi denunciada durante a manifestação, inclusive mulheres que sofreram violência da PM.
“O batalhão invadiu, atingiu crianças, idosos e até roubaram o dinheiro da bolsa das pessoas que precisam. Esse é o jeito que tão agindo e depois ficam querendo apoio das pessoas necessitadas. Muitas moradoras de rua não conseguem casa. Muitos estão sendo despejados. O que você vai fazer por eles Cláudio Castro? E você Eduardo Paes que sobe o morro e pede tudo? Quero ver na próxima eleição. O que vocês vão conseguir? Nada!”, desabafou Selma de Oliveira, 59 anos, moradora da ocupação Luiza Mahin. E finalizou: mais não tem nada não. A gente vai continuar lutando.

Uma das coordenadoras do Movimento Olga Benário e da Casa Almerinda Gama, Helena Garcia, afirmou que nenhuma mulher irá desistir de lutar.
“Nós vamos ocupar todas a vezes que forem necessárias para salvar a vida das mulheres do Rio de Janeiro. Almerinda Gama fica!”, defendeu Helena.

 

Entenda
No dia 08 de março de 2022, data comemorativa do Dia Internacional da Mulher, nasceu a primeira ocupação organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benário no estado do Rio de Janeiro, a Casa de Referência da Mulher Almerinda Gama.
A Casa Almerinda Gama fica na Rua da Carioca nº 37, onde antes funcionava a famosa loja Guitarra de Prata. O edifício tem dois andares e conta com uma arquitetura que lembra um casarão antigo.

O imóvel, que é tombado, estava abandonado há mais de oito anos sem cumprir qualquer tipo de função social, e foi ocupado pelo movimento para ser utilizado como um local de acolhimento às mulheres. As ocupantes, no entanto, estão enfrentando um processo judicial movido pelo Governo do Estado reivindicando propriedade do imóvel e pleiteando a desocupação pelo movimento.
Segundo as mulheres do Movimento Olga Benário, nenhuma proposta de renovação do edifício ou de utilização por parte do Governo Estadual foi apresentada no caso de desocupação. Da mesma forma, nenhuma alternativa de realocação foi oferecida ao movimento com vistas à continuidade das atividades desempenhadas pela Casa Almerinda Gama.

O Movimento de Mulheres Olga Benário, por sua vez, nasceu em 2011 como um movimento feminista socialista que se concentrou na luta pelos direitos das mulheres, especialmente no que diz respeito ao direito à creche e ao enfrentamento à violência de gênero. O movimento atua nacionalmente e desenvolve iniciativas para acolher mulheres vítimas de violência doméstica e em situação de vulnerabilidade social.
Por meio de ocupações de imóveis abandonados que não estão cumprindo sua função social, o movimento busca reivindicar políticas públicas para a construção de espaços e equipamentos destinados ao atendimento e acolhimento dessas mulheres, contando com a colaboração de profissionais voluntárias. É o caso da Casa Almerinda, único centro de acolhimento do movimento Olga Benário no Rio de Janeiro e tornou-se um centro de referência no enfrentamento à violência de gênero, fornecendo abrigo e apoio a mulheres em situações de vulnerabilidade.

 

Na semana em que a proposta de se tentar fazer uma reforma administrativa no serviço público ganhou força nas mídias tradicionais pelo bombardeio de ideias apresentadas pelo coordenador do GT da Câmara dos Deputados, Deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), e realização de reunião da Comissão Geral no Plenário para debate sobre o tema, a Comissão Interna de Supervisão da Carreira (CIS) da UFRJ promoveu encontro, nesta quinta-feira, 4, tendo como pauta central a Reforma Administrativa. O assessor jurídico do Sintufrj, Rudi Cassel, com apoio de sua equipe do escritório Cassel Ruzzarin Advogados, fez uma análise detalhada dos impactos previstos para os servidores. A reunião foi transmitida ao vivo pelas redes sociais do Sintufrj e está gravada no canal do Youtube.
O que está havendo é uma nova investida dos setores ligados ao empresariado para mudar a estrutura do estado sob um viés produtivista e voltado para o mercado. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tomou para si esta tarefa, retomou a discussão com a criação de um Grupo de Trabalho (GT) em maio para discutir uma reforma administrativa com vistas a “modernizar” o estado e avança com o amadurecimento de propostas no Congresso para angariar aprovação, mas ainda não oficializadas. Motta já anunciou que essa reforma é uma das prioridades da Câmara dos Deputados esse ano.

No Congresso
Os trabalhos do GT foram encerrados. A reunião da Comissão Geral foi mais um passo na articulação para aprovação dessa reforma cuja proposta final ainda não foi oficializada. A cada hora chega uma “ideia” nova, nos deparamos com entrevistas de Pedro Paulo e Hugo Motta, páginas inteiras, repetindo o mantra da de modernização do estado e combate a privilégio, isso sem falar nas já marteladas ideias de avaliação de desempenho dos servidores e novas formas de contratação, como a temporária, entre outras propostas veiculadas. Agora é apresentado bônus por resultado como feito na reunião da Comissão Geral dia 3 de setembro.
Se articula no Congresso uma reforma que não virá de um pacote fechado. Ela está sendo gestada internamente com determinados parlamentares para ser aprovada através de um projeto de lei (PL), um Projeto de Lei complementar (PLP) e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). No último mês, Pedro Paulo tem se reunido com líderes do Congresso Nacional para alinhar as medidas. A intenção é de que a votação das matérias aconteça já em setembro.
“Não há debate e não há discussão sobre conteúdo de um projeto que não existe, que ninguém viu, que ninguém sabe o tamanho, conteúdo, capítulos e as propostas que têm. Nós precisamos desse texto para abrir com ele o debate na sociedade que até agora não foi. Esse debate precisa sim ser feito, mas o debate que precisa ser feito não é uma reforma administrativa”, declarou o especialista em serviço público, Vladimir Nepomuceno, que falou em nome da Frente Parlamentar Mista do Serviço Público e diversas entidades de servidores públicos federais, estaduais e municipais de mais de um Poder, na reunião da Comissão Geral na quarta-feira, 3 de setembro.
Vladimir defendeu que é preciso acabar com o argumento falso da necessidade de trabalhador temporário no serviço público. “Eu tenho que dar direitos a quem trabalha temporário, mas para quê temporário se a vaga é de servidor público? Cadê o concurso público?”, questionou. Sobre o bônus de eficiência ele afirmou que abrirá uma disputa no serviço público. “Você não bota o serviço público para avançar criando disputa, ainda mais com um bônus onde nunca todos ganharão bônus.”

Rudi Cassel esclarece

O que se está propondo no momento para a reforma administrativa foi explicado pelo assessor jurídico Rudi Cassel, que formulou dois documentos: “Reforma Administrativa: confira os principais pontos antecipados pelo deputado Pedro Paulo” e “Análise do PL 3069/2025: Impactos nas Contratações Temporárias no Serviço Público”. Ele esclareceu também dúvidas de integrantes da Comissão de Supervisão da Carreira (CIS) e participantes on line.
O escritório Cassel Ruzzarin acompanhou a reunião da Comissão Geral e elaborou os documentos à luz do recente debate do dia 3 de setembro e os apresentou na transmissão ao vivo da reunião CIS. Cassel informou que a proposta em construção foi organizada em três grandes eixos: Estratégia, gestão e governança; Transformação digital do Estado; e combate a privilégios.
Dentre o proposto está uma tabela nacional unificada de carreiras, política de bonificações, progressão vinculada à avaliação de desempenho e estágio probatório mais rigoroso.
Além dos eixos, a proposta deve incluir a regulamentação de temporários, regras para cargos em comissão, condições para teletrabalho, e medidas contra o assédio com foco na proteção das mulheres.
Sobre o projeto de contratação temporária, Cassel o esmiuçou e alertou que a proposta trará precarização para o serviço público, ameaça ao concurso público e traz risco para os cargos efetivos.
O assessor jurídico do Sintufrj informou também que o escritório seguirá acompanhando de perto cada etapa da Reforma Administrativa.

O vídeo “O que é o Racismo Estrutural” e o texto “Transforme seu Ambiente de Trabalho ”do livro “Pequeno Manual Antirracista” da filósofa e militante Djamila Ribeiro integraram a base do estudo realizado pelo Grupo de Trabalho Antirracista do Sintufrj nesta quarta-feira, 20, na sede do sindicato.  O GT tem feito um trabalho de formação e informação sobre o universo do racismo na nossa sociedade e a importância de combatê-lo.

O vídeo do canal do Youtube Quebrando Tabu aborda o racismo estrutural e suas consequências, desde a escravidão até os dias atuais. Apresenta diversos temas como a falta de reparações, a lei de cotas e a condição socioeconômica da população negra, mostrando a desigualdade racial persistente.

Já o Manual Antirracista trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em onze capítulos curtos e contundentes, Djamila apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.

Os participantes da reunião do GT se viram refletidos em muitas das passagens do vídeo e do manual e tiveram a oportunidade de fazer relatos pessoais, apresentando suas experiências frente à discriminação e ao preconceito que o racismo traz consigo.

O coordenador de Organização e Política Sindical, Hilem Moisés, destacou a importância de espaços de discussão e união para combater o racismo, analisando suas raízes históricas e manifestações atuais. Ele alertou para a existência do racismo sutil, a dificuldade em reconhecê-lo, incentivando a reflexão e o estudo para superá-lo.

“A gente abre o coração, compartilha, troca, e essa é uma das funções desse espaço do GT. A gente está reunido e unido para pensar o que foi o passado e pensar o futuro em espaços como nosso GT e os coletivos os quais fazemos parte”, disse.

Débora Ferreira declarou que é preciso que os negros acreditem em si mesmos, em seu potencial, tenham autoestima.

“Temos que continuar caminhando e seguindo em frente. Não podemos aceitar discriminação. Ter força. Mostrar que podemos. Que vamos conseguir superar o preconceito”, opinou.

A coordenadora de Políticas Sociais, Fabiane Marcondes, refletiu sobre a representatividade de pessoas negras na universidade. Ela mencionou a importância de ter pessoas negras em todas as funções da universidade (estudantes, docentes, técnicos), não apenas na graduação e pós-graduação. Como exemplo de discriminação, citou um caso polêmico no Instituto de Psicologia da UFRJ, onde uma vaga para docente negro foi ocupada por uma pessoa branca, apesar de haver uma candidata negra qualificada.

Jorge Pereira, aposentado, fez um relato de sua vida toda ela calcada no racismo e preconceito.

“Nada na minha vida foi fácil. Se ser negro é ser rejeitado eu sou um deles e fui primeiramente pelos meus pais. O racismo existe e estás em todas as áreas. A discriminação é racial, social, intelectual. As oportunidades dadas aos brancos não são as mesmas para nós”, desabafou.

O administrador da Sede do Valongo, recém filiado ao sindicato, José Antônio Bazílio, compartilhou reflexões sobre racismo e barreiras sociais. Ele narrou como a sociedade, especialmente pessoas negras, enfrenta preconceitos estruturais que limitam o acesso a oportunidades, educação e posições de poder. Bazílio enfatizou a importância da educação como uma ferramenta para romper essas barreiras, citando seu próprio sucesso acadêmico e o de seus filhos como exemplos. Ele também destacou a necessidade de se reconhecer em espaços de poder e perguntou como combater as estruturas racistas profundamente enraizadas na sociedade. Ele concluiu seu pensamento falando sobre a importância da união e do apoio mútuo para superar esses desafios.

A coordenadora de Aposentados e Pensionistas, Selene Vaz, falou da persistência da discriminação racial no século XXI, especialmente em espaços públicos como restaurantes, teatros e até igrejas. Ela relatou a própria experiência de se sentir excluída, falou do preconceito e enfatizou a importância de ocupar esses espaços, defendendo que eles pertencem a todos. Selene encorajou a todos a enfrentar a discriminação com determinação e consciência de sua própria história e contribuição para a sociedade.

“Passamos por diversas situações e não nos vemos nos espaços como algo natural. Fiquei me questionando por que não posso estar nesse espaço como todo mundo? Acredito que o preconceito vai mudar. E acreditar que temos o direito a estar em qualquer lugar porque os espaços são nossos também”.

A coordenadora de Políticas Sociais, Norma Santiago, lembrou que é preciso sim incentivar o conhecimento e o estudo, se capacitar. Criar consciência e serem os agentes da mudança.

“Temos de promover primeiramente uma mudança em nosso interior, acreditar que é possível fazer frente ao racismo e ao preconceito, ocupando todos os espaços. Encarar o racismo é um desafio cotidiano”, refletiu.

O coordenador de Organização e Política Sindical, José Carlos Xavier, relatou uma situação de preconceito que vivenciou no Dia dos Pais nas Lojas Americanas.

“Fomos sendo seguidos pelos seguranças. Chamamos o gerente e reclamamos. O pior era que os próprios seguranças eram negros! O racismo vem dos próprios negros. Ele existe e tem que acabar. Lutarmos para isso ou diminuir o máximo o preconceito”, declarou.

Alzira Trindade, assistente social da Prefeitura Universitária, também destacou a importância da educação como ferramenta essencial na luta contra o racismo, ao qual comparou ao “assassinato do eu” devido ao esquecimento, apagamento e isolamento que causa. Ela ressaltou também a necessidade de união, de compartilhar conhecimentos e combater o desgaste causado pela discriminação. Ela relatou sua experiência pessoal como indígena na universidade e a importância do movimento sindical na luta contra o preconceito, inspirada pela educação da mãe e a necessidade de provar seu valor. E elogiou o trabalho dos Grupos de Trabalho.

“A criação dos GTs é importantíssima por isso. Porque eles dão a oportunidade de a gente poder nos agregar, estarmos juntos e a gente falar sobre esse processo de isolamento e de apagamento.”

 

A coordenação de Políticas Sociais têm levado para debate no GT-Mulher temas relevantes que fazem parte da realidade do universo feminino como no encontro que abordou a violência doméstica. Nesse último, realizado quinta-feira, 14 de agosto, o tema em questão “Transtorno de Personalidade Narcisista”, pode parecer hermético, mas o fato faz parte do cotidiano das mulheres. É o relacionamento narcisista. Aquele relacionamento tóxico e destrutivo em que o homem domina a mulher completamente e a dizima como pessoa.

As coordenadoras da pasta, Adriana Mattos e Norma Santiago, que conduziram a mesa do debate, explicaram que o GT Mulher quer descortinar os problemas que atingem as mulheres de forma que passem a identificá-los e se fortaleçam para combatê-los, tendo como apoio as reuniões do GT e a Coordenação de Políticas Sociais do Sintufrj. O tema, que foi destrinchado pela assistente social e psicoterapeuta, Eliane dos Santos Damasceno, surpreendeu pela sua gravidade. Na oportunidade, companheiras puderam expor dramas pessoais anunciando ter mais instrumentos para se ajudar e ajudar amigas que passam pela situação.

“Tem mãe narcisista, tem pai narcisista, tem filho narcisista, mas hoje vamos falar hoje de relacionamento narcisista entre homem e mulher. O tema está bem atual para as mulheres porque elas hoje estão em relacionamentos assim, mas sequer sabem disso. É aquela mulher que está lá vivendo aquela cobrança, aquele abuso, aquele relacionamento tóxico, e ela não tem noção de quanto é grave o relacionamento com o narcisista”, alertou a palestrante Eliane Damasceno. Ela detalhou as formas de agir do homem narcisista apontando para a necessidade de a mulher reconhecer suas ações, identificar se está vivendo em uma relação narcisista, e poder se blindar.

Sobre blindar, a companheira Neuracy, sob o pseudônimo Lana Heenzi, apresentou seu livro Blinde-se exatamente sobre a experiência pessoal de um relacionamento narcisista. O livro foi sorteado, assim como o livro Emponderamento da Família para Enfrentar a Violência Doméstica, e o livro Narcisista.

A reunião teve como convidada a presidente da Comissão Permanente da 33ª Subseção da OAB da Ilha do Governador, Dra. Vana Camarão. Ela deu alguns esclarecimentos técnicos sobre o abuso em meninas menores de idade.

Mulheres atentas ao debate
Eliane Damasceno recebe o certificado do GT Mulher
Selene ganhou o livro “Emponderamento da Família para Enfrentar a Violência Doméstica”
Neuracy ganhou o livro “Narcisista”
Vana Camarão ganhou o livro “Blinde-se”
Ana Maria de Jesus ganhou o caderninho do “Blinde-se”