Em meio a uma conjuntura em que se comemora a condenação de golpistas pelo STF, e a consolidação da democracia no país, a Câmara dos Deputados, de maioria claramente avessa aos interesses do povo, aprova, em plena madurada do dia 17, uma PEC para blindar os seus, ampliando a proteção de parlamentares em investigações e processos penais.
O texto principal da Proposta de Emenda Constitucional 3/201, conhecida como a PEC da Blingadem, foi aprovado por 353 a 134 votos no primeiro turno e por 344 a 133 no segundo.
Depois da votação de destaques (hoje, 17), a PEC segue para o Senado, e também precisa ser aprovada em dois turnos. Segundo o jornal Brasil de Fato (BdF), sem necessidade de sanção ou veto presidencial.
Já está sendo chamada da PEC da Bandidagem
Na prática, a proposta de emenda à Constituição, defendida pela bancada bolsonarista e pelo Centrão, possibilita uma proteção inédita para parlamentares, altera remas como medidas cautelares, abertura de processo e foro privilegiado.
“É PEC da bandidagem, não tem outro nome! No caso de qualquer crime cometido por um parlamentar, isso vai ser submetido à análise da Câmara dos Deputados: em primeiro lugar, se a Mesa autoriza a investigação; depois se autoriza a prisão”, disse a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol-RS) durante a votação, como registrou ou BdF
Ela mostra que o foco é qualquer crime: assassinato, pedofilia, estupro, corrupção. “E vários querem se blindar com esta PEC, vários têm inquérito lá no Supremo Tribunal Federal acerca do orçamento secreto, instituído no governo Bolsonaro”, concluiu.
O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), disse que a proposta não passará no Senado porque não há maioria absoluta para a aprovação (49 votos). O projeto precisa ser analisado pela CCJ antes ir ao plenário, e a rejeição do presidente da comissão pode definir o destino da proposta.
PEC da Blindagem já enfrenta reações
“VERGONHA! VERGONHA! VARGONHA!”, os comentários, à notícia da aprovação da PEC no site da Câmara dos Deputados, se sucedem neste tom. O mais suave é “Lamentável”. Um deles completa: “Além de defenderem só interesses próprios ainda querem blindagem”.
“A certeza da impunidade é a única conclusão possível frente à aprovação da PEC 3/2021 pela Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (16). Na opinião da Transparência Internacional – Brasil, essa PEC também mostra a priorização das pautas corporativistas em prejuízo dos anseios da população”, diz manifesto da organização.
Para a Transparência Internacional, a exigência de aprovação, pelo Congresso Nacional, para o avanço de investigações e processos contra parlamentares, (como previsto pela PEC), representa uma anistia prévia por todos os tipos de crime, incluindo desvios envolvendo emendas parlamentares, crime organizado e atos golpistas.
Uma regra semelhante vigorou no país entre 1988 e 2001. Neste período, segundo a Transparência Brasil, foram enterradas 253 investigações contra parlamentares e apenas uma foi autorizada. Do total, 210 investigações não foram adiante porque o Congresso simplesmente se omitiu – em outras 43 oportunidades, o Congresso rejeitou o avanço das investigações.
A ONG lembra que os parlamentares federais já controlam, hoje, mais de R$ 50 bilhões por ano em emendas. ´”Apesar disso, se mostram avessos a qualquer tipo de medida de transparência ou controle e se preocupam mais com a possibilidade de responsabilização pelos desvios do que com a necessidade de interrompê-los”.
A urgência da blindagem se justificaria, então, justamente diante do avanço das investigações sobre estes desvios, que, diz a Trânsparência, já alcançam quase uma centena.
Sindicato liderou a resistência à política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso e organizou a luta contra um reitor/interventor
Há exatos 32 anos, 17 de setembro de 1993, na primeira metade dos anos 1990 que antecedeu a dura política neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso, os técnico-administrativos da UFRJ galgaram mais um degrau de organização classista ao decidir em Congresso a transformação da nossa então Asufrj no Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ – Sintufrj.
O sindicato liderou a categoria no embate com o governo FHC que congelou por oito anos os salários, acelerou a privatização das empresas estatais e promoveu uma intervenção na UFRJ com a imposição de Henrique Vilhena de Paiva, o terceiro votado na eleição para reitor. A Reitoria foi ocupada por 44 dias e o Sintufrj esteve à frente na luta contra a intervenção que atravessou os anos de 1998, 2000, 2001 e 2002.
Foi nos anos 2000 que a organização dos trabalhadores da UFRJ mostrou sua força construída nos anos de resistência ao neoliberalismo de FHC. A categoria realizou a mais importante manifestação da greve do funcionalismo com mais de três mil fechando a Linha Vermelha, na altura da Ilha do Fundão.
Nos anos seguintes e com a chegada do PT ao governo, o Sintufrj seguiu junto aos trabalhadores, defendendo a instituição de uma carreira própria, lutando por salários dignos, defendendo a universidade pública, a autonomia universitária, nossos hospitais universitários, brigando pelos espaços de poder na universidade e defendendo a identidade do trabalhador em educação.
Resistimos ao golpe contra Dilma Rousseff, ao golpista Temer, ao governo de extrema direita de Jair Bolsonaro. Levantamos com orgulho a bandeira da democracia e da defesa da ciência, do conhecimento e da educação pública. Lutamos contra a privatização da saúde, fomos resistência na adesão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na UFRJ e contra as reformas da Previdência, Trabalhista e Administrativa. Lutamos por mais orçamento para a Educação e viemos combatendo a exploração dos trabalhadores terceirizados.
Pauta ampliada
Em nossa casa criamos Grupos de Trabalho com a participação da categoria para tratar de nossas demandas específicas, abraçar os grupos minoritários e combater preconceitos. Ocupamos Brasília em várias Caravanas organizadas pelo sindicato e pintamos o planalto Central com nossas bandeiras.
Nesses 32 anos não saímos jamais das ruas porque acreditamos que os trabalhadores unidos, e foram muitas campanhas unificadas do funcionalismo e da classe trabalhadora, podem levar adiante o sonho de uma sociedade mais justa, igualitária e contra a barbárie capitalista que explora e mata.
A participação dos companheiros aposentados na construção e fortalecimento do Sintufrj teve e tem importância fundamental.
FOTOS: ACERVO SINTUFRJ
TRABALHADORES LOTAM O ROXINHO. O Sintufrj sempre extraiu da mobilização a sua forçaASSEMBLEIA NO HALL DO CENTRO DE TECNOLOGIA (CT): um dos cenários da mobilização dos anos 1990A TRADIÇÃO DE OCUPAR AS RUAS nas jornadas de resistência se manteve desde épocas anteriores
A série de reuniões de dirigentes do Sintufrj com trabalhadores na base teve continuidade nesta terça-feira (16) no Instituto de Computação. A pauta teve como itens informes gerais sobre ações judiciais; a luta pelo cumprimento do acordo de greve (RSC, 30h, regra de transição etc) e a reforma administrativa. Hoje, a dose se repete na CPST às 10h 30.
É o tema do encontro promovido pela Comissão Interna de Eventos da Decania do Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ no dia 17 de setembro, às 14h. A iniciativa é em apoio à Campanha Setembro Amarelo que, em 2025, tem como mote “Agir salva vidas!”. O evento será online e transmitida ao vivo pelo Yutube da unidade: https://bit.ly/youtubedoct.
Participarão como convidados: Rhawy Chagas Ramos, psicanalista clínico, teólogo, filósofo e professor no Centro de Estudos de Terapias e Psicanálise (Cetep) do Rio de Janeiro, e Beatriz Miyata, psicóloga e preceptora da equipe Sentidos da Vida, vinculada ao Centro de Acolhimento e Suporte Acadêmico (Casa) – projeto coordenado pela Escola Politécnica e pela Escola de Química da UFRJ, em colaboração com o CT.
Antônio Carlos da Rocha Alves, 67 anos, é técnico em enfermagem desde 1983 no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), atualmente no setor de Tomografia. Mas sua história vai além de servidor da UFRJ há 42 anos. No mundo do samba, ele é o Tonho de Rocha Miranda, intérprete, percussionista, compositor e mais recentemente, produtor. Na sua unidade de trabalho é o Tonho Boca de Cantor. Músico com mais de 600 composições.
Tonho se orgulha de servir ao público na UFRJ, aonde chegou muito jovem e aprendeu muito na sua posição de técnico-administrativo em educação. Só lamenta os problemas que a sua unidade hoje enfrenta. Ele define como socialista por querer um mundo mais igual para todos e isso se reflete nas ações de solidariedade para com os colegas de trabalho. O Sintufrj para Tonho é uma ferramenta de defesa do trabalhador. Se sindicalizou em 1983 e foi coordenador da entidade em 2010.
Carinho e respeito
Foi da turma do HUCFF que ganhou o apelido de Boca de Cantor, por inspiração da amiga Marlene Aparecida, a Marlene Furacão, da Ortopedia. Ela o acompanhou num show e ao vê-lo no palco gritou: “O meu amigo Boca de Cantor”. Era 1985 e no plantão seguinte, todo o hospital já sabia da história do “Toninho Boca de Cantor”, conta.
Natural de Colégio, filho de mãe baiana e pai pernambucano, Tonho tem a música no sangue, como seu irmão e tios. Com quatro anos, subiu no palco na festa da igreja em Areia Branca, Belfort Rocha, e cantou um samba com a banda que se apresentava. Seu avô, Aurelino Rocha Moita, foi regente e na década de 50 era o maior trompetista da Bahia e um dos maiores do Brasil, registra orgulhoso. “Eu acho que veio daí (minha vocação). Meu avô era compositor de clássicos e valsa. Eu sou compositor de todas as vertentes de samba. Mas também componho outros ritmos. Até hip-hop e axé”, diz.
Conta com orgulho que é afilhado de crisma de Beto Sem Braço, o grande compositor da Império Serrano, autor de inúmeros sambas-enredos, entre os quais “Bum Bum Paticumbum Prugurundum”, que garantiu o título de campeã para a escola em 1982.
Talento e obstinação
Ainda muito jovem passou a frequentar as escolas de samba e a compor para os blocos locais até estrear como compositor de samba-enredo, com seu irmão e outros parceiros, na Unidos de Uraiti, em Colégio, e Unidos da Vila de Santa Tereza, em Rocha Miranda. Com sete amigos fundou o grupo Só Samba, do qual era intérprete. Fez muitos shows em casas noturnas das zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro e no interior do Rio e Minas Gerais. Chegou a substituir o Fundo de Quintal em algumas oportunidades. E acompanhou nomes como Elza Soares e Neguinho da Beija Flor.
“De Rocha Miranda”
Em 1985, completou os versos que faltavam num botequim em Rocha Miranda de uma primeira versão de um samba de Bebeto Di São João com Raimundo Barros Filho. No dia seguinte, foi chamado à gravadora para assinar o contrato. O disco saiu e na autoria de “Cara de Anjo”, nome da composição, constava seu nome, Tonho, ao lado de Bebeto e Raimundo.
No lançamento do disco na Rádio Tropical, Bebeto contou sobre a parceria com um Tonho, em Rocha Miranda. “Acabou a entrevista e eu fui para Colégio. Quando eu cheguei no bar lotado, o pessoal perguntou: ‘Quer dizer que você é de Rocha Miranda?” Aí eu falei com o Bebeto que o pessoal estava chateado. Ele respondeu: ‘Então acabei de batizar você. Sou teu padrinho do nome artístico: Tonho de Rocha Miranda’, e o assunto foi encerrado”.
Parceiros de fé
Bebeto é autor de versos conhecidos, como “Se gritar pega ladrão” (do samba “Reunião de Bacanas”), com Ary do Cavaco. Tonho, aliás, já gravou essa música com ele. Entre o final da década de 80 e o início de 90, escolas como Mocidade Independente de Inhaúma e o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo desfilaram na Rio Branco com sambas de autoria de Tonho de Rocha Miranda com outros parceiros. Disputou em escolas como Império Serrano e Salgueiro, Portela e Vila Isabel, chegando, em algumas, à semi-final e até à final.
Resistir
Com Nilson Athayde, Tonho gravou um samba político: “Fio da mesma meada”, que tem versos incisivos como “Vamos resistir a quem candonga / a quem rasga livros e quebra lápis. Quem faz das seringueiras, cacetete pra nos açoitar. Vamos resistir. Somos fio da mesma meada, patrimônio comum a toda a humanidade. (…) Chegou a hora de acendermos os candeeiros. Pra clarear, iluminar o mundo inteiro e livrar nossas crianças desse imenso cativeiro”, dizem os versos. “Se fosse na década de. 70, os caras mandavam sumir comigo”, acredita.
Na década de 90, seguiram-se mais parcerias até a gravação de um samba só seu, que lhe rendou um carro zerinho: “Ouro da minha mina”. Mas a meta não era o dinheiro: “O sambista de fato, o compositor de fato, nunca põe o dinheiro em primeiro plano. A expectativa dele é saber até onde vai alcançar a obra dele. E é desse caminhar que vai vir dinheiro. Tá entendendo? E esse CD eu consegui vender”, afirma.
Mais produção
Tonho começou, ele mesmo, a produzir sua obra, como a coletânea “Samba da Velha Escola”, com 16 músicas (das quais cantou duas, de sua autoria), que também rendeu shows. Fez várias parcerias e partiu para o CD “Caminhando com a Batucada”, para a qual gravou sambas de sua autoria e dividiu interpretações. Viajou pelo interior dos estados do Sudeste com este trabalho.
Ouça em https://www.suamusica.com.br/antoniocarlosrochaalves
No final doa anos 1990, gravou um samba em homenagem a uma entidade da umbanda chamada “Dona Rosa”, que rendeu várias apresentações em universidades, casas noturnas e no Samba Buraco do Galo, projeto cultural que chegava a reunir de 2.500 pessoas em Oswaldo Cruz. Então foi convidado para uma coletânea que vendeu milhares de cópias. Com isso, chegou a se apresentar numa das comemorações do Dia Nacional do Samba, no palco principal do tradicional reduto de sambistas, com Beth Carvalho.
Alta produção
“Eu sou um compositor que canta. E eu não sou um cantor”, esclarece Tonho. Tanto que ganhou, com outros cinco autores, o enredo de uma escola de samba de Belo Horizonte para o carnaval de 2026 e gravou com a cantora da cidade, Aninha Felipe, um samba de sua autoria: Guerreira Mulher.
No momento, está lançando os cantores Guto Cesário, com a música “Sal Marinho”, que deve sair em dois meses nas plataformas digitais, e Marcelo Toledo, de Gurupi, Tocantis, com músicas de sua autoria e parceiros, coletânea “Trajetória do Sambista Apaixonado”, prevista para breve.
Ele também participou de uma outra coletânea: “No quintal do BHZ” (um estúdio em Guadalupe e futura casa shows), esperado para daqui a dois meses, com duas faixas como compositor, sendo uma delas também como intérprete: “Amarra a saia, Maria” e Mulher, o doce mais doce”.
Coleção está em todas as plataformas
E a sua coletânea “Nas graças dos Orixás”, composta de 12 músicas feitas com parcerias, já ganhou, em um ano nas plataformas digitais (como Spotify e YouTube), mais de 70 mil visualizações. A festa de lançamento foi no Espaço Cultural do Sintufrj, em maio de 2024 para convidados e parceiros do samba. Agora Tonho planeja um show de apresentação num grande teatro.
Foto: Renan Silva
Tonho da Rocha Miranda conta sua trajetória no mundo do samba
Nesta segunda-feira, 15 de setembro, o mundo celebra o Dia Internacional da Democracia. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem como marco a assinatura da Declaração Universal da Democracia em 1997. O Brasil, ao lado de outras 127 nações, firmou o compromisso de zelar pelos princípios fundamentais que sustentam um Estado verdadeiramente democrático.
O documento é claro em seus pilares: “A democracia se funda no primado do direito, bem como no exercício dos direitos humanos. Num estado democrático, ninguém está acima da lei e todos são iguais perante ela.” Além disso, ressalta que o “elemento chave para o exercício da democracia é a realização de eleições livres e justas, a intervalos regulares, permitindo que a vontade do povo seja expressa periodicamente”.
Para nós, brasileiros, a data carrega um significado ainda mais profundo. Ela nos convida a uma reflexão sobre nossa própria história, marcada por longos períodos de autoritarismo e por uma incansável luta popular pela redemocratização. Como bem recorda a iniciativa “Memórias Reveladas”, do Arquivo Nacional, o período da ditadura militar (1964-1985) representou uma grave e violenta ruptura com esses princípios.
Durante 21 anos, a vontade popular foi silenciada, direitos foram suprimidos e a lei foi submetida aos interesses de um regime de exceção. No entanto, a resistência nunca cessou. Nos anos finais da ditadura, o anseio pela retomada da democracia tomou as ruas do país de forma avassaladora, culminando no histórico movimento das “Diretas Já”, em 1984.
Milhões de cidadãos, de todas as classes e matizes ideológicos, uniram suas vozes em comícios gigantescos para exigir o direito fundamental de eleger diretamente o presidente da República.
Um registro histórico poderoso dessa mobilização é a capa do jornal “Espaço Democrático” de 17 de fevereiro de 1984. A edição, cujo acervo pertence ao Arquivo Nacional e está disponível para consulta pública no Sistema de Informações do Arquivo Nacional (Sian), estampava as manchetes das manifestações que se espalhavam pelo Brasil, refletindo a força e a esperança do povo na reconstrução do país.
Relembrar as “Diretas Já” no Dia Internacional da Democracia é fundamental. É um lembrete de que a democracia não é um direito garantido, mas uma construção permanente. Para nós, do Sintufrj, essa luta assume formas concretas e diárias. O mesmo espírito que levou milhões às ruas por eleições diretas é o que nos move hoje na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.
A luta pela democracia acontece quando brigamos por recomposição salarial justa para todos os servidores, quando defendemos nosso plano de carreira (PCCTAE) de qualquer desmonte, quando denunciamos o sucateamento e os cortes orçamentários que precarizam o trabalho e o serviço prestado à população. Defender a autonomia universitária contra as intervenções e lutar por melhores condições de trabalho nos hospitais universitários é defender um pilar da sociedade democrática. A luta de ontem inspira e fortalece nossos desafios do presente.
Que a memória da luta pela redemocratização nos impulsione a seguir fortalecendo nossa organização sindical, em nossas assembleias e atos, defendendo a cada dia a democracia dentro e fora dos muros da universidade.
Na manhã desta quinta-feira, 11 de setembro, segundo dia da paralisação nacional, os técnicos-administrativos em educação da UFRJ, mobilizados pelo Sintufrj, realizaram um ato de profundo simbolismo e solidariedade: uma doação de sangue coletiva no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).
A iniciativa atende à indicação da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e faz parte da agenda de mobilizações da categoria, que foi aprovada em assembleia geral da base do Sintufrj realizada na última segunda-feira.
O gesto de doar sangue, em meio à luta por direitos, carrega uma mensagem poderosa: a defesa da vida e do Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto o governo federal ameaça os serviços públicos com cortes orçamentários e propostas como a Reforma Administrativa, os trabalhadores respondem com um ato que reforça a importância vital de um hospital universitário para a população.
Presente no ato, o coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, destacou o caráter político e humano da mobilização.
“Essa doação simbólica é um ato de amor pela vida, um ato de amor em defesa do serviço público e um ato de amor para fortalecer a nossa luta para garantir os direitos de nossa categoria, contra a reforma administrativa e pelo cumprimento integral do acordo de greve”, declarou o coordenador.
O coordenador-geral do Sintufrj, Francisco de Assis, saudou os 105 anos da UFRJ – comemorados esta semana – pela importância da instituição para a ciência e para a produção de conhecimento do país. O dirigente reivindicou, no entanto, a participação efetiva dos técnicos administrativos como atores indispensáveis na jornada que fez dessa universidade um espaço de excelência no Brasil.
Num depoimento a um vídeo produzido pelo Sintufrj no qual participam alguns técnicos, o dirigente do sindicato faz uma observação em relação ao futuro: que quando for comemorado o próximo centenário da UFRJ muitos técnicos tenham assumido o cargo de reitor – hoje privativo de docentes.
Para marcar a data, a Reitoria organizou, na segunda-feira (8) uma celebração no prédio do Fórum de Ciência e Cultura na Zona Sul da cidade. Alguns destaques da festa devem ser registrado como a apresentação do Grupo Brasil Ensemble, da Escola de Música da UFRJ, que executou trechos da ópera moçambicana “O Grito de Mueda”, que fala de resistência e liberdade. Outro momento marcante foi a apresentação da Companhia Folclórica do Rio-UFRJ. (FOTOS: RENAN SILVA)
O SHOW DO BRASIL ENSEMBLE na celebração dos 105 anos da universidadeREITOR MEDRONHO, VICE-REITORA Cássia Turci e professores e o bolo dos 105 anos