



– Foto: Tribunal Superior Eleitoral/TSE/Arquivo
O comparecimento eleitoral é válido para a verificação no processo de Prova de Vida no INSS. O procedimento de revisão anual, focado em identificar se o titular do benefício previdenciário ou assistencial continua vivo para garantir a manutenção de pagamentos, abrange atualmente cerca de 40 milhões de beneficiários ativos, entre aposentadorias, pensões e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“A Prova de Vida pode se dar por meio do comparecimento eleitoral. Então, se você for votar no dia das eleições, você já terá a prova de vida realizada. O INSS recebe esses dados e já computa como prova de vida”, explica o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacando a praticidade da medida.
A Prova de Vida passou por modificações para reduzir filas, custos e transtornos que o antigo modelo presencial gerava, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida. A partir da Lei nº 13.846/2019, o comparecimento presencial deixou de ser a regra, estabelecendo que o próprio Estado deve buscar, de forma proativa, dados que confirmem a vivacidade do cidadão perante a administração pública. Já a Portaria INSS nº 1.408/2022 estabelece a votação nas eleições como um dos critérios de comprovação de vida.
O exercício do voto no dia do pleito atende a essa diretriz, dispensando o beneficiário que votou de realizar outras formas de comprovação. “Além de simplificar a Prova de Vida a milhões de segurados, a medida também traz segurança ao pagamento de benefícios da Previdência Social”, aponta a presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ana Cristina Silveira.
Mas, cuidado porque voto não tem preço, tem consequência!!!!
Em matéria da CUT Nacional, economista da UFRJ alerta: ” Plano de Flávio Bolsonaro levará o Brasil à recessão”:
Alto índice de desemprego, salários e aposentadorias congeladas, corte de benefícios, inflação, recessão e a “argentinização” da nossa economia. Esse será o resultado do programa econômico apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ao apostar em uma regra fiscal que restringe o crescimento das despesas e corta 1,5% do PIB, avalia a economista Denise Gentil, professora e colaboradora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que atua na pesquisa e ensino na instituição.
Leia mais em https://www.cut.org.br/noticias/economista-da-ufrj-alerta-plano-de-flavio-bolsonaro-levara-o-brasil-a-recessao-6ff7
Destruição do Farmácia Popular
E não podemos esquecer do “Farmácia Popular”, cuja parte da verba Bolsonaro desviou, em 2022, para o orçamento secreto, lembra?
Criado em 2004, no primeiro mandato do presidente Lula, para ampliar o acesso a medicamentos essenciais para a população, desde o golpe de Temer foi reduzido no governo Bolsonaro que, em 2022, retirou recursos do programa para aumentar o tal orçamento secreto. Um levantamento de especialistas em orçamento da Saúde indicou que o programa recebeu R$ 1,2 bilhão a menos, comparado ao ano anterior.
Por tudo isso, vote, defenda seus direitos!!!!
Comentários na rede social propõem reflexão:

Por: Mídia Ninja
Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) realizaram uma manifestação pelas ruas de Niterói na noite de segunda-feira (5). O ato é uma reação ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais e reuniu jovens em defesa da democracia e em apoio à candidatura de Lula.
Organizado por diretórios acadêmicos, entre eles o Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito, o protesto partiu do campus do Gragoatá, passou pelo Ingá e seguiu até Icaraí, ocupando a Avenida Roberto Silveira. Os manifestantes levaram faixas e cartazes contra propostas de anistia a Jair Bolsonaro e em defesa das universidades públicas.
Segundo os organizadores, o ato marca o início de uma série de mobilizações de rua planejadas por estudantes para as semanas que antecedem o segundo turno.
Aliados do candidato pressionam para adiar análise da proposta no Senado prevista para esta terça-feira (6), enquanto oposição tenta esvaziar as sessões
Publicado: 06 Outubro, 2026 – 11h09 | Última modificação: 06 Outubro, 2026 – 11h19
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto
A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução de jornada sem reduzir os salários está prevista para esta terça-feira (6), no Senado, mas o grupo político de Flávio Bolsonaro (PL) já articula a derrubada da análise da proposta. O candidato à Presidência é contrário ao fim da escala 6×1 e já atuou nos bastidores para travar o avanço da medida.
O resultado das urnas, definido nas eleições deste domingo (4), com o avanço da extrema direita no Congresso Nacional, pode dificultar a tramitação da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Senado. Apesar da pressão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu manter o calendário de debates da proposta. (Clique aqui para pressionar os senadores a votar pelo fim da 6×1)
A PEC, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), será discutida em três sessões semipresenciais. A primeira está marcada para esta terça-feira (6), com outras duas previstas para quarta (7) e quinta-feira (8). A manutenção do cronograma, porém, não significa que exista consenso para levar a matéria à votação.
Bandeira histórica da CUT, o fim da escala 6×1 também é uma das prioridades do governo do presidente Lula. O avanço da direita nas urnas, portanto, torna ainda mais difícil reunir apoio suficiente para fazer a proposta avançar no Senado. A oposição trabalha para esvaziar as sessões e dificultar a formação do quórum necessário.
A definição de Alcolumbre ocorreu na sexta-feira (2), às vésperas do primeiro turno. Na ocasião, a decisão foi vista como um gesto de aproximação com o governo Lula, que considera o fim da escala 6×1 uma de suas principais pautas no Congresso. A PEC já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio.
Quase 15 milhões de trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada cumprem a escala 6×1 no Brasil, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
São 14,8 milhões de pessoas que trabalham seis dias para ter apenas um de descanso, em um dos principais pontos do debate sobre a redução da jornada sem redução salarial.
O número pode ser ainda maior, já que o levantamento do MTE considera apenas os vínculos celetistas. Entre trabalhadores e trabalhadoras domésticos, outros 1,4 milhão estão submetidos à escala 6×1, de acordo com os dados do ministério.
O Regimento Interno do Senado estabelece que uma proposta de emenda à Constituição seja submetida a cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno. Se for aprovada, precisa passar por mais três sessões de discussão antes da votação em segundo turno.
Existe a possibilidade de reduzir esse intervalo por meio da aprovação de um calendário especial. Para isso, no entanto, é necessária maioria simples dos senadores. A estratégia da oposição de não comparecer às sessões pode dificultar a formação do quórum necessário e, consequentemente, a aceleração da tramitação.
Dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) durante os debates sobre a PEC na Câmara mostram que a escala 6×1 atinge trabalhadores de diferentes grupos.
Considerando todos os tipos de vínculo, 32,2% das mulheres e 33% dos homens estão submetidos a esse regime.
O levantamento também aponta diferenças por raça e cor. Entre trabalhadores pretos e pardos, 33,5% dos vínculos estão na escala 6×1. Entre trabalhadores brancos, o percentual é de 31,7%.
Regionalmente, entre os celetistas, Tocantins apresenta a maior proporção de trabalhadores na escala 6×1, com 48,1%. Em seguida aparecem Santa Catarina, com 44,7%, e Roraima, com 43,9%.
Em números absolutos, o Sudeste concentra cerca de 7 milhões de trabalhadores celetistas submetidos à escala.
A escala 6×1 está concentrada principalmente em atividades que funcionam de forma contínua ou durante os sete dias da semana.
Entre os setores com maior proporção de vínculos nesse regime estão:
Na outra ponta, um dos setores com menor presença da escala 6×1 é o de eletricidade e gás.
Dados já apresentados pelo Dieese e divulgados pelo Portal CUT também mostram que as jornadas extensas continuam sendo uma realidade para milhões de trabalhadores.
O levantamento aponta que 64% dos trabalhadores formais cumprem jornadas superiores a 40 horas semanais, enquanto cerca de 20 milhões trabalham mais de 44 horas por semana.
Professores e trabalhadores da educação ficarão sem piso salarial se Flávio Bolsonaro for eleito e cortar 1,5% do PIB em 2027, como propõe sua equipe econômica, alerta presidenta da CNTE
Publicado: CUT¨/ 02 Outubro, 2026 – 19h23 | Última modificação: 03 Outubro, 2026 – 09h00
Escrito por: Rosely Rocha e André Accarini

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, disse que o candidato à presidência quer implementar um “cardápio de cortes” caso seja eleito. Embora não tenha detalhado o plano, ela prevê cortar cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 190 bilhões no orçamento da União em 2027. Esse anúncio aliado à proposta de desvincular os gastos mínimos com educação da receita líquida de impostos (atualmente fixada pela Constituição em 18% para a União), com os recursos para a área passando a ser corrigidos apenas pela inflação, preocupa os profissionais da educação.
Para a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva, o efeito seria imediato sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que tem como uma de suas finalidades o pagamento dos salários, afetando o piso dos professores, suas correções e reajustes.
“É enterrar de vez a possibilidade de um piso para os demais profissionais da educação que não seja professor”, diz.
A presidenta da CNTE destaca que a proposta de desvinculação dos recursos destinados constitucionalmente à área “terá um impacto em todas as políticas públicas para a educação, para os estudantes, bolsas de estudo, para tudo”.
Segundo Fátima, os cortes atingiriam desde a educação infantil até o ensino superior, além da pesquisa, ciência e extensão. Os impactos negativos seriam sentidos ainda na infraestrutura das escolas, nas bolsas para estudantes e professores e no acesso e permanência nas universidades.
“Se não tem esse incentivo dessas políticas, esses alunos vão cair fora. Ninguém entra e quem está não vai conseguir ficar. Não tem nenhuma política que não seja atingida com esse corte, inclusive a alimentação escolar porque muitas crianças vão para comer na escola”.
“A gente não quer retrocesso, a gente está aqui para garantir conquistas, avançar nos direitos, do acesso à educação do povo brasileiro, da ciência, da pesquisa, e ela tem como fundamento a educação básica, a educação infantil. É ali que começa”, conclui a dirigente.
Propostas de Flávio vão na contramão
Ensino público de qualidade, professores valorizados e ciência impulsionam o desenvolvimento, mas Flávio Bolsonaro aposta na militarização, sem responder aos desafios da educação.
Ao propor a ampliação das escolas cívico-militares, oferecer vouchers e combater a chamada “doutrinação”, o candidato do PL aponta para uma deterioração da qualidade do ensino, comprometendo a formação e capacitação profissional e cientifica no país.
Além das escolas cívico-militares o seu programa de governo consta:
Combate à “doutrinação”: uma diretriz vaga pode abrir espaço para perseguir professores e restringir discussões legítimas sobre história, desigualdade e direitos. A liberdade de consciência deve proteger o debate e o pensamento crítico.
Método fônico: associar sons e letras faz parte da alfabetização. Priorizar uma metodologia não elimina a necessidade de compreensão de textos, formação docente e respeito à autonomia pedagógica.
Vouchers para escolas e creches: direcionar recursos públicos ao atendimento privado pode oferecer vagas, mas exige fiscalização e garantia de qualidade. A medida não dispensa ampliar e fortalecer a rede pública.
Financiamento condicionado à renda: vincular o pagamento do empréstimo estudantil à renda pode aliviar a cobrança sobre quem está sem trabalho. Ainda assim, mantém o acesso à faculdade associado a uma dívida e não substitui vagas públicas gratuitas.
Flávio também prevê formação continuada de professores, ampliação do ensino técnico e integral, acesso a tecnologias, atendimento a estudantes com altas habilidades e atividades escolares nas férias, mas essas medidas precisam de orçamento, condições de execução e critérios que reduzam desigualdades.
O Programa Acolher propõe remunerar estudantes com bom desempenho para dar reforço aos colegas. A tutoria pode complementar o ensino, mas exige supervisão e não substitui o trabalho dos professores.
Já a vinculação de repasses a metas de aprendizagem precisa considerar as condições de cada rede. Sem essa proteção, escolas que atendem populações mais vulneráveis podem ser penalizadas justamente quando precisam de mais investimento.
No ensino superior, Flávio propõe transferir a governança para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e priorizar o impacto produtivo nas ações da Capes e do CNPq. Aproximar pesquisa e produção pode trazer benefícios, mas o financiamento também deve preservar ciência básica, humanidades e estudos cujo retorno social não se mede pelo lucro imediato.
Essas são propostas são aceitas no papel, mas o futuro do Brasil exige uma política que articule todas as etapas da educação, da creche à pós-graduação. Um ensino público de qualidade, com professores valorizados, permanência estudantil e liberdade para produzir conhecimento são compromissos que precisam orientar esse caminho, o que se torna inviável com cortes orçamentários atingindo a educação do país.
Denise Gentil critica cortes de R$ 300 bilhões, diz que proposta favorece os mais ricos e alerta para efeitos sobre emprego, renda, serviços públicos e crescimento da economia brasileira
Publicado: CUT / 04 Outubro, 2026 – 09h36 | Última modificação: 04 Outubro, 2026 – 09h59
Escrito por: Rosely Rocha
Alto índice de desemprego, salários e aposentadorias congeladas, corte de benefícios, inflação, recessão e a “argentinização” da nossa economia. Esse será o resultado do programa econômico apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ao apostar em uma regra fiscal que restringe o crescimento das despesas e corta 1,5% do PIB, avalia a economista Denise Gentil, professora e colaboradora do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que atua na pesquisa e ensino na instituição.
Para Denise, a lógica de reduzir rapidamente as despesas para conquistar a confiança do mercado desconsidera o papel que os gastos públicos exercem sobre a atividade econômica. A campanha de Flávio defende redução de pelo menos 10 ministérios, corte de cargos comissionados e despesas administrativas e “substituição de cargos operacionais e administrativos por inteligência artificial”. O plano é de um “tesouraço” nos gastos públicos e uma nova regra para controlar as despesas de acordo com a trajetória da dívida pública.
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, já afirmou que o ajuste pretendido seria equivalente a 1,5% do PIB. A equipe também passou a trabalhar com uma proposta de corte de cerca de R$ 300 bilhões em uma eventual “PEC da Transição”, mas o desenho concreto dos cortes e seu cronograma ainda não foram divulgados integralmente.
Segundo Denise, o problema está no efeito desse tipo de ajuste radical sobre a demanda. “Numa situação em que você corta R$ 300 bilhões de gastos públicos federais, você não economiza R$ 300 bilhões. Você retira da economia algo em torno de R$ 450 bilhões a R$ 500 bilhões de demanda”, afirma.
A explicação, diz ela, está no efeito multiplicador dos gastos públicos. Quando o governo reduz suas despesas, famílias e empresas recebem menos recursos, o consumo diminui porque a renda cai, os investimentos privados são afetados e a arrecadação também cai. “Quando o Estado gasta menos, as famílias e as empresas recebem menos, logo, as famílias vão consumir menos, as empresas vão investir menos e a arrecadação vai cair”.
Para a professora, o resultado pode ser justamente o contrário daquele pretendido pela equipe econômica: em vez de reduzir a relação dívida/PIB, a política de austeridade pode elevar esse indicador. “O PIB vai diminuir exatamente porque as famílias vão consumir menos e porque as empresas vão investir menos”, diz. “Logo, o PIB caindo, reduz o denominador da relação dívida/PIB enquanto o numerador se eleva em função da queda da receita do governo”.
Para ela, o país poderia entrar em um ciclo vicioso no qual a queda da atividade econômica reduz a arrecadação, aumenta a relação dívida/PIB e produz pressão por novos cortes.
Denise critica especialmente a proposta de estabelecer um mecanismo que reduza ainda mais as despesas à medida que a dívida pública aumenta. Segundo ela, os parâmetros exatos da regra fiscal ainda não estão claros, mas pelo que foi dito à imprensa, é o crescimento real dos gastos federais ser zero se a dívida bruta do governo ultrapassar 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, isso significaria um congelamento dos gastos públicos em termos reais.
Essa regra que eles estão propondo,de cortar ou congelar o gasto real é exatamente a recessão e a recessão faz a dívida subir mais
A economista tem uma visão diferente da política fiscal. Para ela, “o equilíbrio fiscal não pode ser tratado como um fim em si mesmo. O gasto público deve ser avaliado por seu efeito sobre a demanda e, sobretudo, sobre a capacidade produtiva: ao ampliar emprego, renda e consumo, pode induzir investimento privado, elevar a arrecadação e ampliar o próprio produto, reduzindo a relação dívida/PIB. A austeridade produz o efeito inverso, tornando o equilíbrio fiscal uma meta que, paradoxalmente, dificulta sua própria obtenção”.
Denise defende que investimentos públicos, benefícios sociais e serviços públicos de saúde e educação oferecidos pelo Estado podem gerar renda e criar demanda e, a partir daí, estimular novos investimentos privados. “Para estimular o investimento privado, o Estado tem que gastar antes. Criar renda e demanda, para depois o investimento privado reagir. O investimento privado precisa ser induzido pelo gasto público”, diz.
Ela também questiona a ideia de que o corte de gastos seria suficiente para produzir confiança e, a partir daí, aumentar o investimento. “O problema é que o governo, ao tentar conquistar a confiança do mercado pela austeridade, corre o risco de não ter nem a confiança plena do mercado — que sempre pode exigir mais ajuste fiscal e nunca se convencer com o superávit que o governo entrega — e nem conquistar o apoio popular, porque sua base política não perceberá benefícios materiais vindos do sacrifício fiscal”.
O programa de Flávio Bolsonaro prevê R$ 900 bilhões em investimentos em infraestrutura entre 2027 e 2030, com forte dependência da iniciativa privada, por meio de concessões e PPPs, complementadas por mecanismos de financiamento público e por um novo fundo lastreado em ativos e imóveis da União. Para Denise, o programa aposta principalmente na participação privada, mas é um equívoco esperar por uma forte reação dos empresários em uma economia que, ao mesmo tempo, esteja sendo submetida a um forte corte de gastos públicos e em desaceleração.
Benefícios aos empresários e prejuízos para os trabalhadores
Para Denise, é preciso perguntar quem se favorece com a redução dos gastos públicos, associada à redução de impostos defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro. A mudança na tributação tende a favorecer grupos empresariais, inclusive os que vivem de rendimentos financeiros enquanto transfere os efeitos do ajuste fiscal para os trabalhadores por meio de menor oferta de serviços públicos, menor investimento e possível aumento do desemprego.
A desoneração tributária favorecerá empresários. A redução da carga tributária será feita em favor do capital, enquanto a austeridade fiscal será prejudicial ao emprego e à renda da classe trabalhadora
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A economista também relaciona o nível de atividade econômica ao poder de negociação dos trabalhadores. Quando a economia cresce e o desemprego cai, diz ela, aumenta a capacidade dos trabalhadores de reivindicar salários e melhores condições de trabalho. Já uma política de austeridade pode produzir o efeito inverso.
“Quem vai se beneficiar com o rigorosíssimo regime fiscal proposto? Ele vai beneficiar em primeiro lugar a classe rentista e os empresários que são a sua base de apoio político. Vai intervir na luta de classes contra os trabalhadores, cortando gasto com saúde, educação, previdência e investimento público”, e prossegue: “O Estado deixará de ser o Estado que garante um desemprego baixo, de 5,3% e uma renda média mais elevada, para ser um Estado que estrangula a economia, para poder esmagar o poder de barganha dos trabalhadores e garantir lucro mais elevado”, afirma.
Na avaliação da economista, portanto, o debate crítico sobre o programa econômico de Flávio Bolsonaro não deveria se limitar analisar a promessa de equilíbrio das contas públicas para posterior redução dos juros. É preciso considerar “os impactos políticos e os custos sociais sem nenhuma segurança da queda da taxa de juros”. Esta, segundo a professora, “é definida pelo banco central, que leva em consideração as expectativas geopolíticas, as condições financeiras internacionais e o risco cambial.
O resultado fiscal pode ser extremamente favorável e mesmo assim os juros se manterem persistentemente elevados, porque estão fortemente determinados pelo poder dos detentores de ativos financeiros indexados à Selic. A economia brasileira vivi uma financeirização acelerada, cujo motor é a taxa de juros”.
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Economista vê risco de “argentinização” da economia
A principal referência internacional apontada por Denise como preocupação para a construção do programa econômico de Flávio Bolsonaro é a Argentina de Javier Milei. A economista contesta a ideia de utilizar a Argentina como referência para o Brasil e destaca que “os dois países se encontram em situações econômicas muito diferentes e qualquer analogia é um equívoco. No Brasil o desemprego está baixo, a inflação em trajetória de desaceleração, as reservas internacionais são robustas e o câmbio não apresenta sinais de descontrole. A dívida pública cresce, mas não se encontra numa trajetória explosiva e é predominantemente interna, denominada em reais”.
Denise explica que, Daniella Marques e Adolfo Sachsida, que coordenam a área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, defendem uma política de forte redução das despesas públicas inspirada no modelo adotado pelo governo argentino.
“O que a Daniella Marques e o Adolfo Sachsida [economistas da campanha de Flávio] estão propondo, se for empregado para o Brasil, será um desastre econômico. É incabível associar a situação da Argentina com a situação do Brasil. É uma ameaça para nós”, critica.
Os dados mais recentes mostram que a pobreza voltou a crescer na Argentina no primeiro semestre de 2026, atingindo 32,3% da população, enquanto a indigência chegou a 7,5%. O levantamento oficial também mostra que 44,5% das pessoas em situação de pobreza são crianças e adolescentes de até 14 anos.
O fechamento de empresas também foi expressivo. Dados reunidos pela Fundar apontam que 31,3 mil empresas deixaram de existir entre novembro de 2023 e junho de 2026, além da perda de 245 mil empregos formais. A indústria acumulou retração e diferentes setores registraram queda de atividade.
Para Denise, esses resultados mostram os riscos de uma política baseada em cortes profundos de despesas.
Seria uma argentinização da economia brasileira, ou seja, falência de milhares de empresas, destruição da indústria, aumento do desemprego e da informalidade que levam a população à fome, à pobreza e à indigência
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A definição do próximo presidente do Brasil ficou para o segundo turno, dia 25 de outubro, após a disputa acirrada do primeiro turno colocar Flávio Bolsonaro (PL), com 47,03%, um pouco à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 45,16%. A legenda mais identificada com o bolsonarismo conseguiu a maior bancada da história do Congresso, com 121 deputados federais e 28 senadores.
O resultado surpreendeu, porque as pesquisas de intenção de votos, especialmente as divulgadas na semana que antecedeu o primeiro turno, apontavam para uma disputa apertada, mas com Lula na frente.
O cientista político José Henrique Artigas, professor do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba (CCHLA-UFPB), reforça que o resultado, com base nas análises de tendência, acabou sendo surpreendente e destaca os resultados positivos da composição do legislativo para a extrema direita.
“Houve uma verdadeira avalanche de votos atribuídos a extrema direita particularmente ao PL de Flavio Bolsonaro. Essa eleição coloca o PL como partido mais forte do Brasil, que conquistou o maior número de parlamentares e de governos estaduais, principalmente em cima do Centrão. O somatório dos partidos de esquerda e centro-esquerda mudou muito pouco em relação à composição de 2022. Partidos como PP e União Brasil deram espaço para o PL. Isso jamais aconteceu na história do país”, avalia.
Artigas reforça que a eleição “foi atípica” e compara com o movimento de 2018. “Flávio Bolsonaro conseguiu vencer em estados onde, em 2022, Lula havia garantido a vitória”, pontua.
Para o cientista político, ainda que Lula consiga reverter o cenário e sair vitorioso no segundo turno, “terá um caminho dificílimo para enfrentar”. Artigas observa que a tendência de crescimento da direita, desde 2018, já vinha se consolidando, mas alerta que o que está em evidência não é mais uma “oposição do Centrão liberal”. “Estamos falando de uma oposição da extrema direita golpista. A extrema direita do PL flerta com o golpe, com o autoritarismo e, portanto, com o rompimento da ordem institucional estabelecida”, resume.
O analista questiona a ideia de que há um “avanço conservador” no Brasil. Para ele, trata-se de um “retrocesso conservador e avanço reacionário”. José Henrique Artigas alerta que, caso se torne presidente, o primeiro ato de Flávio será anistiar seu pai, Jair Bolsonaro, e os golpistas do 8 de janeiro.
“É um grupo de golpistas que quer destruir as instituições. São representantes eleitos que claramente querem retroceder a antes de 1988. Que nos preparemos para tempos muito difíceis. A democracia que conseguiu se sustentar após crises vai ter que demonstrar muito mais resistência e resiliência. Toda a corja golpista sairá da cadeia, caso Flávio ganhe”, ressalta.
O analista político observa uma mudança na última década na forma em que grupos e lideranças políticas se conectam com o eleitorado, apontando para uma perda de relevância da forma de comunicação tradicional para os algoritmos nas plataformas das redes sociais. Nesse sentido, o campo conservador conseguiu, com mais habilidade, capturar essa dinâmica.
Artigas compara o atual cenário de marketing político aos anos 1930, quando o nazismo e o fascismo ganhavam capilaridade e a mensagem era dirigida a grupos muito específicos. Ele avalia que “o debate não aconteceu pelas vias tradicionais e não foi para as ruas”, garantindo a vitória a figuras como Nikolas Ferreira, que concentram sua atuação nas redes sociais.
“O mecanismo hoje de inteligência artificial, que orienta a captura de dados, acaba dificultando manifestações coletivas. A propaganda eleitoral é orientada ao indivíduo, bombardeado pelos algoritmos”, observa.
Nesse sentido, Artigas avalia que esse formato comunicacional acaba alavancando o projeto principal da extrema direita, que era aumentar a capilaridade. “Desde 2022, o PL vinha se reorientando a aumentar a capilaridade. Em 2018, ainda como PSL, ele tinha certa dificuldade de avançar pelo país. A partir de 2022, eles conseguem a capilarização. E isso terá um impacto imenso. Caso eleito para a presidência, Flávio vai navegar em mar tranquilo, semelhante ao segundo governo Trump, com capacidade de impor e não negociar a presidência do Senado e a presidência da Câmara”, afirma.
“Hugo Motta e Davi Alcolumbre que coloquem suas barbas de molho, porque estavam com a expectativa de reeleição [na presidência da Câmara e Senado]”. Para ele, o segundo turno se trata de disputar essas forças do Centrão.
Para Artigas, o voto útil foi uma tendência e acabou sendo um fiel da balança. Além disso, o cientista político avalia que a campanha de Flávio sai vitoriosa do primeiro turno, garantindo pelo menos cinco palanques importantes estaduais, contra quatro de Lula. “Campanha de Flávio sai do primeiro turno com tendência de crescimento, conseguindo votos úteis de outros candidatos da direita. Não acredito que haverá grandes mudanças no campo bolsonarista”, aponta.
Já para o campo lulista, Artigas avalia que a mudança deverá ser drástica e critica a campanha que, segundo ele, “ficou muito focada no passado e em denúncias contra Flávio”, como os escândalos do Banco Master, que não colam e não surtem o impacto esperado. “Apesar da diferença proporcional de votos ser relativamente pequena, o grau de calcificação desde o início da campanha revela a grande dificuldade de conquista de indecisos e um arco muito restrito da possibilidade de mudar de opinião”, pondera.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira e, no período eleitoral, começa às 7h25 da manhã, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
No último grande ato da campanha de Lula no Rio de Janeiro, o candidato do PT foi celebrado por uma multidão em caminhada da Candelária até a Cinelândia, roteiro histórico de manifestações políticas na cidade. O SINTUFRJ desfraldou bandeiras sinalizando a presença de trabalhadoras e trabalhadores da UFRJ que apostam da reeleição do presidente do Brasil de olhos voltados para a defesa da universidade pública e de seus servidores. O ato aconteceu numa atmosfera de vitória de Lula ainda no primeiro turno , como acredita muitos dos seus eleitores. E um dia após o episódio da implosão do debate da TV Globo, emissora de tradição golpista que havia preparado uma arapuca para a maior liderança popular da história recente do país. O grupo Globo, como setores de peso da burguesia, abraçou o projeto que representa o fascismo de um candidato vinculado a milicianos. FOTOS: RENAN SILVA















Uma data para celebrar a experiência, a sabedoria, a memória e as histórias de vida de milhões de brasileiras e brasileiros.
O SINTUFRJ homenageia especialmente os idosos e idosas da UFRJ — aposentadas e aposentados e também aqueles que continuam na ativa.
Cada um e cada uma traz consigo uma trajetória de dedicação à Universidade, ao serviço público e à sociedade.
1º de outubro. Dia Nacional do Idoso.
A todas as idosas e idosos da UFRJ, nosso respeito, carinho e reconhecimento.
SINTUFRJ — valorizando quem fez, quem faz e quem continua fazendo parte da nossa história!
Diretoria do Sintufrj, gestão 2025-2028, junto com a categoria!
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