O governo federal devolveu integralmente, segundo a Agência Brasil, as verbas que haviam sido cortadas do orçamento das instituições federais de ensino para este ano.
Em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) dia 20, o Ministério do Planejamento e Orçamento autorizou a recomposição integral do orçamento, no valor de R$ 977 milhões, para o Ministério da Educação.
Foram R$ 332 milhões para as universidades federais para o custeio (como o pagamento de contas como luz, água, segurança etc.); R$ 156 milhões para os institutos federais; R$ 230 milhões para a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior); R$ 259 milhões para itens de manutenção das instituições federais de ensino.
Os valores foram cortados no Projeto de Lei Orçamentária Anual pelo “Congresso inimigo do povo”, junto com orçamento de outras áreas importantes para a população, para injetar dinheiro nas emendas parlamentares.
Mas, mesmo com a recomposição, o orçamento não supre a necessidade das instituições para garantir o pleno funcionamento.
A recomposição representou para a UFRJ, a retomada de R$25 milhões, por exemplo, no orçamento do funcionamento. O orçamento discricionário foi recomposto, mas ainda falta uma parte (era de R$410 milhões, e consta R$404 milhões).
O Jornal do Sintufrj perguntou ao reitor Roberto Medronho, como avaliou a iniciativa do governo de recompor o orçamento e como lidar com o fato de que, mesmo recompostos, os valores previstos, por exemplo, para funcionamento somam R$ 323 milhões, enquanto a previsão de despesas para o exercício de 2026 totalizam R$ 378 milhões, segundo o Informe Pr-3 de 17 de dezembro.
Roberto Medronho 0- “A recomposição, a partir do veto do presidente Lula, ao que o Congresso tirou da Educação para turbinar as emendas parlamentares, tem nosso apoio total. Entretanto, o orçamento agora passou a ficar com problemas. Antes era crítico, quase que inviável. Agora é um orçamento aquém das nossas necessidades, o que faz com que a gente este ano corra atrás de investimentos, de novas parcerias e até mesmo, e obviamente, de recomposição orçamentária.
Então, nós vamos pedir a devida recomposição ao MEC, mas também buscar parcerias com o governo federal, os governos estaduais, os governos municipais. Para, a partir dessas parcerias, conseguir apoio para nos ajudar a manter a universidade aberta.
A universidade não fechará, ela permanecerá aberta a respeito de todas as dificuldades que eventualmente tenhamos”, concluiu.
O JS perguntou também sobre o que projeta para a atuação da Pró-Reitor a de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças (PR-3), com a convocação da professora Gisele Pires para a pasta, diante das grande e conhecidas dificuldades que a universidade enfrenta e quais são as prioridades da gestão neste momento no que toca às finanças.
Roberto Medronho – “A Gisele (Pires, atual pró-reitora de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças, PR-3) é uma companheira de muitos anos, foi diretora de Graduação da Faculdade de Medicina (na gestão de Medronho à frente da faculdade). É uma profissional altamente competente, e uma pessoa muito experiente na administração pública. Foi pró-reitora de Graduação, e da Sesu (Secretaria de Educação do MEC), com mais de três anos em Brasília. Então é uma pessoa que vai trazer muitas contribuições para a nossa gestão. E o professor Hélios (Malebranche, o antigo pró-reitor), eu agradeço toda a contribuição que ele deu nesse período todo.
Uma determinação minha é que a transparência permanecerá. Continuaremos a fazer os relatórios como eram feitos, porque isso é uma decisão política da reitoria da UFRJ.
É muito difícil falar em prioridades em educação pública, em ciência. Infelizmente muitos veem a educação como um gasto, quando na verdade ela é investimento.
Agora, obviamente, a prioridade é manter a universidade aberta, com limpeza, vigilância, alimentação estudantil, pagamento de auxílios para os nossos estudantes que têm os auxílios do PNAES. Dentre todas as prioridades, essas são as prioridades máximas.
O nosso foco é manter a universidade aberta e não atrasar o pagamento dos terceirizados, pessoas que estão trabalhando por nós, colaborando com o crescimento da universidade e são pessoas muito vulneráveis economicamente. Aliás, muitas vezes eles deixam de receber, não porque a universidade atrasou. É bom que se diga. Muitas vezes eles não recebem porque a empresa não tem fluxo de caixa para pagá-los. Porque a gente paga dentro do que determina a lei”.
Reitoria em reunião no fim do ano comemorava reorganização financeira. Dois dias depois, veio o corte

Na foto, da SGCOM, a Reitoria informa, na última Plenária de Decanos e Diretores de 2025, no dia 17 de dezembro, na antiga sala do Consuni, no prédio Jorge Machado Moreira, indicadores do desempenho no período: entre os destaques, a reorganização financeira da universidade, que, segundo o site da UFRJ, “iniciou o ano sem dívidas com a concessionária de energia elétrica Light, um marco considerado fundamental para a sustentabilidade orçamentária da instituição”.
Alguns dias depois, no dia 19, a UFRJ e todas as outras federais seriam surpreendidas com o sequestro do orçamento previsto na PLOA pelo parlamento para suas emendas parlamentares. Agora os recursos foram recompostos pelo governo.











