Autor: Postado pelo Sintufrj
Josete Lima, referência das ações voltadas para negros na universidade, foi reverenciada
Na 13ª Semana da Consciência Negra do CT o dia 6 de novembro foi reservado para homenagear personalidades e pessoas que fortalecem, com sua atuação e compromisso, a luta por igualdade e reconhecimento. Na parte da tarde houve a celebração de profissionais da UFRJ, da militância e da sociedade.
Foram homenageados a coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj, Norma Santiago, a professora da Escola de Educação Física e Ouvidora da UFRJ, Angela Brêtas, o biólogo Jorginaldo de Oliveira, o vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro Sidney Pascoutto, e a ativista Pretta Gonçalves.
A organizadora do evento, Josete Lima, uma referência das ações voltadas para os negros na universidade teve sua pessoa e seu trabalho reverenciados pelos participantes. A chacina promovida pela operação policial nos Complexos do Alemão e da Penha dia 28 de outubro não passou em branco no encontro. Ao final uma oficina de danças urbanas com o grupo Comunidança da Escola de Educação Física da UFRJ encerrou o dia.
A abertura da atividade reuniu a superintendente de Ações Afirmativas, Diversidade e Acessibilidade da UFRJ (Sgaada), Denise Góes, o decano do Centro de Tecnologia (CT), Walter Suemitsu, a coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj, Norma Santiago, a diretora adjunta da Coppe, Vanda Borges, e o diretor substituto do Instituto de Macromoléculas, Emerson Oliveira.
Protagonismo negro
Denise Góes celebrou o avanço da discussão sobre questões raciais na universidade. Militante do movimento negro, enfatizou a importância da interlocução com movimentos sociais, incluindo indígenas e quilombolas, e criticou a falta de representatividade e a invisibilização histórica do povo negro. Ela ressaltou a importância de políticas públicas e a mudança na abordagem sobre questões raciais e de gênero, creditando o progresso ao ativismo do movimento negro. Ela afirmou a necessidade de representação e poder negro na universidade, cobrando a aplicação de cotas raciais na estrutura da universidade.
“Quero aqui registrar o protagonismo do movimento negro e de todas as entidades que compõem o movimento negro brasileiro, porque sem a obstinação do movimento negro nós não estaríamos aqui hoje nessa mesa falando da pauta racial. E como diz Nil Marino Gomes, uma grande educadora, tudo o que o Brasil sabe sobre missão racial deve ser o movimento negro. Então, eu trago pra mim sim, trago pro povo negro sim, esse protagonismo dentro da luta. Temos hoje uma representação importante de mulheres negras nessa administração central, que é importante, mas nós precisamos cobrar os 30% de cargos efetivos e comissionados para as pessoas de poder”.
Ela celebrou o empoderamento e o aumento da comunidade negra na universidade. Parabenizou aqueles que abriram portas e lutam por igualdade, criticou a exclusão histórica e defendeu a necessidade de uma universidade mais inclusiva e menos homofóbica. Ressaltou a autoria, a luta e a conquista de espaços como pilares da identidade negra.
“Nós falamos por nós, a história é nossa, do povo negro. Então, parabenizo você, Josete, por ter aberto essa porta, e parabenizo hoje todos os negros e negra, estudantes, técnico-administrativos, que estão na luta nas comissões de heteroidentificação para garantir a efetivação das políticas públicas e enegrecer essa universidade que é muito branca. E nós agora saímos de 3% e hoje configuramos quase 40% do perfil racial dessa universidade. Isso é muito por conta da nossa luta. Nós somos os protagonistas”.
Denise finalizou sua fala destacando a atuação do Sintufrj na luta racial e a importância da Sgaada.
“Desde 1996 o Sintufrj é um parceiro incondicional dessa luta, através do seu jornal semanal, através do GT Antirracismo. Nós temos um GT Antirracismo que discute isso há muito tempo e que sempre foi invisibilizado. Então, através da Sgaada, que é essa superintendência que hoje faz parte da administração central, o tempo de ser pé-de-boi, que é aquele tarefeiro, já se foi. E vamos pensar e elaborar juntos essa universidade negra, menos homofóbica e que dê oportunidade para todos.”
Avanços e oportunidades
O decano do CT, Walter Suemitsu, celebrou as vitórias alcançadas, especialmente na luta contra o racismo, destacando o evento da Semana da Consciência Negra na universidade. Ele parabenizou os homenageados, a equipe organizadora e a comunidade universitária pelo progresso, mencionando o impacto positivo das cotas e a crescente representatividade negra na universidade.
A diretora adjunta da Coppe, Vanda Borges, primeira mulher afrodescendente e técnica-administrativa a integrar a diretoria da Coppe, elogiou o trabalho de Josete e falou que as reflexões possam descortinar novas oportunidades para os pretos e pardos na universidade.
O diretor substituto do Instituto de Macromoléculas, Emerson Oliveira, enalteceu o encontro.
“É um momento em que a gente pode se reunir e refletir sobre a nossa condição, sobre como a gente lida com o racismo. Nós sofremos muito com o racismo estrutural, que apesar de ser silencioso, sutil, ele é cruel, devastador e integrado em nossa sociedade.”
Combate ao racismo
A coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj, Norma Santiago, uma das homenageadas no evento, destacou a importância da união e reflexão sobre o racismo estrutural, assim como é necessário combater o racismo em todas as suas formas e manifestações.
“Queria afirmar a importância desse momento, dessa comunhão de pessoas, para a gente celebrar os nossos ancestrais, pessoas que trabalharam arduamente para que a gente estivesse aqui nesse momento, o momento de celebrar, o momento de reflexões também, principalmente, para reafirmar o local onde nós estamos inseridos e aonde queremos ficar. Apesar da libertação dos negros escravizados, nós continuamos ainda reafirmando o nosso posicionamento, o nosso direito de existir, o nosso direito de estar, e de permanecer onde nós precisamos e queremos. Que a gente possa entender o que é o racismo, o que é um racismo institucional, o que é um racismo estrutural.”
Já na mesa dos homenageados, Norma compartilhou sua identidade e falou sobre a importância de resgatar a história e as conquistas da população negra, citando exemplos como André Rebouças, Juliano Moreira, Maria Olindina e Maria Firmino. Ela enfatizou a necessidade de combater o racismo e as injustiças, como no caso da professora Erika Visto, que teve um concurso público cancelado devido a pressões racistas. Norma ressaltou a importância da luta antirracista e a afirmação da identidade negra.
“O racismo institucional está aí, o estrutural também, então nós temos que estar cada vez mais combatendo. Por que como dizem, não adianta não ser racista, tem que ser antirracista. As pessoas têm que começar a dizer não, não aceitamos mais isso”.
Educação antirracista
A professora Angela Brêtas expressou sua indignação com a operação policial de 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, criticando a “necropolítica” do governo Cláudio Castro. Colaboradora do Sgaada, ela apresentou o projeto de educação antirracista da UFRJ que está sendo implementado no município de Paracambi, desde 2003, nas escolas municipais.
“O projeto visa dialogar com professores, entender os desafios e construir uma educação antirracista verdadeira, focando na compreensão das raízes e manifestações do racismo. Essa experiência de educação na prefeitura de Paracambi, nas escolas de Paracambi, também tem a ver com a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, no sentido de que não há democracia se houver racismo, não há democracia se houver exclusão, não há democracia se houver miséria. A gente luta por uma sociedade na qual todos tenham direito à vida, na qual todos tenham direito a uma vida digna, a uma educação de qualidade e que tenham o seu lugar no mundo garantido, independente de quem sejam, independentemente de sua origem. E é por isso que nós lutamos, é por isso que nós estamos em Paracambi. A Universidade Federal do Rio de Janeiro está em Paracambi fazendo um trabalho que é muito valioso para nós e temos sido muito bem recebidas.”
Representatividade negra
Jorginaldo de Oliveira, biólogo com mestrado e especializações, trabalha com conservação e educação ambiental. Ele compartilhou sua experiência, destacando a importância da universidade para crianças de escolas públicas e a abertura da UFRJ para projetos de inclusão.
O técnico-administrativo lembrou a importância da ancestralidade e da representatividade negra na universidade, destacando a mudança em relação ao passado. Ele enfatizou a necessidade de compartilhar histórias e conquistas para inspirar os alunos e impulsionar o crescimento.
Jorginaldo que ocupa diversas posições de destaque na universidade – representante técnico do seu departamento, representante técnico do Instituto de Biologia, representante técnico do Conselho de Centro do CCS, único representante técnico administrativo na Coordenação de Biodiversidade de toda a universidade e negro – em sua fala priorizou ouvir e incentivar o diálogo, reconhecendo a importância da representação dos negros nos espaços e a sua relevância nas conquistas individuais e coletivas.
Mobilidade social
Sidney Pascoutto, ex-aluno da UFRJ, com graduação em Economia e mestrado em Planejamento Energético, relembrou sua trajetória e a escassez de estudantes negros na universidade na década de 1970.
Ele destacou a importância da democratização do Estado, criticando o sistema de contratações durante o regime militar e a perda do papel do Estado. Falou de sua carreira como professor e pesquisador, ressaltando a necessidade de avanços na sociedade.
Em sua fala, abordou a frustração com o rumo das empresas estatais no Brasil após a democratização.
“Eu e meus colegas, antes, debatíamos o futuro da Eletrobras e da política energética, com foco no controle público e em concursos. Após a democratização, as elites conseguiram desmoralizar a gestão pública, abrindo caminho para privatizações e reformas patrimoniais que silenciaram o debate sobre o destino dessas empresas e seus lucros.”
Ele defendeu a importância das estatais para a juventude, a mobilidade social e a melhoria de vida, especialmente para a população negra.
“Essas empresas são fundamentais para dar perspectiva para a nossa juventude que está saindo das universidades. São elas que podem garantir uma maior acessibilidade do povo brasileiro, do povo negro em especial, à mobilidade social, à mobilidade de renda, a melhores soluções de vida.”
Luta coletiva
Pretta Gonçalves destacou a importância de Josete Lima como referência negra na universidade e elogiou sua atuação. Ela ressaltou a luta contínua das mulheres negras, a força ancestral e a necessidade de resistir às tentativas de marginalização. Enfatizou a importância de manter a dignidade e lutar por reconhecimento, afirmando que a história do Brasil é inseparável do povo negro.
A ativista criticou a operação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, descrevendo-a como um ato de violência e genocídio. Ela questionou a “inteligência” da operação que resultou em mortes sem capturar os verdadeiros chefes do tráfico, acusando o governador Cláudio Castro de usar a ação para fins políticos. Pretta alertou para a necessidade de uma luta coletiva contra o racismo, incluindo a participação de pessoas brancas nessa luta.
“A luta do nosso povo precisa e deve ser coletiva, urge que seja coletiva, para que nós possamos ocupar mais espaços como esse aqui, com mais espaços na academia, mais espaços em centros tecnológicos, mais espaços em posições de poder. Nós já avançamos muito, mas inda há muito que avançar. A gente precisa de pessoas antirracistas que se comprometam, que leiam, que estudem o que é o racismo, que tomem ciência dos seus privilégios, porque talvez você não cometa o racismo, mas você vive dos privilégios que os racistas lá atrás conquistaram.”
Pretta defendeu a importância da interseccionalidade para a democracia, especialmente no contexto da luta das mulheres negras. Relatou experiências de racismo e transfobia em um evento, criticando a exclusão de mulheres brancas e a forma como o feminismo branco e, por vezes, homens negros, tratam as questões raciais. A ativista encorajou a continuidade da busca por espaços de representação e empoderamento, citando o exemplo de iniciativas como essa dentro da universidade e reiterando a afirmação de que “as mulheres negras não pedem liberdade, mas a conquistam.”



Governo e entidades representativas do funcionalismo, na Mesa Nacional de Negociação Permanente, assinaram, na quarta-feira, dia 5, termo de compromisso com reajuste de 17,5% no auxílio-alimentação. Portaria do Ministério da Gestão e Inovação publicada no Diário Oficial da União aponta o reajuste que entra em vigor a partir do dia 1º de dezembro, quando o auxílio passa de R$1.000,00 para R$ 1.175,00.
Segundo o MGI, a depender da aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual, também serão reajustados o auxílio pré-escolar e o auxílio-saúde com base na variação do IPCA desde o último reajuste.
Se, para o governo, “representa mais um avanço na agenda de valorização das pessoas que atuam no serviço público”, para a Fasubra, que tem uma análise crítica, é insuficiente. Está longe de garantir a isonomia de benefícios entre os três poderes.

Fasubra apresenta ponderações que não foram consideradas
A direção nacional da Fasubra, em ofício no dia 6 ao MGI, informando que considera que a proposta apresentada pelo Ministério insuficiente para atender o pleito de equiparação dos benefícios com os demais poderes da União, e apresentou ponderações. Veja a seguir:
1) Auxílio-alimentação
A FASUBRA tem deliberação de suas instâncias para a defesa incondicional de que qualquer reajuste, salarial ou de benefícios, sejam iguais para ativos, aposentados e pensionistas. Portanto não podemos aceitar que os aposentados fiquem de fora, mais uma vez.
Assim como a defesa incondicional da equiparação dos benefícios entre os três poderes. Portanto não podemos aceitar que o reajuste dos benefícios seja menor para os servidores do Executivo, enquanto o auxílio-alimentação do Judiciário e do Legislativo, hoje, já está no valor de R$1.784,42.
A Fasubra propôs que:
O auxílio-alimentação seja transformado em auxílio nutrição, desta forma os aposentados e pensionistas poderão ser contemplados com o benefício e, consequentemente, o seu reajuste, com realização de reunião para resolução, com prazo até 180 dias.
Propôs ainda que o reajuste do auxílio-alimentação/nutrição fosse de 80% do valor atual de R$ 1.000,00, com implementação em duas parcelas: R$400,00 em dezembro deste ano; R$400,00 em abril de 2026, elevando o valor do auxílio-alimentação/nutrição para R$1.800,00.
2) Saúde Suplementar
O benefício da Saúde Suplementar não é um auxílio. É um ressarcimento para os servidores que têm Plano de Saúde contratados por operadoras que são credenciadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Neste sentido, a Fasubra propôs que:
– O ressarcimento seja transformado em auxílio-saúde, assim mais servidores poderão ser contemplados com o benefício e poderão utilizá-lo para sua necessidade de saúde;
– O reajuste do auxílio-saúde seja, no mínimo, de 30% sobre os atuais valores, considerando a inflação média dos custos médico-hospitalares acumulada desde abril de 2024;
3) Auxílio Pré-Escolar
A FASUBRA-Sindical tem deliberação de suas instâncias da defesa incondicional da equiparação dos benefícios entre os três poderes. Portanto não podemos aceitar que o reajuste dos benefícios seja menor para os servidores do Executivo, enquanto o auxílio pré-escolar do Judiciário e do Legislativo, hoje, já está no valor de R$1.235,77.
Neste sentido, propomos que:
- o reajuste do auxílio pré-escolar do atual valor de R$484,90, com implementação em duas parcelas: R$244,95 em dezembro deste ano; R$244,95 em abril de 2026, elevando o auxílio pré-escolar do Executivo para R$979,80, definindo prazo para alcançarmos a equiparação com os outros poderes.
4) Reajuste das diárias pagas aos servidores que trabalham fora da sede em razão da natureza da atividade
- Reajuste das diárias pagas aos servidores que trabalham fora da sede em razão da natureza da atividade
O último reajuste das diárias para servidores públicos do Poder Executivo federal foi em janeiro de 2024 e o novo valor das diárias para a maioria dos cargos é de R425,00, para pagar hospedagem, alimentação e transporte. - Esse valor hoje praticado, é insuficiente para que os servidores possam arcar com o pagamento da hospedagem, alimentação e transporte sem tirar dinheiro do próprio bolso, ou seja, na maioria dos casos, os servidores têm que pagar para trabalhar.
A inflação no setor hoteleiro em 2025 foi marcada por aumentos de tarifas e diárias acima da inflação geral.
Neste sentido, propomos que: o reajuste das diárias pagas seja, no mínimo, de 30% sobre os atuais valores, considerando a inflação média dos custos no setor hoteleiro acumulada desde janeiro de 2024, para reajuste a partir de abril de 2026.
No pagamento da folha do mês de setembro de 2025, dezenas de servidores e pensionistas foram surpreendidos com a realização de descontos em seus contracheques sob a rubrica DECISÃO JUDICIAL-DEP. EM JUÍZO.
O Sintufrj obteve informação de que o desconto teria sido realizado em decorrência de um Ofício enviado pelo TRF da 2ª Região à UFRJ, solicitando que a universidade retivesse a contribuição previdenciária que deixou de ser descontada quando do pagamento de valores decorrentes de ações judiciais. O ofício do TRF2 foi acompanhado de uma listagem de cerca de 90 nomes de servidores que receberam passivos decorrentes de ações judiciais.
O Sintufrj então ajuizou ação coletiva visando impedir os descontos, pois a medida foi implementada pela UFRJ sem qualquer comunicação ou aviso prévio aos servidores afetados, que só souberam dos descontos através da prévia dos contracheques.
Considerando a violação ao princípio do devido processo legal e o impacto na renda mensal dos servidores substituídos pelo Sintufrj, o juízo da 34ª Vara Federal deferiu a liminar pleiteada pelo sindicato. Contudo, como não houve tempo hábil para evitar os descontos, a UFRJ informou ao juízo que os valores descontados dos servidores e pensionistas foram creditados na folha de outubro/2025.
“Como a administração incluiu o desconto na prévia do contracheque sem oportunizar aos servidores o contraditório e a ampla defesa, apenas atendendo à orientação dada pelo TRF2 em ofício enviado à UFRJ, não é possível sequer saber se esses valores são efetivamente devidos. Dentre os processos indicados pelo TRF2, nós identificamos, por exemplo, um caso de indenização por desvio de função, que não se sujeita ao desconto de contribuição previdenciária, justamente pela natureza da verba, que é indenizatória”, esclarece a advogada Aracéli Rodrigues, do escritório Cassel Ruzzarin Santos Rodrigues, que assessora o sindicato.
O SINTUFRJ segue acompanhando o caso e atuará, através de sua assessoria jurídica, para que a liminar seja confirmada na sentença.

A trajetória de André Rebouças e José Agostinho dos Reis, dois ilustres professores da Escola Politécnica da UFRJ no século XIX, ambos negros e líderes abolicionistas, que romperam barreiras e abriram caminhos para as gerações futuras, foi devidamente reverenciada na 13ª Semana da Consciência Negra do Centro de Tecnologia (CT). Na terça-feira, 4, um espaço em memória aos homenageados passou a ocupar permanentemente uma parte do hall do Salão Nobre da Decania.
Na manhã de quinta-feira, 6, fatos relevantes da vida dos dois destacados personagens que conviveram na universidade foram revistos pelo professor aposentado do CT e pesquisador, Heloi José Fernandes Moreira, e pelo técnico em assuntos educacionais do Museu da Escola Politécnica e historiador, Hyago Carneiro Thomaz. A atividade, que prosseguiu à tarde, é organizada anualmente em novembro, Mês da Consciência Negra, pela Comissão Interna de Eventos da Decania do Centro.
Os homenageados
É provável que poucos estudantes das 11 especialidades de engenharias ministradas na Escola Politécnica saibam que, por vários anos, a partir de 1883, André Rebouças foi professor de engenharia civil na antiga unidade acadêmica que deu origem a atual, e era aclamado pelos seus alunos. “Pensar sobre ele é gratificante. Era extremamente meticuloso, fazia um diário onde anotava tudo, desde a hora que acordava até ir dormir. Um personagem dos mais citados e estudado do século XIX”, disse Heloi.
Nas suas pesquisas sobre o primeiro engenheiro negro formado na Escola Militar, baiano da província de Cachoeiras, nascido em 1838, Heloi descobriu que na entrada de Rebouças na carreira acadêmica, em 1867, correu um fato inusitado: “o Jacintho Luiz de Souza, um porteiro do prédio no Largo de São Francisco que o avisou que haveria concurso para docência na Escola”.
“Suas aulas eram preparadas cuidadosamente, com muita clareza. Seus alunos, que considerava como filhos, receberam uma formação bem atualizada. Se identificava com Pitágoras (filósofo e matemático grego) e Leon Tostoi (filósofo e romancista russo)”, resumiu Heloi. Era humanista e acreditava que nenhum animal da espécie mais insignificante deveria ser morto”, relatou o professor.
Apesar de abolicionista fervoroso (junto com José do Patrocínio e outros fundou a Confederação Abolicionista) por ser muito amigo de D. Pedro II era considerado monarquista. Inclusive, seguiu com a família real para o exílio, após a Proclamação da República. Segundo Heloi, ele defendia a ideia de democracia territorial, a reforma agrária, para que após a abolição, os ex-escravizados tivessem terras para não depender de senhores. Este também seria o pensamento do imperador.
A genialidade de André Rebouças na idealização e execução de projetos grandiosos da engenharia civil, sua produção de obras importantes para a área, dedicação a causa abolicionista e seu caráter humanista renderam ao ex-professor da Politécnica lugar de destaque na sociedade brasileira e nome de túnel no Rio. “Rebouças achava que D. Pedro queria fazer a democratização da terra, era contra o clero, mas acreditava em Deus, concordava com os positivistas em alguns pontos, no entanto, não seguia essa corrente filosófica. Ele produziu muito material para estudo”, concluiu o palestrante.
Heloi doou à Biblioteca da Politécnica um livro com a assinatura de André Rebouças que comprou em 2010 em um sebo: “Manual de Engenharia de Estrada de Ferro”, de 1882. A bibliotecária Janaina Silva recebeu o presente.
Um ex-escravizado na Politécnica
“O 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, é muito importante porque nos faz recapitular a história de conquistas políticas do movimento negro, a partir da mudança de perspectiva em relação ao 13 de maio, quando a Abolição da Escravidão era vista como uma concessão da princesa Isabel. E isso se deu no final da década de 70, observou Hiago Thomaz, que além de técnico em assuntos educacionais e pesquisador na UFRJ, é professor de História no município de Petrópolis.
Segundo o historiador, André Rebouças e José Agostinho dos Reis são exceções do século XIX, frutos de ações individuais, porque a violência colonial proibia os ex-escravizados de estudarem. “Poucos conhecem sobre Agostinho na instituição (UFRJ), mas ele nasceu escravizado, no Pará, e sua mãe comprou sua alforria vendendo quitutes. Estudou no Convento Santo Antônio como menino livre, porém, a sua condição de liberto criava uma série de empecilhos. A denominação de “humilde” substituía o título de ex-escravizado”, informou o pesquisador.
Ao ganhar um prêmio e o fato ser notícia de jornal, possibilitou a Agostinho seguir em frente. “Veio para o Rio de Janeiro em 1873 e entrou na Escola Central (mais tarde Politécnica), e se formou em 1879 em engenharia civil. Em 1880 disputou com o engenheiro Vieira Souto uma vaga de docência na Escola, sendo aprovado como professor substituto – Vieira ficou com a vaga de titular. “Agostinho contribuiu muito com o estudo da Estatística no Brasil”, disse Hiago.
De acordo com o estudioso, junto com Rebouças, Agostinho criou o Centro Abolicionista da Escola Politécnica e fazia parte da Confederação Abolicionista. Foi na inauguração da entidade que revelou ser ex-escravizado. “Dados históricos registram que Agostinho escreveu e publicou muitos artigos na imprensa, criou núcleos abolicionistas no Pará, onde era sempre recebido com honras, e saia com os alunos às ruas com cartazes contra a escravização. Depois de uma semana de movimento eles conseguiram a libertação de 19 remanescentes escravizados do Largo de São Francisco, onde funcionava a Escola, Mesmo depois do fim da escravidão”, expôs Hiago.
Trabalho nota 10!
É o mínimo que se pode falar da Comissão Interna de Eventos da Decania do CT, realizadora da 13ª Semana da Consciência Negra. Todo mérito aos companheiros: Josete dos Santos Lima, Regina Magalhães, RosanaTorres, Marlene Barbosa, Huascar Costa e Marcia Hermann. FOTOS: RENAN SILVA


Ato convocado pelo Fórum Unificado dos Servidores do Rio de Janeiro fortalecido pela adesão de movimentos de defesa dos direitos humanos e partidos de esquerda foram ás ruas para denunciar política genocida do governador Cláudio Castro (PL). A chacina que resultou em mais de 100 assassinatos pelas polícias (civil e militar) do governo estadual no 28 de outubro foi alvo de repulsa cujo alvo, além do governador abjeto, alcança a extrema direita que usa cadáveres para fazer sua política de sangue. Cartazes, faixas, panfletos exigindo justiça e a deposição do governador genocida deram o tom da marcha que seguiu do Largo do Machado até a rua Pinheiro Machado, onde fica o Palácio Guanabara. FOTOS: RENAN SILVA






“Segurança Psicológica e Mediação de Conflitos no Serviço Público” foi a Roda de Conversa realizada dia 4 de novembro pelos servidores do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ tendo como convidados o Sintufrj e o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho. A atividade fez parte da programação da semana do servidor público da unidade.
Segundo a organizadora da roda, a psicóloga Catharine Varella, há a necessidade de tirar a discussão sobre assédio de um “lugar de batalha” e focar em soluções, como a segurança psicológica no ambiente de trabalho. A psicóloga compartilhou sua experiência, mencionando conflitos passados e a dificuldade de abordar o tema em um espaço público.
Catharine falou sobre a importância da segurança psicológica no ambiente de trabalho e como ela influencia o engajamento e a participação das pessoas. Ela enfatizou a necessidade de discutir problemas, buscar soluções em conjunto e focar em questões profissionais em vez de pessoais.
“A segurança psicológica permite que as pessoas se sintam à vontade para expressar suas opiniões e ideias sem medo de retaliação. Ela é construída por todo o grupo, não apenas pelo chefe, e envolve criar um ambiente de confiança, parceria e diálogo. A comunicação e a forma como ela é feita são cruciais para promover essa segurança”, destacou.
Mediação
Adriana Rosalba, advogada do Sintufrj, explicou a mudança na abordagem da pessoa em relação a conflitos, buscando soluções além de ações judiciais, que considera longas e traumáticas(que acabam por não atingir o objetivo de reparação e disciplinar). Ela se formou em mediação de conflitos em 2019, encontrando na mediação uma forma mais humanizada de lidar com as demandas, especialmente em ambientes de trabalho. A advogada, apesar de não atuar como mediadora no sindicato, afirmou que a formação em mediação transformou sua forma de atendimento, priorizando a escuta, o acolhimento e a compreensão dos sentimentos das pessoas, em um contexto de crescente diversidade nos ambientes de trabalho.
Ela defendeu a mediação como método para solucionar conflitos, especialmente no ambiente de trabalho, focando na UFRJ e no combate ao assédio. Acredita na mediação como uma forma de promover o diálogo, a empatia e a conscientização, em vez da punição. Ela criticou a terceirização da resolução de conflitos e destacou a importância de entender as histórias e crenças individuais (que afloram nos conflitos ou demandas) para melhorar as relações e o bem-estar dos trabalhadores.
Adriana aponta a necessidade de a UFRJ estar engajada neste tema, adotando iniciativas efetivas para intervir nos conflitos e assédios e elogia o trabalho do sindicato nesse sentido.
“Eu acho que o sindicato teve sim um protagonismo nessa questão do assédio durante muito tempo. A gente recepcionava, mas a gente tinha essa dúvida de como tratar essas questões de assédio, porque muitas vezes é institucional. A UFRJ precisava atuar de uma forma mais eficaz. Atualmente há tentativas por parte da instituição. Acho que culturalmente as pessoas procuram o advogado para dar voz, mas as relações estão cada vez mais deterioradas. O que eu vejo hoje, em nossos atendimentos, o que é lamentável, são muitos conflitos nos ambientes de trabalho, que, mal manejados, podem virar assédio. E agora essas questões estão passando pelo Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral.”
Conflito e Assédio
Anaí Estrela e Aline Assis, ambas assistentes sociais, uma aposentada e outra da Coordenação de Políticas de Saúde do Trabalhador (CPST), integram o recém-criado Departamento de Enfrentamento ao Assédio Moral e Conflito no Ambiente de Trabalho do Sintufrj.
Segundo Anaí, a iniciativa surgiu da necessidade de atender casos que não eram devidamente amparados e envolve mediação e escuta atenta dos servidores.
“Essa é uma luta difícil, pois nem todos os problemas são assédio e é preciso cuidado para identificar outras questões. É preciso acolher e ouvir os servidores, reconhecendo as dificuldades enfrentadas e a necessidade de lhes dar apoio ”, observa. “Detectamos mais conflitos do que assédios. E vimos o quanto os servidores estão doentes. A maioria quer ser acolhida e ouvida”, completa Anaí.
Aline Assis afirma categórica que existe o assédio na UFRJ sendo necessário ter um local para o atendimento dos casos. A assistente social sustenta que o Sintufrj e os profissionais têm papel fundamental no combate ao assédio.
“O sindicato tem papel fundamental nesse processo. Nós assistentes sociais também, pois há o conflito e a violência laboral no local de trabalho, onde passamos a maior parte do tempo”, opina Aline.
Diálogo e Participação Coletiva
O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, reafirmou o compromisso da gestão de combate ao assédio moral na universidade. Em sua fala abordou a necessidade de melhorar o tratamento dado em relação ao assédio, com sensibilidade e ação, além da ajuda. Ele mencionou a importância da realização de um trabalho educativo e a consolidação de protocolos para atender as situações e evitar conflitos.
O dirigente chamou a atenção para a importância do diálogo e da participação coletiva para construir uma universidade mais justa e inclusiva. Francisco criticou a manipulação política e a desvalorização de grupos minoritários. Ele defendeu a importância da formação, da organização sindical e da valorização das discussões abertas para garantir a liberdade de expressão e a melhoria da instituição.


CABE TODO MUNDO, NO MUNDO!
Reunião de encerramento de atividades de 2025 da Coordenação de Aposentados (as) e Pensionistas.
Quarta-feira, 19 de novembro, 10h, no Espaço Cultural do Sintufrj
Pauta: informes gerais e confraternização

Participação
- NORMA SANTIAGO
- Coordenadora de Políticas Sociais do Sintufrj
- MARCELO DIAS
- Diretor Cultural do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras
- LUCAS VIEIRA FLORENÇO
- Aluno de Jornalismo/PUC e Mestre de Cerimônias
6 DE SETEMBRO
14H – Salão Nobre da Decania do CT

Além do lançamento do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj, nesta quarta-feira, 5 de novembro, um vídeo produzido pela Coordenação de Comunicação e por profissionais do Decos será exibido nas redes sociais da entidade, às 17h.
“Festa da Democracia celebra os 40 anos do Jornal do Sintufrj” Este é o tema deste ano da tradicional festa de confraternização de final do ano do Sintufrj, no dia 12 de dezembro, das 11h às 17h, no Garden Party, em Jacarepaguá (veja detalhes no edital publicado na edição 1463 e no site da entidade). Mas a programação especial para marcar o aniversário do Jornal do Sintufrj começa já!
Hot Site comemorativo
Nesta quarta-feira, 5,há também o lançamento do Hot Site: espaço exclusivo no site do Sintufrj, onde você poderá conhecer um pouco da atuação da publicação nestas quatro décadas e os eventos programados para marcar a celebração. Confira através do link
https://sintufrj.org.br/40-anos-do-jornal-do-sintufrj/
Ou pelo QR code:

Galhardete – No dia 10, haverá a divulgação do selo comemorativo dos 40 anos do Jornal do Sintufrj por meio de um galhardete afixado em ponto de destaque na Cidade Universitária.
Live – A comunicação sindical na era digital. Esse é o tema da live que o Sintufrj vai transmitir, do estúdio da SGCom, no dia 18 de novembro, às 11h.
Em dezembro
- Debate – No dia 2, às 18h, João Pedro Stedile, do MST e outros convidados, debaterão “Democracia e soberania”.
- Um Jornal Especial trará as 40 capas que marcaram os principais momentos da história da categoria.
Na festa de fim de ano
- Exposição das capas mais marcantes do Jornal do Sintufrj
- Lançamento do documentário “Nossa história de lutas”.
- Divulgação do Calendário 2026, digital. Tema: “Democracia”
