Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo organizam manifestações em diversas cidades após aprovação do PL da Dosimetria; população afirma que não aceitará que o Congresso siga legislando para beneficiar golpistas.

Fonte: CUT /André Accarini

A população brasileira volta às ruas neste domingo (14), em várias capitais e cidades do país, para denunciar o que movimentos sociais classificam como um limite ultrapassado pelo Congresso Nacional. A aprovação do chamado PL da Dosimetria, é visto pelas organizações populares e por juristas como a anistia para Bolsonaro e seus comparsas golpistas e é, por isso, um grave ataque à democracia e ao povo brasileiro.

A resposta, de acordo com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, das quais a CUT faz parte, precisa ser dada de forma imediata, nas ruas. Por isso, convocam atos em todo o país, no dia 14/12, domingo, com o mote unitário “Sem anistia para golpistas!”

Veja a relação de cidades e locais onde haverá atos

NORTE

RO
Porto Velho – 15h – Praça da Estrada de Ferro

NORDESTE

CE
Fortaleza – 15h – Praia de Iracema, 1750 (Espigão da Rui Barbosa)

PB
João Pessoa – 9h – Busto de Tamandaré

PE
Recife – 14h – Rua da Aurora (não oficial)

RN
Natal – 08h – Av. Roberto Freire / calçada do Ferreira Costa (14/12)

CENTRO-OESTE

DF
Brasília – 09h – Museu da República (Marcha ao Congresso)
Brasília – 14h – Esplanada dos Ministérios (em organização)

MS
Campo Grande – 8h – Avenida Afonso Pena com 14 de Julho

SUDESTE

MG
Belo Horizonte – 09h – Praça Raul Soares
Uberlândia – 09h30 – Praça Clarimundo Carneiro

RJ
Rio – 13h – Posto 5/Copacabana

SP
Araçatuba – 09h – Câmara Municipal
Botucatu – 10h – Em frente EECA
Campinas – 09h – Largo do Pará (não oficial; sujeito a confirmação)
Ribeirão Preto – 15h30 – Esplanada Pedro II
São Paulo – 14h – MASP (Av. Paulista)

SUL

PR
Curitiba – 14h – Boca Maldita (lista não oficial)

RS
Porto Alegre – 14h – Arcos da Redenção

SC
Florianópolis – 09h30 – Ponte Hercílio Luz (Lado Ilha)
Joinville – 17h – Praça Nereu Ramos

Todos às ruas

O motivo para os protestos é a aprovação do projeto na madrugada de quarta-feira (10), às 2h26, por 291 votos a favor, 148 contra e uma abstenção. A proposta, apresentada pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e relatada por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), muda a forma de cálculo das penas para crimes como golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, eliminando o acúmulo aplicado pelo STF. Na prática, o crime mais grave absorve o outro, reduzindo drasticamente o tempo de reclusão dos condenados.

Pela nova regra, a progressão de regime pode ocorrer após o cumprimento de apenas um sexto da pena. Para Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses, isso pode representar pouco mais de dois anos de prisão. O texto ainda prevê vantagens adicionais, como a conversão de dias trabalhados em redução de pena e benefícios a réus que utilizaram tornozeleira eletrônica — medidas interpretadas por opositores como direcionadas aos envolvidos no 8 de janeiro.

A retórica insistente de Paulinho da Força é de que não se trata de anistia. Mas, para a maioria da população brasileira,, movimentos sociais e especialistas há risco direto à responsabilização pelo maior ataque à democracia desde a ditadura militar.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou se tratar de “redução de pena para golpistas assassinos”, destacando que os envolvidos nos ataques planejaram matar o presidente da República, o vice-presidente e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Pressão

A votação também foi marcada por tensão política, repressão à imprensa e dificuldades de transparência, com agressões a jornalistas e até corte do sinal da TV Câmara, episódio considerado sem precedentes desde a redemocratização. Para os movimentos, esses elementos apenas reforçam a leitura de que o Congresso atua em descolamento da sociedade.

Além de exigir que o Senado derrube o PL, as manifestações também incluem pautas como a rejeição ao marco temporal, a defesa dos direitos dos povos indígenas, o fim da escala 6×1 e a ampliação das garantias trabalhistas. Os organizadores afirmam que a mobilização é parte de uma disputa nacional para impedir que a democracia seja corroída por dentro.

O PL da Dosimetria agora seguirá para o Senado, onde o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) já sinalizou intenção de levar o tema diretamente ao plenário, acelerando o trâmite. O governo estuda veto total ou parcial, enquanto ministros do STF apontam a possibilidade de judicialização do texto.

Escolhido para relatar na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o PL da Dosimetria, o senador Esperidião Amin (PP-SC) disse que vai trabalhar para cumprir o prazo e entregar o seu relatório até a quarta-feira (17) na CCJ. O projeto trata das penas dos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

 

Aprovação do PL da Dosimetria gera onda de protestos.

Fonte: ICL Notícia

Em São Paulo, será às 14h, no MASP, na Avenida Paulista. A mobilização surge como resposta à aprovação, pela Câmara dos Deputados, do chamado “PL da Dosimetria”, que reduz penas de Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

A votação ocorreu durante a madrugada dessa quarta-feira (10), em uma sessão marcada por tensão, repressão a jornalistas e decisões aceleradas. Às 2h26, o plenário aprovou o projeto por 291 votos a favor, 148 contra e uma abstenção.

Imagens que circulam nas redes chamam a população às ruas com palavras de ordem como “Congresso inimigo do povo” e “Sem anistia pra golpista”. O ato é convocado por movimentos como Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, entre outros setores da sociedade civil. Os manifestantes pedem:

  • sem anistia para golpistas;
  • rejeição ao marco temporal;
  • fim da escala 6×1;
  • respeito ao trabalhador;
  • enfrentamento a um Congresso que “vira as costas para o país”.

   

Organizadores afirmam que o objetivo é deixar claro que a população não aceitará um duplo padrão de justiça — endurecido para adversários políticos e brando para aliados ideológicos golpistas, envolvidos no maior ataque à democracia desde a ditadura militar.

 

Protesto contra ‘anistia disfarçada’

O texto do “PL da Dosimetria”, apresentado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), altera a forma de cálculo das penas envolvendo os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Pela nova sistemática, o crime mais grave absorve o outro, eliminando o acúmulo de penas que havia sido aplicado pelo STF.

Na prática, a mudança reduz significativamente as punições impostas aos condenados pelos ataques golpistas. Além disso, flexibiliza a progressão de regime, permitindo saída do regime fechado após apenas um sexto da pena. No caso de Bolsonaro, isso poderia reduzir o tempo mínimo de reclusão para algo em torno de 2 anos e 4 meses.

A proposta também concede benefícios a réus que usaram tornozeleira eletrônica e converte dias trabalhados em redução de pena — medidas vistas como direcionadas aos participantes do ataque de 8 de janeiro.

Embora o relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), negue que o projeto represente anistia, o efeito prático tem sido interpretado como tal por movimentos sociais, juristas e parlamentares da oposição.

Aprovação do PL da Dosimetria gera onda de protestos; ato é marcado para dia 14 em SP
Policiais agiram de forma truculenta contra deputados, repórteres, cinegrafistas e fotógrafos. Foto: Reprodução/Redes sociais

A sessão foi marcada por episódios inéditos de repressão dentro do Congresso. Em protesto contra seu processo de cassação, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a presidência da mesa e acabou removido à força pelos seguranças da Casa. Durante a confusão, jornalistas foram expulsos do plenário e o sinal da TV Câmara foi cortado.

O projeto segue agora para o Senado. Pelas regras, deveria passar por comissões, como a de Constituição e Justiça, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), já indicou que tentará encaminhar a matéria diretamente ao plenário, acelerando a tramitação.

Deputado do PSOL contou com forte mobilização de apoio antes da votação

Para a maioria dos deputados, Glauber Braga cometeu um ato considerado “extremo” ao reagir para defender a honra de sua mãe, alvo de ataques de um militante extremista do MBL. Ainda assim, prevaleceu o entendimento de que a cassação seria uma punição desproporcional. Chegou-se, então, ao consenso de que a suspensão por seis meses seria a medida adequada, consolidando o acordo entre a maior parte dos parlamentares.

Momentos antes da votação que determinou sua suspensão, Glauber Braga agradeceu publicamente às pessoas que se mobilizaram em defesa da manutenção de seu mandato.

“Agradeço profundamente a militância que dedica sua vida à luta. É essa força coletiva que me sustenta para seguir enfrentando privilégios, injustiças e autoritarismos, sem recuar um único passo”, declarou o deputado durante discurso no plenário da Câmara.

A deputada Talíria Petrone (RJ), líder do PSOL na Câmara dos Deputados, comemorou a decisão e afirmou que prevaleceu o bom senso, agradecendo aos parlamentares que optaram por uma penalidade mais branda.

“Prevaleceu o bom senso. Como líder da bancada do PSOL, quero agradecer aos deputados que entenderam a gravidade que seria uma pena desproporcional de cassação e acordaram uma penalidade mais branda para o companheiro Glauber Braga. Estamos felizes de manter o mandato combativo do nosso deputado Glauber Braga e conseguir impedir que ele se tornasse inelegível por oito anos”, declarou Talíria Petrone.

 

Sâmia e Glauber vão à polícia após ação ordenada por Hugo Motta

Os parlamentares Glauber Braga (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) foram à 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal para registrar Boletim de Ocorrência e realizar exames de corpo de delito após as agressões sofridas dentro da Câmara dos Deputados.

A ação ocorreu sob ordem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quando a Polícia Legislativa utilizou violência extrema para retirar Glauber Braga do plenário. No momento da abordagem, Sâmia Bomfim, Célia Xakriabá, Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP) tentaram proteger o deputado do PSOL e também acabaram agredidos.

Hugo Motta tem presidência questionada após agressões contra Glauber Braga e jornalistas

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), discursou logo após a violência cometida contra o parlamentar Glauber Braga (PSOL-RJ), que foi agredido pela Polícia Legislativa, e afirmou que Hugo Motta (Republicanos-PB) não tem mais condições de permanecer na presidência da Câmara.

“Vossa excelência [Hugo Motta] está perdendo as condições de continuar na presidência dessa Casa. O que aconteceu no dia de hoje é muito grave, porque vossa excelência foi tolerante quando a turma aqui invadiu, sequestraram a mesa por 48 horas. Vossa excelência não usou da força, não usou da Polícia Legislativa. São dois pesos e duas medidas”, disparou Lindbergh Farias.

Em seguida, Lindbergh Farias afirma que Hugo Motta é responsável pelo caos instalado na Câmara dos Deputados: “O que vossa excelência fez no dia de hoje é uma vergonha. Eu pergunto aos senhores: os golpistas que tomaram conta da mesa, foram cassados? Alguém foi suspenso? Alguém foi afastado um dia sequer? Eu digo: a responsabilidade por essa confusão que aconteceu aqui no dia de hoje é do senhor, é da presidência dessa Casa.”

 

Glauber agredido por ordem de Motta

Por ordem do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Polícia Legislativa usou de violência extrema contra o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que protestava por ser alvo de um processo de cassação forjado.

O parlamentar havia ocupado a mesa da presidência da Câmara, mas foi removido do local. Ele, inclusive, foi enforcado com um mata-leão.

Antes da ação truculenta e desproporcional, Motta determinou de forma autoritária que a imprensa fosse retirada do plenário da Câmara, para que nenhum jornalista testemunhasse as agressões que seriam desferidas contra Glauber. Até o sinal da TV Câmara foi cortado por ordem do parlamentar paraibano que comanda aquela casa parlamentar.

A ação foi alvo de protestos de parlamentares do campo progressista: “Isso é o que está acontecendo agora em Brasília, retirando o deputado Glauber à força com a Polícia Legislativa a mando do presidente Hugo Motta”, afirmou o deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ).

“Quando a direita ocupou aqui, não foi esse o tratamento. Estão nos impedindo de subir ali e manifestar solidariedade ao nosso companheiro. É uma arbitrariedade, é uma injustiça, é desproporcional. Hugo Motta está agora lá no gabinete dele e a Polícia Legislativa retirando violentamente o deputado Glauber”, prosseguiu.

“Além de estar atacando a Sâmia (Bomfim), a Célia (Xakriabá) e nós não estamos podendo subir. O Glauber está sofrendo uma cassação injusta, está reagindo e, na verdade, quando a direita ocupou esse plenário, não foi esse o tratamento. O sinal da Câmara está fechado, a transmissão está interrompida. É uma arbitrariedade, uma violência, uma injustiça. Nós estamos aqui firmes, até o fim”, concluiu o deputado.

Polícia de Hugo Motta agride jornalistas dentro da Câmara

Em meio à avalanche de truculência desencadeada no fim da tarde desta terça-feira (9) dentro da Câmara dos Deputados, determinada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi agredido e levou um mata-leão por realizar um protesto contra o farsesco processo de cassação a que é submetido, uma imagem choca ainda mais.

Após dar uma ordem autoritária e inédita no Congresso Nacional desde o reestabelecimento da democracia, há 40 anos, estabelecendo que toda a imprensa fosse removida do plenário da Câmara para não registrar a violência que seria aplicada contra Glauber, jornalistas foram agredidas de maneira gratuita por agentes da Polícia Legislativa.

As imagens, registradas por um profissional do portal Metrópoles, mostram os policiais subordinados a Motta batendo nos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas sem qualquer explicação, apenas porque eles tentavam acompanhar o que estava se passando no plenário. Até mulheres são alvos das pancadas.

Veja o vídeo:

 

 

PEC propõe redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais no primeiro ano até chegar a 36 horas semanais

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, em votação simbólica nesta quarta-feira (10), uma proposta de emenda constitucional que diminui a jornada máxima de trabalho no país. O texto, relatado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), altera o artigo 7º da Constituição para estabelecer o limite de oito horas diárias, distribuídas em até cinco dias por semana, além de garantir dois dias consecutivos de descanso remunerado, preferencialmente no sábado e no domingo.

A PEC entrou na pauta de última hora, logo após a votação de outra matéria, e foi aprovada em poucos minutos. A inclusão repentina provocou reação do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que criticou a decisão por impedir o pedido de vista.

Segundo Girão, o tema não constava na agenda oficial e foi apresentado “de surpresa”. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), rebateu dizendo que a tramitação não configurou atropelo e lembrou que a proposta já vinha sendo discutida em audiências públicas realizadas ao longo do ano. “Lamento que Vossa Excelência não tenha participado de nenhuma das três audiências públicas que realizamos. Todos tiveram oportunidade de debater”

Escala 6×1 deve ter transição gradual

A PEC estabelece uma implementação escalonada — modelo defendido para garantir previsibilidade às empresas e adaptação do mercado de trabalho. O cronograma proposto é o seguinte:

  • Novo limite constitucional

    Jornada máxima: 8 horas por dia e 36 horas por semana, em até 5 dias.

  • Dois dias seguidos de folga

    Direito a repouso semanal remunerado de 2 dias consecutivos, preferencialmente sábado e domingo.

  • Transição escalonada e sem corte salarial

    40 horas no primeiro ano, com redução anual até chegar a 36 horas.

    Salários preservados durante toda a mudança.

  • Manutenção do limite atual até o fim da transição

    Permanecem válidas as 44 horas semanais até a implementação total.

  • Base técnica e internacional

    Diretrizes da OIT e exemplos de países que já adotam jornadas menores.

  • Evidências nacionais

  • Reduções anteriores não elevaram o desemprego e podem aumentar o rendimento por hora.

  • Impactos para a saúde do trabalhador

    Benefícios para bem-estar, prevenção de doenças e segurança no ambiente de trabalho.

Glauber Braga ressaltou que a ordem para a ação truculenta da Polícia Legislativa foi dada por Hugo Motta

Por Maria Teresa Cruz – Brasil de Fato

Os deputados do PSOL Glauber Braga, Sâmia Bomfim e Célia Xakriabá registraram na noite de terça-feira (9) um boletim de ocorrência na 5ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. Os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Dorinaldo Malafaia (PDT-AP) também acompanharam os colegas.

Mais cedo, Glauber Braga foi retirado à força das dependências da Câmara Federal e agredido pela Polícia Legislativa, acionada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A violência foi precedida de um protesto realizado por Braga, que ocupou a Mesa Diretora em manifestação contrária à votação de sua cassação e do PL da dosimetria, uma versão mais light do projeto de anistia que tem por objetivo atenuar as penas contra Jair Bolsonaro e os outros condenados pela trama golpista.

Deputados do Psol registram boletim de ocorrência por agressão na Câmara e responsabilizam Motta
Glauber ressaltou que a ação dos policiais legislativos foi uma ordem deliberada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. (Foto: Reprodução)

Enquanto Braga era retirado e arrastado pelo Salão Verde da Câmara, um tumulto generalizado se formou e as deputadas Célia Xakriabá, Sâmia Bomfim e alguns jornalistas também acabaram agredidos. Braga e Xakriabá receberam atendimento médico imediato.

Na saída do ambulatório, Braga criticou a atitude de Motta e fez uma comparação com a postura do presidente diante da invasão da Mesa Diretora por parlamentares bolsonaristas em agosto deste ano. “Com aqueles que sequestraram a Mesa Diretora da Câmara, [Hugo Motta] ficou mais de 48 horas usando todo o tipo de ação diplomática. Dessa vez, em poucas horas, ele ordenou o corte das imagens [da sessão transmitida pela TV Câmara], esvaziaram o plenário, bateram na deputada Sâmia e Célia por parte da Polícia Legislativa. As ações do presidente da Câmara falam por si”, afirmou.

A assessoria de Xakriabá enviou uma nota confirmando a informação da realização do registro de ocorrência junto de outros parlamentares colegas de partido. “O gabinete da deputada Célia repudia, de forma veemente, o uso desproporcional de força dentro da Casa do Povo e exige que a Mesa Diretora e a Polícia Legislativa adotem providências urgentes para investigar responsabilidades e assegurar que episódios como este não se repitam”, diz trecho da nota.

Na imagem de cima, parlamentares bolsonaristas invadem a Mesa Diretora da Câmara e travam a pauta por 48h; na imagem abaixo, Glauber Braga é retirado com violência pela Polícia Legislativa após protesto na sessão. (Foto: Instagram/Glauber Braga)

“Também manifestamos solidariedade à imprensa, que foi retirada à força do plenário e impedida de registrar e cobrir os acontecimentos. A restrição ao trabalho jornalístico em um espaço público e institucional é uma violação grave da transparência e do direito à informação, pilares fundamentais da democracia. Reafirmamos nosso compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito, do exercício livre, do mandato parlamentar e da liberdade de imprensa”, conclui.

Enquanto isso, no plenário da Câmara, o deputado Chico Alencar teceu críticas ao presidente da Casa, Hugo Motta, e à ação da Polícia Legislativa. “A sessão estava sendo conduzida normalmente, quando começou a haver uma movimentação estranha. Primeiro, a retirada do plenário de pessoas que não eram deputados. Depois, começaram a retirar os jornalistas. Isso me lembrou o tempo da ditadura. Aqui ninguém foi preso, mas nós tivemos o nosso direito de parlamentar agredido”, pontuou.

A colega de partido Talíria Petrone também criticou a postura de Motta e afirmou que ele “atacou de morte a democracia”. “O senhor tirou a imprensa desse plenário. O senhor também fez algo que não era feito desde a redemocratização que é desligar a TV Câmara. O senhor escolheu uma agenda, a agenda da anistia, da blindagem, dos golpistas”, afirmou.

Em discurso na noite desta terça-feira (9), Motta respondeu às críticas. “Deputado pode muito, mas não pode tudo. Na democracia ele pode tudo dentro da lei e dentro do regimento, fora disso não é liberdade, é abuso”, declarou.

Live da Fasubra no dia 10, quarta-feira, às 18h, vai esclarecer pontos do PL 6170/25, apesentado pelo governo ao Congresso dia 3. No artigo segundo, o PL institui, a partir de abril do próximo ano, uma forma de Reconhecimento de Saberes e Competências que contraria o que foi definido no termo de acordo de greve em 2024. Federação vai apresentar também a minuta de emenda que está preparando substitutiva ao artigo segundo .

Sintufrj conclama categoria à mobilização e pressão sobre parlamentares.

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Live da Fasubra dia 10, às 18h vai esmiuçar PL que institui RSC. Categoria deve estar atenta e pressionar parlamentares pela aprovação de emenda substitutiva que será proposta pela Fasubra. Plenária nacional dias 19 e 20 discutirá encaminhamentos.

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A coordenação do Sintufrj e o Grupo de Trabalho sobre Carreira (GT-Carreira) convocaram os integrantes do GT, nesta segunda-feira, 8, para uma reunião extraordinária, híbrida (havia companheiros on line e presentes no Espaço Cultural), diante do risco para a Carreira que representou o lançamento, pelo governo do Projeto de Lei 6170/2025, encaminhado pelo governo ao Congresso no dia 3 de dezembro, que institui, entre outras medidas, o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, a partir de 1º de abril de 2026.

Seria uma boa notícia, já que o RCS é reivindicação da categoria e termo do acordo da histórica greve de 113 dias em 2024, não fosse o fato de que o PL acabou se traduzindo num verdadeiro cavalo de troia, como aponta a coordenadora-geral da Fasubra Cristina Del Papa, com a necessidade de reação imediata da categoria.

A coordenação do Sintufrj também aponta que o PL é a destruição do que foi acordado com os técnicos-administrativos e aponta elementos que estão na Reforma Administrativa.

O coordenador-geral Francisco de Assis informou que a direção nacional da Fasubra está elaborando uma emenda substitutiva ao artigo 2º do PL 6170 (não a todo PL que diz respeito também a outras categorias), com base no que foi levado à discussão na Comissão Nacional de Supervisão da Carreira e firmado como acordo da greve. E que a base deve fazer contato intenso com parlamentares de seus estados, pressionando pela aprovação do substitutivo que a Fasubra prepara, quando a matéria for a voto.

O coordenador-geral Esteban Crescente lembrou que é um direito de progressão na Carreira – não uma gratificação ou comissão –, e tem que ser igual para todos, ao contrário do que rege o PL, que não dá tratamento isonômico. “Isso é muito grave”, alertou, lembrando que o presidente da Câmara, Hugo Mota, tem o projeto na mão para poder pautar a qualquer momento. Diante disso o coordenador propôs uma ação contundente junto a parlamentares, detalhando a gravidade do problema que atingirá de modo expressivo, enorme número de servidores.

Pressão

De fato, a direção da entidade e militantes já iniciaram contato com parlamentares do Rio e até de outros estados. Outras propostas surgiram no GT, como a realização de reunião ampla com os parlamentares e entidades do estado para buscar apoio.

À tarde, a Federação realizaria reunião com dirigentes de entidades de base para discutir como viabilizar esta mobilização o mais efetiva e rapidamente possível, já que há risco iminente de o projeto, que tramita em regime de urgência, ser posto em votação.

Plenária

Em reunião no dia 5, diante da gravidade da situação, a Direção Nacional deliberou orientar a base para, além da ação política na base pela aprovação da emenda substitutiva, ampliar em mais um dia a plenária nacional em Brasília, agora dias 19 e 20 para debate da conjuntura que inclui o novo PL, para discutir, inclusive a antecipação da plenária de fevereiro para dia 18 e 19 de janeiro que deverá discutir indicativo de greve.

Por isso, os coordenadores chamam a categoria a se mobilizar e reafirmam a possível indicação de greve já no início do ano pelo cumprimento integral do acordo e contra a reforma Administrativa que prejudica servidores e a população.

Inconstitucionalidades

No GT, o debate sobre o PL tomou como base análise da Assessoria Jurídica da Fasubra, que aponta potenciais inconstitucionalidades, e estudos comparativos feito pela servidora Flávia Vieira, e levou a conclusão de que é preciso reagir urgentemente.

Segundo a assessoria Jurídica, o projeto estabelece as seguintes limitações:

– Concessão limitada a 70% dos servidores TAE da instituição

– Dependência de disponibilidade orçamentária

– Vedação para servidores em estágio probatório

– Interstício mínimo de três anos entre níveis

– Possibilidade de indeferimento mesmo com requisitos legais atendidos

Ainda segunda a assessoria, há violação da autonomia universitária (quando a concessão depende de disponibilidade orçamentária), interferência do MEC na gestão do RSC e insegurança jurídica por ausência de critérios objetivos (a falta de clareza impede a previsibilidade do direito). Por isso, recomenda profunda revisão do projeto sem o que certamente gerará judicialização em massa, instabilidade institucional comprometendo a política de valorização do servidor.

Acompanhe a Live da Fasubra dia 10

A Fasubra convocou a categoria para live urgente (dia 10, quarta-feira, às 18h) de análise do PL 6170/2025 e seus impactos no PCCTAE. O objetivo é esclarecer a base. A atividade será conduzida por representantes da FASUBRA na Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC).

Eles farão a análise do texto, com leitura detalhada do PL 6170/2025, riscos e impactos sobre a estrutura atual do PCCTAE. Vai discutir ainda a estratégia legislativa, com apresentação da proposta de emenda referente, especificamente, ao art. 2º do referido Projeto de Lei.

Manifestação nacional denunciando o avanço dos números do feminicídio levou milhares às ruas. No Rio, o protesto foi em Copacabana, e trabalhadoras da UFRJ mobilizadas pelo Sintufrj, estavam presentes

FOTOS: RENAN SILVA

Cerca de 90 cidades, entre as quais, 24 capitais e o Distrito Federal, foram cenário neste domingo (7) de protesto inédito convocado pelo movimento Levante Mulheres Vivas contra a escalada de feminicídios no país nas últimas semanas no país.

No Rio, a manifestação se concentrou no posto 5 na praia de Copacabana e o Sintufrj participou de forma ativa com a presença de várias trabalhadoras da UFRJ.

Os números são assustadores e nem as medidas que endurecem a punição contra assassinos de mulheres têm sido suficientes para conter a violência. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024 o Brasil registrou o maior número de feminicídios de história: foram 1492 assassinatos de mulheres tipificados como feminicídios, média de quatro por dia.

Segundo o mesmo anuário, o perfil das ocorrências mostra que 63,6% das vítimas eram negras; 70,5% tinham entre 18 e 44 anos; oito em cada dez foram mortas por companheiros ou ex-companheiros, e 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa.

A manifestação nacional de ontem denuncia o avanço desse tipo de crime – que tem ganho o caráter de epidemia – e exige proteção do Estado. Vários cartazes exibidos nos protestos das Mulheres Vivas traziam a frase: “Pare de nos matar”.

Categoria participou também da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Sintufrj apresenta vídeo “Mulheres inspiradoras”, sobre  contribuição das mulheres negras para o desenvolvimento da sociedade.

A Fasubra realizou, entre os dias 22 e 24 de novembro, em Brasília (DF), o Encontro de Raça e Etnia: Fortalecendo a Luta Antirracista e a Mobilização.  O evento reuniu técnico administrativos em educação de todo o país para discutir políticas de combate ao racismo e ações de promoção da equidade nas Instituições federais de ensino e no movimento sindical.

O Sintufrj foi representado por Adriana Mattos e Norma Santiago, coordenadoras de Políticas Sociais, e Selene Vaz, coordenadora de Aposentados, Hilem Moisés e Paulo Roberto Alves, coordenadores de Organização e Política Sindical.

Saúde do trabalhador negro, participação de povos indígenas e negros nos espaços institucionais, combate à violência de gênero e racismo estrutural foram alguns dos temas em debate.

A abertura, no dia 22, foi com uma mesa de nivelamento e letramento racial, seguida de debates sobre saúde mental, anemia falciforme, e ocupação de espaços por negros e indígenas.

No dia 23, painéis abordaram a luta indígena, violência obstétrica contra mulheres negras e estratégias de enfrentamento ao racismo nas entidades de base. No dia 24, houve o encaminhamento das propostas construídas coletivamente.

Marcha das Mulheres Negras
O Encontro de Raça e Etnia culminou com a 2ª Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, no dia 25 de novembro, em Brasília. Este ano, a FASUBRA passou a integrar o comitê da etapa nacional da Marcha, incorporando o evento ao seu calendário oficial de lutas. Como a delegação da Federação, centenas de caravanas integraram  a Marcha Nacional que rumo à Esplanada dos Ministérios. A estimativa é de que cerca de 300 mil pessoas ocuparam as laterais do gramado da área central de Brasília.

“A partir desse mosaico, a gente apresenta para o país, para o mundo e para o Estado brasileiro, para que entendam, de uma vez por todas, que é importante, necessário, é dever e direito olhar para a população negra”, disse Cláudia Vieira, representante do Comitê Nacional da Marcha A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, declarou: “Permaneceremos avançando, marchando por bem-viver e por reparação. Por todas as mães que perderam seus filhos e por todas aquelas que vieram antes de nós. Seguimos juntas em marcha, na positividade, hoje e sempre.”

Fotos: Arquivo pessoal

Da direita para a esquerda, em pé: Adriana, Norma, Paulo Roberto, Hileme Selene

 

 

O que eles avaliaram

Adriana Mattos, coordenadora de Políticas Sociais

“Queria parabenizar a Fasubra por esse encontro que era de negros e negras, e a Federação colocou um novo recorte (Raça e Etnia). Eu achei isso fantástico. Já havia sete anos que não ocorria, e a Fasubra voltou com esse encontro que eu acho de extrema importância. Porque a gente tem a possibilidade de formular políticas públicas, também para os povos originários, que também, desde sempre, vem sofrendo. Meus parabéns para o meu Sindicato também que está sempre enviando representantes atendendo o chamado da Fasubra.

Também participei da Marcha das Mulheres Negras, representando o meu sindicato, Sintufrj, Foi muito lindo. Havia mulheres de todos os estados. Brasília ficou linda. E eu queria deixar um recado para o presidente Lula. Para que não se esqueça de que foram as mulheres negras do Nordeste que o colocaram no poder. Então, o que a gente está reivindicando? Uma mulher negra no judiciário”.

Hilem Moisés, coordenador de Organização e Política Sindical

“Estivemos presentes em Brasília, no dia 22, 23 e 24 de novembro, para um encontro de raça e etnia da Fasubra. Nesse período, uma delegação escolhida pela direção e participante do GT Antirracista, do Sintufrj, participou deste encontro composto por vários debates, palestras de formação muito interessantes e que levaram a muitas discussões sobre o fazer da Fasubra, sobre o fazer do GT Nacional, com apresentação dos trabalhos locais também.

Nós pensamos, debatemos, avaliamos a formação das rotinas de trabalho e como podemos melhorar o trabalho em cada unidade local.

Além disso. foi um tempo de troca, de conhecimento de novos companheiros e companheiras, representantes de todas as regiões do país, mostrando as especificidades e, também, os objetivos a se alcançar enquanto negritude, enquanto sindicalistas.

Após o encerramento, participamos da Marcha Nacional das Mulheres Negras, onde pudemos encontrar irmãs e irmãos do Brasil inteiro para celebrar e para fazer também reivindicação, que era a marcha por reparação e bem-viver. As Mulheres Negras são a base da nossa sociedade, que estão também na base da pirâmide, sendo mais oprimidas, em movimentação por seus direitos, por suas necessidades e sabemos que elas estão alcançando uma melhora que é para toda a sociedade.

Então, eu enquanto homem, homem negro, e também mulheres brancas, homens brancos lá estiveram em apoio, como aliados pelo bem de todos. Porque a reparação por todas as mazelas históricas , levando a um bem-viver para as mulheres negras, teremos também (melhoras) para os homens negros e para toda a sociedade, com melhoria econômica, social, direito ao trabalho, sem racismo, sem machismo, sem homofobia”.

Norma Santiago, coordenadora de Políticas Sociais:

“O encontro dos negros e negras foi essencial, uma virada de página, um momento de aprendizado. Foram abordados temas muito pertinentes à população negra, como da violência obstétrica, que impacta a vida das mulheres negras, chamando a atenção para a necessidade de um cuidado mais humanizado e respeitoso. Falei também sobre a Doença Falciforme, que afeta as pessoas negras e fisicamente e emocionalmente, porque é uma doença que traz dores incríveis, horríveis, impactando a vida das pessoas acometidas por essa doença. Houve também uma mesa falando sobre letramento racial, essencial para a promoção da conscientização e a necessidade de combate ao racismo estrutural e toda forma de racismo e opressão à população negra

Apresentei também um vídeo com o tema “Mulheres Inspiradoras” que mostra que várias mulheres negras contribuem para o desenvolvimento da sociedade. Mulheres negras atuando na área da matemática, da física, da literatura, mulheres que fizeram e fazem a diferença no mundo.”.

Trecho da apresentação preparada pelo Sintufrj e exibida no encontro

 

Paulo Roberto Alves, coordenador do Organização e Política Sindical do Sintufrj:

“Contando com delegações de todo o país, o Encontro de Raça e Etnia da Fasubra, realizada em Brasília entre 22 e 24 de novembro, apresentou uma qualificada discussão sobre o tema. Além de apresentar palestras de letramento racial, a questão indígena, saúde étnica, entre outros temas, o encontro reforçou o caráter necessariamente antissistêmico no enfrentamento do racismo estrutural e genocídio institucionalizado das populações e comunidades não brancas. Mais do que promover a cultura e saberes próprios da diversidade nacional, o encontro colocou a luta antirracistas no centro de suas discussões.

Os debates animaram e efervesceram as delegações, que aplicarão o que aprenderam no sentido de desenvolver as políticas antirracistas nas bases. Neste sentido, a retomada depois de tanto tempo de hiato, foi muito positiva. Saímos com um compromisso de manter este nível de debates nas entidades de base, além de reforçar o apoio as ações da coordenação da Fasubra.

Foi muito importante o encontro ocorrer antes da Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcha esta que mostrou todo a competência de organização e as diferentes expressões dos mulherismos em todas as esferas de saber e técnica. Uma marcha linda e efetiva para mostrar ao Brasil que o Negro, Indígena, Quilombolas e demais culturas não brancas não só sabem fazer, como o fazem com qualidade ímpar, sem dever e pedir licença a ninguém”.

Selene Vaz, coordenadora de Aposentados,

“Foi muito gratificante, produtivo, emocionante. Nós tivemos lá mesas maravilhosas, temas profundos e que tocam na alma mesmo de negros e negras, que nos chamam pra realidade, que nos fazem enxergar o quanto fomos esquecidos e maltratados, e que nossa luta hoje, por reparação, por bem viver, por dignidade, por justiça, está começando até tardiamente.

Acho que a mesa que mais impactou todas nós que estávamos foi a que tratou do assunto da violência obstétrica e da Doença Falciforme. Na mesa, duas mulheres negras, uma socióloga e a outra pedagoga. Muitas das mulheres negras, na hora do seu parto não identificaram que estavam sofrendo uma violência obstétrica. Foi, muito impactante, revelador. Parece que a ficha cai mais ainda sobre o quanto nós negras e negros sofremos. Desde o nosso sequestro da nossa terra, até hoje, discriminação, desprezo pela nossa raça.

E a marcha foi maravilhosa. E abriu espaço para todos, pois tinham homens na marcha que se juntaram à nossa luta, tinham mulheres brancas, indígenas. Então foi uma marcha inclusiva, não só para as mulheres. Os povos originários também foram vítimas de genocídio absurdo e têm uma história de reparação, e é isso que a gente quer.

A gente está buscando o nosso espaço, e está conseguindo, e eu acho que daqui pra frente a gente vai acumulando forças para continuar. Porque essa luta não vai ter fim. É diária. As pessoas já conseguem enxergar uma mulher negra, um homem negro com outros olhos. Nós temos alma, temos forças, temos luz, e somos guerreiros e guerreiras nessa luta e confiantes de que sairemos vencedores. ? Nós precisamos desse bem viver. É direito daqueles que foram sequestrados, trazidos para esse país, massacrados, humilhados, assassinados, violentados, e hoje a gente só quer esse direito de viver e ser reconhecido como pessoas iguais, com todos os seus valores, com todas as suas riquezas, com todas as suas experiências, vivências e sabedoria”.

Momentos da Marcha

Ato Unificado convocado pelo Fórum dos Servidores do Rio de Janeiro reuniu, agora à tarde, manifestantes convocados por entidades que organizam a luta de trabalhadores do setor da educação – entre os quais o Sintufrj – em frente ao Palácio Guanabra, na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras. O protesto envolveu bandeiras de luta da área da educação estadual, como a rejeição à aprovação automática, e pautas mais gerais, como a luta contra a Reforma Administrativa. No caso dos servidores da educação do setor federal, a jornada pelo cumprimento integral do acordo de greve se fez presente. FOTOS RENAN SILVA

Está em curso uma epidemia de feminicídio no Brasil , Mas essa sociedade patriarcal, machista e misógina insiste que “são casos isolados”.

“Até quando as mulheres serão assassinadas por serem mulheres? Não aguento mais ver tantas de nós violentadas, estupradas e mortas”, diz a deputada estadual Renata Souza (Psol). Assista o vídeo a seguir:

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