O Sintufrj tem intensificado a mobilização para o Dia Nacional de Luta contra a Reforma Administrativa e pelo cumprimento do acordo de greve.

Diante da sucessão de episódios trágicos de feminicídios ocorridos nos últimos dias, a defesa das mulheres contra a violência foi incorporada à pauta.

Nas imagens, dirigentes do Sintufrj entregando jornal no SIARQ e convocando para paralisação e ato no HU dia 04/12.

 

Fundador do PT, Ex-ministro da Casa Civil e ex-parlamentar  enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo

Um importante encontro de análise de conjuntura com o ex-ministro José Dirceu foi realizado na sede da AEEL – Associação dos Empregados da Eletrobras, no Rio de Janeiro, em uma atividade organizada pela entidade, com apoio da CUT-Rio.

O objetivo foi debater os rumos do país, especialmente em um momento pré-eleitoral, no qual a extrema-direita se apresenta em busca de protagonismo.

Com longa trajetória no debate político nacional, Dirceu ofereceu uma leitura ampla dos desafios atuais e das perspectivas para os próximos meses, contribuindo para a reflexão crítica do movimento sindical.

O encontro reuniu dirigentes, trabalhadores do ramo urbanitário e de diversas entidades cutistas, que acompanharam presencialmente ou de forma virtual pelos canais da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) – live disponível no perfil do Facebook.

Dirceu foi claro ao defender a eleição de Lula com vistas a impedir a destruição do programa popular de governo e o avanço do projeto liberal, mas alertou para a necessidade de um debate crítico e propositivo para avançar.

Ele enfatizou a importância da participação de partidos, sindicatos e movimentos sociais nesse processo.

O diretor da AEEL e da FNU, Emanuel Mendes, destacou a importância de se eleger uma bancada comprometida com as causas dos trabalhadores. “A Eletrobras foi privatizada mesmo com toda luta das entidades, mas essa situação poderia ter sido evitada se tivéssemos um perfil de Congresso diferente do atual. Por isso, vamos atuar para mudar esse quadro para a eleição de 2026.”

Prejuízos

A privatização da maior empresa de energia da América Latina no governo Jair Bolsonaro, a Eletrobras, e as consequências para os trabalhadores foi ressalvada na mesa de abertura do evento.

“Falo em nome daqueles que tiveram as suas vidas prejudicadas e que foram desligadas injustamente da Eletrobras com a privatização. Hoje José Dirceu somamos 20 mil trabalhadores demitidos que estão em situação de prejuízo à sua dignidade, dependendo de familiares, dependendo da ajuda de colegas. E é o nome, as dores e a voz dessas pessoas que vêm hoje aqui trazer para pedir apoio ao PT e a base do governo”, disse uma das representantes dos trabalhadores demitidos

Houve muitas cobranças dos dirigentes sobre a postura do governo em relação a classe trabalhadora, como feita pela dirigente da CUT-Rio, Cássia Liberatori.

“O que estamos precisando José Dirceu, além de interlocução, é que a Casa Civil precise ver o trabalhador porque a casa do governo é do trabalhador. Nós estamos precisando de deputados e senadores que tenham força para chegar também ao judiciário e que também se coloquem na defesa da entidades sindicais. Não podemos continuar vivendo a reboque dos reveses políticos.”

Olhar apurado

José Dirceu foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) do qual foi presidente; foi deputado estadual e federal e Ministro-Chefe da Casa Civil no governo Lula (2003). Integrante do Diretório Nacional do PT, Dirceu vem atuando como articulador político e tem viajado pelo país para debater conjuntura, falar sobre o governo Lula e colocar sua avaliação sobre as perspectivas para as próximas eleição.

O ex-ministro José Dirceu afirmou que o processo eleitoral que se aproxima vai ser tão difícil quanto o de 2022. “Não podemos ter ilusão, mesmo com a prisão de Bolsonaro, a extrema-direita tem conseguido conquistar eleitores, mesmo nas classes populares. É dever do campo democrático retomar a narrativa das conquistas populares. Temos um discurso efetivo, que é o fim da escala 6×1, e a isenção do imposto de renda para a classe média. Dialogar e ouvir  o povo deve ser a nossa tarefa diária”, alertou.

Dirceu depois de fazer uma retrospectiva histórica da política no país, abordou pontos decisivos do cenário político brasileiro. Discorreu sobre a relação entre governo e Congresso; falou do desafios das eleições; as disputas estratégicas no campo progressista; a importância da defesa permanente da democracia diante das ameaças antidemocráticas recentes; e os rumos da economia e seus impactos no mundo do trabalho.

Ele finalizou sua participação ratificando os desafios colocados para os trabalhadores e das tarefas a serem levadas.

“Nós vamos eleger o presidente Lula, porque já é hora, e já começou o processo de destruição do programa de governo. No caso do PT e de outros partidos também é óbvio ocorrer o mesmo processo. Nós temos que construir um programa, construir propostas a partir de diagnósticos e críticas. Como podemos avançar? Nós temos que participar desse processo, nos nossos partidos e nos nossos sindicatos. O meio sindical assim como os movimentos em geral começem a se mobilizar para a disputa eleitoral, não só para a campanha, mas também para o debate de balanço do governo”.

JOSÉ DIRCEU, DE TERNO, faz análise de conjuntura na sede da Aeel

 

As eleições 2026 e o futuro da democracia no país foram temas que estiveram no centro do debate organizado pelo Sintufrj no dia 1º de dezembro, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e que reuniu João Pedro Stédile (MST), Leo Péricles (Unidade Popular), a deputada estadual Renata Souza (Psol) e Heitor César, membro do Comitê Central do PCB e da Coordenação Nacional da Unidade Classista.

Fotos: Renan Silva

 

A mesa de abertura com os coordenadores gerais do Sintufrj Esteban Crescente, Francisco de Assis e Sharon Stèfani e do diretor do IFCS Fernando Santoro. Seguida da mesa de debate: Renata Souza, Léo Péricles, Francisco ao centro, João Pedro Stédile e Heitor César

Parte da programação organizada pelo Sintufrj para comemoração aos 40 anos do Jornal do Sintufrj, o evento que reuniu nomes de peso dos movimentos sociais num debate denso, acompanhado por uma plateia expressiva presente no Salão Nobre e através das redes sociais da entidade, o que coroou de êxito a iniciativa com que a entidade reitera sua tradição de estimular pra a comunidade universitária e para a sociedade o debate dos grandes temas sobre a realidade do país.

Além das eleições gerais de 2026 – a sucessão presidencial, para a Câmara dos Deputados e para a renovação de dois terços do Senado, para governadores e assembleias legislativas -, a discussão da democracia – que depende do resultado das urnas – foi o tema subjacente.

Que projeto sairá vencedor diante de forças autoritárias que procuram debilitar a democracia? Que peso terão movimentos social e dos trabalhadores organizados em sindicatos nos destinos do Brasil? Qual a importância da unidade das forças políticas para derrotar a extrema direita que, no parlamento, pretende sequestrar a governabilidade do país em detrimento dos necessários avanços sociais? Entre alguns dos pontos comuns nas falas dos debatedores, para o enfrentamento desta conjuntura, a necessidade de mobilização das massas em torno de pautas que esteja no centro da preocupação popular e de o povo voltar às ruas para pressionar por mudanças no parlamento.

Não deixe de assistir o vídeo (a seguir). que ficará disponível no YouTube do Sintufrj

 

Momentos do debate

João Pedro Stédile

Renata Souza

Léo Pantoja

Heitor César

 

Estebam, Francisco e Sharon

             

Coordenadores do Sintufrj, colaboradores e convidados e, ao lado, com parte da equipe do Departamento de Comunicação do Sintufrj

O intenso tiroteio que atingiu a comunidade da Maré na manhã do dia 26, em mais operação da Polícia Civil,  que levou a morte de três pessoas e ao ferimento à bala de uma criança, chegou também – direta e indiretamente – ao Fundão. Projéteis atingiram a parede de sala de aula do CCMN; um helicóptero alvejado fez um pouso atrás do antigo prédio da Reitoria; o acesso pela Linha Amarela foi suspenso algumas vezes. Registradas pelos celulares dos estudantes assustados com o conflito, as imagens viralizaram. No dia seguinte, em uma nova operação, desta vez na Cidade Alta, o tiroteio chegou a interditar a Avenida Brasil de manhã.

Como não poderia deixar de ser, a situação refletiu na sessão do Conselho Universitário desta quinta-feira, dia 27, aberta com a denúncia dos efeitos terríveis para a população e, naturalmente, a comunidade universitária, da política de confronto adotada pelo governador Claudio Castro, com a reivindicação expressa por parte de estudantes, técnicos administrativos e docentes, de que o Colegiado aprove o Protocolo de Segurança para situações de risco.

A conselheira e coordenadora de Comunicação do Sintufrj Luciana Borges, enfermeira do IPPMG, reiterou o pedido dos estudantes. Ela relatou que na sessão anterior foram recolhidas assinaturas entre os conselheiros para pedido de urgência na apreciação do documento elaborado por um grupo de trabalho (já pronto e em análise da Comissão de Legislação e Normas). “Nós fizemos o trabalho de coletar assinaturas. Achamos que ia ser pautado hoje. Mais uma vez não foi. Gostaríamos que houvesse sensibilidade para o tema com o pedido de uma sessão extraordinária para discutir o assunto que já está sendo trabalhado pelo grupo de trabalho deste 2023”. Veja no vídeo a seguir:

Ela reivindicou que o protocolo abrangesse toda comunidade porque, muitas vezes se esquece dos profissionais que trabalham em atividades essenciais, como os dos hospitais, que ficam presos porque não conseguem sair depois de seus plantões em situações de conflito, enquanto outros que os renderiam não conseguem chegar. “Colegas que não conseguiram sair, dobraram o serviço”, contou, pedindo que o colegiado, além dos abonos de faltas e provas dos estudantes também possa discutir o abono no caso dos técnicos administrativos. Ela lembrou que, quando a Reitoria publica nota para a comunidade sobre o abono de falta dos alunos, não se fala a respeito dos trabalhadores.

Luciana anunciou ainda a aprovação, pela assembleia, da paralisação no dia 4 pela continuidade da luta pelo cumprimento do acordo de greve e para que a tramitação da Reforma Administrativa seja suspensa. E convidou os presentes para o debate organizado pelo Sintufrj no dia 1º de dezembro, segunda-feira, às 18h, no IFCS sobre Soberania e Democracia, com João Pedro Stedile (MST), Léo Péricles (UP), Heitor César (Unidade Classista) e Renata Souza (PSOL)

A conselheira técnica administrativa Gerly denunciou a operação desastrosa do governo Claudio Castro que matou três pessoas e baleou uma criança. Denunciou ainda que o pior Congresso da história tenta passar a PEC da Anistia sob ameaçando não trabalhar até que seja aprovada. “inteiro repúdio aos golpistas hoje no Congresso”.

Vidas afetadas

O representante do DCE Mário Prata Henderson Ramon, apontou como as operações policiais afetam toda comunica e os estudantes  que convivem todos os dias com a ansiedade de pensar como chegar à aula diante da realidade de constantes confrontos no Rio de Janeiro, que seria uma tática do governo Claudio Castro para se reeleger. Ele lembrou que os estudantes apresentaram carta no conselho passado pedindo urgência na aprovação do Protocolo de Segurança e mais uma vez não entrou em pauta.

“Ontem balas atravessaram vidraças e paredes, enquanto um helicóptero sobrevoava o campus. E isso é só mais um dia no Rio de Janeiro. Há menos de um mês da maios chacina da história (operação na Penha em 28 de outubro que deixou mais de 130 mortos)”, lembrou ela, lembrando que estudantes das comunidades atingidas tiveram que passar por corpos estendidos no chão para irem para a aula. E falou do risco a que estão expostos não só estudantes como técnicos, professores, terceirizados. “Estamos há mais de dois anos pedindo isso!”, disse ela reiterando a entrega da carta com pedido de urgência assinada pela maior parte do plenário.

Urgência entrou em debate

Uma intensa discussão se estabeleceu com diversas intervenções de conselheiros reiterando a urgência da discussão e a inclusão do ponto na ordem do dia. A carta dos estudantes pedia a inclusão ainda em novembro. Segundo a carta, o documento do grupo de trabalho está pronto e falta  apenas a deliberação, urgente diante da gravidade da situação.

Segundo a vice-reitoria Cássia Turci que presidia a sessão, no grupo e Trabalho foi produzido um documento de 300 páginas, depois reduzido a 45 e agora, para 16 páginas. Ela lembrou que só deverá haver mais uma sessão do Consuni este ano, dia 11 de dezembro, mas que seria importante que demais atores, como a Prefeitura, a Pró-Reitoria de Pessoal e trabalhadores da Diseg participassem do debate em função dos desdobramentos do protocolo para estudantes, técnicos administrativos, professores e terceirizados. A vice-reitora lembrou, inclusive do destaque da conselheira Luciana quanto aos profissionais dos serviços essenciais e terceirizados que moram em área de risco. Disse que o tema é complexo para ser discutido em apenas uma reunião e se comprometeu a colocar o ponto em fevereiro, depois do recesso em janeiro.

Apesar do protesto dos estudantes, levado a voto, o pedido de regime de urgência foi rejeitado. Mas a Reitoria reiterou o compromisso com a pauta na primeira sessão de 2026.

No entanto, a bancada técnico administrativa insistiu na solicitação de que haja também quanto a este segmento, orientação em caso de conflitos assim, particularmente quanto a unidades hospitalares, para que a comunidade não seja exposta a risco. A vice-reitora comprometeu-se também a conversar com o reitor sobre medidas para ampliar a rede de comunicação, no que toca por exemplo ao abono.

Denúncia de assédio será apurada

O Coletivo de Mulheres da Faculdade Nacional de Direito ganhou fala no colegiado para denunciar situação de assédio envolvendo um docente contra alunas da unidade. A vice-reitora Cássia Turci reafirmou a gravidade da denúncia informou que providências já estão sendo tomadas.

Segundo contou,  houve reunião longa da Ouvidoria, de representantes da direção, docentes, Centro Acadêmico e o Coletivo e que, além da abertura de um processo Administrativo Disciplinar no caso da acusação de assédio, será formado um grupo de trabalho com mulheres profissionais da casa e coletivos femininos. “Se ainda não foi, isso tem que ser feito. Vamos pedir que a direção cumpra o que foi determinado na reunião e manteremos contato com vocês”.

 

 

 

Organizadoras cobram Estado: é “dever e direito olhar para povo negro”

Daniella Almeida – Repórter da Agência Brasil
Brasília

 

Uma enorme mulher negra inflável, de 14 metros, com uma faixa presidencial onde se lê “Mulheres Negras Decidem” foi o ponto de partida de centenas de caravanas que integraram a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, nessa terça-feira (25), rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa é de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.

Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras, responsável pela organização do movimento, explicou que não foi fácil chegar até esse dia e quer que a marcha deixe um legado. “A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra.”

“Nós, mulheres negras, não merecemos ficar o tempo inteiro no final da fila e sermos tratadas, nessa sociedade, como segmento que pode esperar, que tudo para a gente fique para depois. Temos pressa, temos urgência!”

Pelo governo federal, a ministra da Igualdade Racial (MIR), Anielle Franco, chegou à marcha cercada, de um lado, pela deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), do outro pela também deputada Benedita da Silva (PT-RJ), exaltada por ser a primeira mulher negra a se tornar deputada federal (1987) e também senadora (1995) no Brasil.

Do alto de um dos carros de som, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou que a presença do ministério simbolizava uma ponte entre movimento e Estado.

“Permaneceremos avançando, marchando por bem-viver e por reparação. Por todas as mães que perderam seus filhos e por todas aquelas que vieram antes de nós. Seguimos juntas em marcha, na positividade, hoje e sempre.”

Do luto à luta

Durante o ato, a ministra lembrou da irmã, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em 2000 junto com o motorista dela, Anderson Gomes. Uma das palavras de ordem era “Marielle, presente. Marielle vive.”

O Instituto Marielle Franco esteve presente na Marcha Nacional das Mulheres Negras. A filha de Marielle, Luyara Franco, diretora executiva do instituto, reafirmou que não há democracia sem mulheres negras.

“Cada passo que damos aqui carrega a força de todas as mulheres negras que nos antecederam. Essa marcha é o nosso grito coletivo por justiça e dignidade, a prova viva de que a memória da minha mãe segue florescendo em cada uma de nós.”

A mãe de Anielle e Marielle, avó de Luyara e cofundadora do Instituto Marielle Franco, a advogada Marinete Silva, afirmou que marchar hoje é dizer ao Brasil que esse segmento não aceita mais ser silenciado.

 “Cada mulher negra aqui reivindica o direito de viver sem medo, de ter seu luto respeitado e sua voz reconhecida. Democracia só existe quando nossas vidas importam.

Violência de corpos negros

A dor das mulheres dessa família é compartilhada por outras mulheres negras. Um tapete, com incontáveis fotos de vítimas da violência em favelas do Rio de Janeiro nos últimos anos, ocupou metros do chão da concentração da marcha. Cada rosto uma história, um caso de violência.

Outra participante da marcha, Daniela Augusto, representa o Movimento Mães de Maio na Baixada Santista, em São Paulo. O grupo foi criado a partir de uma série de chacinas e assassinatos, em 2006.

As vítimas eram, em sua maioria, jovens negros, pobres e moradores de periferias. Estima-se que entre 450 e 600 pessoas tenham sido mortas.

Para Daniela, o Estado brasileiro é o primeiro violador dos jovens negros.

“Historicamente, no Brasil, a herança do processo de escravização é a perseguição, o controle e a eliminação de corpos negros.”

Ela pediu o fim da execução dos filhos que as mulheres negras amam. Para a militante, a violência e, pior, o feminicídio são ainda em maior número contra as mulheres negras, porque é agregado a esse contexto o machismo estrutural.

“Homens negros, indígenas, brancos, historicamente, entendem que o corpo da mulher é uma propriedade. Então, o machismo é muito introjetado a partir dessa lógica eurocêntrica de que a mulher deve servir, de que é um objeto.

“Aqui na marcha, em todos os espaços que a gente ocupa, lutamos contra a ideia de que nossos corpos são rentáveis, são utilizáveis ou são objetos de violência, do Estado, ou seja, do machismo, perpetrado especialmente pelos homens”, afirma Daniela Augusto, do Movimento Mães de Maio na Baixada Santista.

Negras em espaços de poder

A alguns quilômetros, era possível ver uma grande bandeira do Brasil levada pelas participantes da marcha pedindo a indicação de uma mulher negra para a vaga de ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) deixada pela aposentadoria antecipada do ex-ministro Luís Roberto Barroso. Porém, a sabatina do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, indicado à vaga pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está marcada para o dia 10 de dezembro, no Senado.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) relatou que esteve na primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras, em 2015.

“Ela veio como lufada dos ventos dos quilombos, porque se esse país é de casas grandes, senzalas, é também de quilombos”.

Dez anos depois, a parlamentar vê a necessidade de políticas públicas para esse importante segmento da população brasileira e a ocupação de espaços de poder pelas mulheres.

“É uma marcha que deixará as suas marcas na Esplanada dos Ministérios e que traz a voz, o canto, a dança, a consciência negra para a capital da República.”

A ampla maioria dos presentes na assembleia do Sintufrj nesta quarta-feira, 26 de novembro, no Espaço Cultural da entidade, no Fundão, e nos campi da Praia Vermelha e Macaé, aprovaram paralisação com realização de atos em 4 de dezembro: Dia Nacional de Luta contra a Reforma Administrativa e pelo cumprimento integral do Acordo de Greve. A proposta faz parte das ações de mobilizações aprovadas na plenária nacional da Fasubra 15 e 16 deste mês.

Por unanimidade, a assembleia acatou a proposta da direção sindical de marcar o Dia Nacional de Luta na UFRJ realizando, às 9h, uma manifestação em frente ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF). Para denunciar as consequências da má-gestão da unidade pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) para os profissionais de saúde e os pacientes. À tarde, a categoria participará do ato unitário no centro da cidade. O horário e o local seriam definidos na reunião do Fórum Estadual dos Servidores Federais do Rio. às 18h desta quarta-feira.

Uma dezena de companheiras e companheiros acompanharam a assembleia pelas mídias sociais do sindicato.

Delegação à plenária

No dia 19 de dezembro, a Fasubra realizará uma plenária virtual para deliberar sobre o XXV Confasubra. A base do Sintufrj será representada por uma delegação de sete companheiras e companheiros, incluindo um dirigente sindical. A mesa da assembleia propôs uma chapa unitária que foi aceita por todos os presentes.

Companheiros sempre presentes!

A assembleia foi iniciada com os presentes fazendo um minuto de silêncio em homenagem aos dois companheiros mortos na última semana: Ricardo José Jesus (vigilante) e Miguel Vieira de Araujo (servidor do HUCFF).

 

A comunidade do Complexo da Maré iniciou a manhã desta quarta-feira, dia 26, em meio a intenso tiroteio em mais operação da Polícia Civil. Uma criança foi baleada dentro da sala de aula e dois projéteis perfuraram a parede de sala de aula do CCMN na UFRJ. Operação continua nesta tarde e situação ainda é tensa. O DCE Mário Prata cobrou Protocolo de Segurança. A Reitoria divulgou nota:

“Em virtude da operação realizada no entorno da Cidade Universitária, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) informa a suspensão das atividades didáticas nesta quarta-feira, 26/11, nos turnos da tarde e noite, no campus localizado na Ilha do Fundão.
Devem ser garantidos o direito à segunda chamada de avaliações e o abono de faltas nas atividades didáticas desenvolvidas no turno desta manhã. A UFRJ reforça seu compromisso com a segurança de toda a sua comunidade e conta com a compreensão de todos”.

A Linha Amarela foi interditada por duas vezes esta manhã e no início da tarde, dificultando o acesso ao Fundão. A operação foi concentrada na Vila do João. Viralizaram nas redes imagens registradas por estudantes dos projéteis na sala de aula do CCMN e de um helicóptero pousando atrás do JMM, antiga Reitoria.

O prefeito da Cidade Universitária Marcos Maldonado contou que o helicóptero é da Polícia Civil e pousou por necessidade de manutenção. Ele contou que busca contato com o decano do CCMN para saber mais detalhes sobre os projéteis encontrados na sala do CCMN, e que, fora isso, em ronda esta manhã apurou que o conflito não se estendeu para o interior do campus, onde há presença de viatura da 37º Delegacia da Polícia.

 

Vídeo registrado por estudantes mostra helicóptero da polícia civil pousando atrás da antiga Reitoria

DCE cobra Protocolo  de Segurança

O DCE postou no Instagram que estudantes relataram disparos dentro do campus. “No CCMN, balas atravessaram paredes de salas de aula, quebraram vidraças, enquanto helicópteros sobrevoam o território universitário. É uma situação de risco real e imediato para toda a comunidade acadêmica”. E cobrou da Reitoria o cancelamento imediato das aulas; garantia de reposição de conteúdo e abono de faltas e posicionamento público e medidas efetivas de resguardo e segurança.

“Também seguimos cobrando a aprovação urgente do Protocolo de Segurança, que mais uma vez não entrou na pauta do Consuni, apesar do nosso pedido em regime de urgência na semana passada. Lembramos ainda que o trancamento especial foi negado no CEG, ignorando novamente as necessidades e a segurança dos estudantes – em um semestre onde não há condições mínimas de normalidade para estudar no Rio de Janeiro”, alerta o diretório.

Campanha reúne celebridades para chamar a atenção para o feminicídio no Brasil, o quinto país que mais mata mulheres no mundo.

Hoje, 25 de novembro, é Dia Mundial pela Eliminação da Violência contra a Mulher. Lançada na véspera, dia 24, a campanha “Você Não Está Sozinha” convida todos – mulheres e homens – a participar compartilhando o vídeo e disseminando o número 180.
Inconformada com o assassinato da amiga Clarissa Costa, 31 pelo ex-namorado, Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, 26, que não aceitou o fim do relacionamento, Juliette Freire, ex-BBB, reuniu personalidades femininas como artistas, apresentadoras e influenciadoras para chamar a atenção para o feminicídio e seu avanço no país.

No vídeo, Juliette, Xuxa, Angélica, Juliana Paes, Bela Gil, Bianca Andrade, Erika Januza, Ingrid Guimarães, Cíntia Chagas, Duda Santos, Isadora Cruz e Tati Machado relatam casos verídicos – citando os nomes das vítimas -, características desses crimes, a diferença entre violência psicológica, patrimonial, moral e sexual, além de dados sobre essa realidade avassaladora no país.

“Todos os dias, pelo menos quatro mulheres são silenciadas pelo feminicídio no Brasil. Somos o 5º país que mais mata mulheres no mundo”, declara Xuxa.  “Amanhã, 25 de novembro, é o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher. Nós estamos aqui para dizer que: você não está sozinha. Não tenha medo ou vergonha, peça ajuda, denuncie (180). Não se cale”, finaliza Juliette, encorajando seus seguidores a participar para que mais pessoas sejam alcançadas.

De acordo com o Instituto Patrícia Galvão, cerca de 90% dos feminicídios no Brasil são cometidos por
parceiros íntimos (atuais ou ex). Denuncie, peça ajuda, não se cale! Ligue 180.

Veja a seguir:

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Quarta-feira, 26/11
Das 9h30 às 14h
Fundão: Espaço Cultural do Sintufrj
Praia Vermelha: Prédio da Decania do CFCH (Auditório do 2º Andar)
Macaé – Polo Macaé – Auditório do Bloco A – Sala 211 – 2º andar
PAUTA
Conjuntura, Informes da Fasubra, Paralisação nos dias 3 e 4 de dezembro e eleição de delegados para a Plenária Virtual da Fasubra em dezembro

Campanha começa em 20 de novembro e mobiliza entidades para enfrentar violências, com destaque à violência digital – hoje uma das agressões que mais atingem meninas e mulheres no país

 

Reportagem: CUT / Escrito por: André Accarini

 

Começa neste dia 20 de novembro a tradicional campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Meninas e Mulheres”. A ação, que segue os moldes da campanha dos “16 dias de ativismo” idealizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem início no Brasil no Dia da Consciência Negra, e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Em 2025, a campanha – que mobiliza entes públicos movimento sindical, movimentos sociais e diversos setores da sociedade – destaca o tema “Una-se para Acabar com a Violência Digital contra Todas as Mulheres e Meninas”, reconhecendo que ataques, extorsões, discursos de ódio, perseguição, exposição íntima e humilhações têm crescido de forma acelerada nos ambientes digitais e com impactos desproporcionais em meninas, adolescentes, mulheres negras e em quem ocupa espaços de decisão política, sindical ou pública.

A ONU Mulheres reforça esse alerta ao afirmar que a violência digital tem consequências diretas no mundo real, contribuindo para a escalada de agressões e até feminicídios quando tecnologias são usadas para ameaçar, perseguir ou coagir mulheres.

“Para parte da sociedade, a internet sempre funcionou como uma espécie de ‘terra de ninguém’, onde, em nome de uma suposta ‘liberdade de expressão’, tudo seria permitido, sem filtros e sem qualquer cuidado com os impactos causados. Isso aparece muito no debate político, mas vai além”, afirma Amanda Corcino, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT.

Ela explica que o machismo e a misoginia atravessam essa lógica e “transformam o ambiente digital numa porta aberta não só para a objetificação do corpo da mulher, que por si só já é uma violência, como também para a incitação de outros crimes, inclusive a violência física no ambiente doméstico e a pedofilia”.

Entre as expressões mais comuns da violência digital estão:

  • disseminação não consentida de imagens íntimas;
  • pornografia de vingança;
  • criação de perfis falsos para perseguição e ataques;
  • chantagem sexual;
  • extorsão;
  • ameaças;
  • discursos de ódio misóginos e racistas;
  • ataques digitais coordenados contra mulheres que atuam na política, no sindicalismo, na imprensa, em movimentos sociais e no ativismo;
  • assédio on-line contra adolescentes e meninas.

Especialistas apontam que o Brasil vive um processo de normalização da violência digital, em plataformas com baixa regulação e em um ambiente político radicalizado.

Paralelamente, o início da campanha, no Dia da Consciência Negra, evidencia a importância de reconhecer que as mulheres negras são as maiores vítimas de todas as formas de violência no país. Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios, o maior número desde que o crime foi tipificado, em 2015.

A escolha da data de início reflete a dupla vulnerabilidade enfrentada pelas mulheres negras, que sofrem as consequências do racismo estrutural e do machismo de forma interseccional. São quatro mulheres assassinadas por dia, um aumento de 0,7% em relação a 2023Mulheres negras representam 63,6% das vítimas, e 70% tinham entre 18 e 44 anos(veja mais dados ao final da matéria)

Ponto alto da campanha no Brasil será, no dia 25, a Marcha das Mulheres Negras. Mulheres de todo o país marcharão em Brasília contra o racismo e a violência de gênero. A mobilização reúne coletivos, movimentos sociais, sindicatos e organizações em defesa da vida e dos direitos das mulheres negras, com atividades políticas, culturais e formativas.

Por que o Brasil tem 21 Dias de Ativismo

A mobilização internacional ocorre entre 25 de novembro e 10 de dezembro (16 Dias de Ativismo). No Brasil, o calendário foi ampliado para 21 dias, incorporando o 20 de novembro e o Dia M (3 de dezembro), dedicado ao enfrentamento da violência contra meninas. A articulação entre movimentos de mulheres, movimentos negros, entidades sindicais e organizações sociais consolidou o entendimento de que não há combate à violência de gênero sem combate ao racismo.

A campanha brasileira incorpora eixos como:

  • combate ao racismo;
  • denúncia das desigualdades estruturais;
  • enfrentamento das múltiplas violências que atingem mulheres negras, indígenas, quilombolas, ribeirinhas, periféricas, trabalhadoras domésticas e outros grupos vulnerabilizados.

A CUT, como todos os anos, integra a mobilização com atividades em sindicatos de todo o país para conscientizar trabalhadoras e trabalhadores sobre as diversas formas de violência contra meninas e mulheres.

“A campanha existe para mobilizar governos, pressionar parlamentares e estimular políticas públicas de prevenção e enfrentamento, além de fortalecer a rede de apoio a meninas e mulheres e promover educação para a igualdade. Também busca construir ambientes digitais seguros e denunciar o racismo, a misoginia e as desigualdades estruturais que atravessam a vida das mulheres”, explica Amanda Corsino

Ela afirma ainda que o objetivo da campanha é dar visibilidade a essa luta para o conjunto da população, envolvendo não só as esferas públicas e o movimento sindical, mas também movimentos sociais, escolas, universidades, instituições, familiares, homens e mulheres, toda a sociedade.”

No âmbito do Ministério das Mulheres são promovidos promove debates, campanhas e formações sobre violência doméstica, violência política, violência digital, feminicídio, autonomia econômica e direitos reprodutivos, sempre articulado com a ONU Mulheres, que concentra esforços globais na denúncia da violência digital e na defesa de ambientes on-line seguros e democráticos.

Calendário

A campanha incorpora um conjunto de datas que ajudam a dimensionar a luta contra as múltiplas formas de violência. Entre elas:

  • 20 de novembro – Dia da Consciência Negra
  • 25 de novembro – Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres
  • 1º de dezembro – Dia Mundial de Combate ao HIV/Aids
  • 3 de dezembro – Dia M (data dedicada ao enfrentamento à violência contra meninas)
  • 3 dezembro – Dia Internacional das Pessoas Com Deficiência
  • 6 de dezembro – Dia dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres (campanha do Laço Branco);
  • 10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos

Congresso reacionário

Durante o período da campanha, movimentos feministas e entidades sindicais denunciam também as violências políticas e institucionais produzidas por um Congresso ainda dominado pelo conservadorismo. Amanda Corcino alerta: “Nós ainda temos um Congresso reacionário que permite violências contra as mulheres em nome de ideologia política e de extremismo político e religioso”.

Ela cita como exemplo a aprovação do chamado Projeto de Decreto Legislativo (PDL) da Pedofilia, criticado por especialistas e movimentos de defesa de crianças e mulheres por anular diretrizes do Conanda sobre o direito ao aborto em meninas e adolescentes vítimas de estupro – crime que ocorre majoritariamente no ambiente doméstico e, portanto, na maioria das vezes é ocultado.

Em 2022, sete em cada dez meninas violentadas em tinham entre 10 e 13 anos, e em 70% dos casos o agressor era alguém da família ou do círculo de confiança. Mesmo assim, apenas cerca de 10% desses crimes chegam à polícia.

Para Amanda Corcino, o PDL não apenas dificulta o acesso ao aborto legal como também enfraquece a rede de proteção às vítimas de estupro de vulnerável. “A diretriz do Conanda garante acolhimento onde o Estado falhou, de proteger a menina que foi violentada e agora precisa de amparo, não de julgamento”, explica. “O que eles chamam de defesa da vida é, na verdade, uma condenação da infância à dor e ao abandono.”

Basta de violência

Mensagem principal não somente da campanha, mas para os 365 dias do ano, de acordo com Amanda é não se calar diante de violências e crimes contra as mulheres. “A violência contra meninas e mulheres não pode ser negligenciada, não é natural, não é aceitável, não pode continuar sendo tolerada, nem em casa, nem nas ruas, nem nas instituições e muito menos no mundo digital.”

Ela reforça que é preciso denunciar. “Quem presencia ou tem ciência de qualquer caso de violência contra menina ou mulher – seja em casa, na casa do vizinho ou no trabalho – deve denunciar ligando para o 180. Não podemos nos calar”, finaliza.

Mais dados sobre a violência contra a mulher

  • Tentativas de feminicídio: aumento de quase 20% em relação a 2023.
  • Local dos assassinatos: 64% dos feminicídios ocorreram dentro da casa das vítimas.
  • Agressor: em 97% dos casos, o autor era o companheiro ou ex-companheiro.
  • Violência psicológica: crescimento de 6%.
  • Estupros: 892 casos registrados contra mulheres.
  • Chamadas ao 190: mais de 1 milhão de registros de violência doméstica (média de dois por minuto).
  • Medidas protetivas descumpridas: mais de 100 mil, aumento de 16%.

(Dados do Anuário de Segurança Pública – 2024)